Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 06.08.2009 06.08.2009

Ziraldo, 60 anos de traço

Por Bruno Dorigatti
Foto de Tomás Rangel 

> Assista à entrevista exclusiva de Ziraldo ao SaraivaConteúdo 

Para a maioria das pessoas letrada no Brasil durante osanos 1980, Ziraldo Alves Pinto dispensa apresentação. Para aqueles um poucomais velhos, que faziam do Pasquim sualeitura semanal obrigatória nos anos 1970, a mesma coisa. Mineiro de Caratinga,nascido em 1932, ele desenhou desde sempre, inclusive nas paredes de casa e como apoio a mãe. Sempre soube que queria fazer história em quadrinhos, ainda numtempo em que os gibis eram acusados de atrapalhar e desvirtuar a leitura, econsiderados pecado pela igreja. Seu pai comprava gibis velhos do barbeiro darua num tempo em que Ziraldo tinha um circo no quintal de casa, cuja fera eraum gambá cego e a entrada, paga com “pau de fósforo”, como ele se refere aospalitos. Poderia ter virado um incendiário, mas foi um dos principais mestresdo traço no Brasil na segunda metade do século XX, seja nos quadrinhos,cartuns, charges, cartazes e logotipos. Sua faculdade de design foi a agênciade publicidade onde trabalhou assim que se mudou para o Rio de Janeiro na metadedo século passado, onde teve acesso a revistas como Punch, New Yorker, Holiday, Graphis.

Em 1960, lançou a Turmado Pererê, revista de quadrinhos inspirada nas lendas tupiniquim como osaci-pererê e companhia, que durou até o golpe militar de 1964. “Fiqueidesamparado e desorientado durante algum tempo”, conta Ziraldo nesta entrevistaexclusiva ao SaraivaConteúdo. Em1969, junto com Millôr, Jaguar, Henfil, Redi, Paulo Francis, Ivan Lessa, FaustoWolff, Sérgio Augusto e tantos outros, lançou o semanário Pasquim, que revolucionou a imprensa brasileira, com a linguagemcoloquial, gírias, a maneira de fazer entrevistas, o destaque para o desenho,co charges, cartuns, histórias em quadrinhos, o humor impagável e críticacontundente à ditadura que recrudescia naquele ano, depois do AI-5 instituídoem dezembro de 1968. 1969 seria o ano também de Flicts, o incrível álbum ilustrado que conta a história de uma cor à procura de seu lugar no mundo.

A seguir, Ziraldo relembra algumas destas passagens, comespecial foco no seu trabalho como autor de livros para crianças e aimportância da leitura, que considera superior ao estudo, além de abordar asnovas tecnologias, com a qual tem pouca intimidade – segue utilizando suamáquina de escrever Olivetti, além da prancheta, pincéis e tintas, alguns commais de 40 anos –, mas não deixa de acompanhar. Há pouco inaugurou seu blog, onde publica diariamente cartuns inéditos, históricos,tiras do Menino maluquinho – agora, traduzido em coreano, para orgulho de seucriador – e outros trabalhos de sua longa trajetória, que completa 60 anos deatuação profissional em 2009.

Conversamos com Ziraldo em seu estúdio na Fonte daSaudade, zona sul do Rio de Janeiro, um lugar que por si só já merece umavisita, com seus trabalhos espalhados pelas paredes, troféus, prêmios,homenagens, ampla biblioteca, réplicas do Menino maluquinho, sua Olivetti, amáquina de escrever que ainda utiliza, e a sua prancheta, que ocupa lugar dedestaque.

> Assista à entrevista exclusiva de Ziraldo ao SaraivaConteúdo

> Leia a seguir a conversa com Ziraldo

# O primeiro contatocom a leitura

ZIRALDO. Meupai era um homem do interior, muito simples, mas ele tinha passado aadolescência num grande colégio, chamado Academia de Comércio de Juiz de Fora.Ele não tinha condição de estudar, então tomava conta desse internato, e ficoulá cinco, seis anos, era um lugar cheio de padres, filósofos, convivendo com essa gente. E voltou carregado de livro, oque era uma coisa absolutamente inusitada na rua. A única casa da rua comlivros era a nossa. Eu então convivi com livro a vida toda. Eu gostava dedesenhar e minha mãe dava muita colher de chá, eu podia desenhar as paredes,onde quisesse, não tinha restrição. E minha mãe me exibia muito, quando chegavavisita, ela me chamava para eles me verem desenhando. Por isso que eu souinsuportável até hoje. [risos]

Eu lembro, na infância, d’ O patinho feio circulando pela casa, mas a coisa principal era O tesouro da juventude. Era uma coleçãode livros encadernados – 12 ou 15 livros – que tinha toda a informação idealpara a criança curiosa. Tinha o resumo de toda a literatura infantil, todos oscontos dos irmãos Grimm, de [Hans Christian] Anderson, Pinóquio. Tinha todas asinformações sobre geografia, história. Nós éramos muito pobres, então o sonhoda minha mãe, ela dizia, era comprar Otesouro da juventude para mim, porque eu era muito curioso. Um dia fomosvisitar uma professora, e ela tinha uma casa boa, tinha livros, e O tesouro da juventude também. Eu pegavaum volume emprestado, ia para casa, depois devolvia, trocava por outro. Entãoeu fiquei muito bem informado sobre o mundo, eu sabia tudo, porque vivia emcima dessa coleção. A leitura acentuoumuito a minha curiosidade pelo mundo. E o que você deve fazer com o seufilho é estimular a curiosidade dele. Quando ele começar a perguntar muito “porquê, por quê, por quê, por quê?” deve responder tudo. E dar a informaçãoadicional, botar livro na mão dele, porque esse menino curioso é que vai fazerparte da tribo que faz o mundo avançar.

  

# A importância dolivro

ZIRALDO. Entãovocê vê o tanto que o livro é importante. A Revolução dos Cravos, em Portugal,foi por causa do livro daquele general [Spínola, vice-chefe do Estado-Maior dasForças Armadas, que escreveu Portugal e ofuturo, onde defendia a necessidade de uma solução política para asrevoltas separatistas nas então colônias portuguesa, e não a saída militar. Elefoi expulso junto com o chefe do Estado-Maior, general Costa Gomes, o queprecipitou a revolução de 25 de abril de 1974]. Hitler escreveu Mein Kampf para poder explicar a filosofia dele. Agora saiu olivro do Obama. Mao Tse-tung escreveu Olivro vermelho. A Bíblia, putz, O capital, quer dizer, o que muda omundo é o livro. 

Em 1500, Gutenberg inventou o tipo móvel, e o livro, queera feito, desenhado pelos frades nos conventos, passou a ser impresso. De certa,forma, ele realizou aquele sonho do Castro Alves, o livro virou o “germe quefaz a palma, a chuva que faz o mar” [do poema “O livro e a América”: Bendito o que semeia/Livros e livros à mão cheia/ O livro, caindo n’alma,/ É germe que faz a palma,É chuva que faz o mar]. Todo mundo podia ter livro. Cem anos depois, o mundotinha, proporcionalmente, muito mais leitores do que tem hoje. Porque hoje, 30%da humanidade que sabe ler, lê. Antigamente, 100% da humanidade que sabia ler,lia. De 1500 para cá, 500 anos só, pelo fato de o livro estar ao alcance detodos, o homem saiu da charrete para a lua. Só por causa das galáxias deGutenberg, só por causa do livro.

Quandovirei autor para criança tomei, naturalmente, conhecimento dessa questão. Entãoo que eu fiz? Saí andando pelo Brasil, transformando a minha razão de viver emvender o livro como um gênero de primeira necessidade. O Brasil não é um paísde história letrada. A nossa história não foi feita por gente que leu eescreveu, como a história inglesa, como a história do mundo antigo. Com essesol infernal, uma estação só – duas, na verdade, chuva e sol, não tem quatroestações – não tem o tempo da reflexão, o inverno, que te fecha em casa paravocê refletir, a gente tem que forçar a barra para o pessoal ler. Muitocongresso, muita iniciativa da livraria. Odeio figura de metáfora, mas se vocêcompra arroz, feijão, macarrão e tudo mais, como gênero de primeira necessidadepara alimentar o corpo, como é que você alimenta a alma? É com o livro, ele é oalimento da alma, ó que frase horrorosa, mas é isso. 

 

# Ziraldo inventor edono de circo

ZIRALDO. Eucresci inventando coisas. Inventava histórias, e tinha um circo no fundo doquintal. Eu era tão aberto para o mundo que o meu circo se chamava Circo NorteAmérica, achava chiquérrimo. E a fera do circo era um gambá cego. E os meninospagavam o ingresso pro circo com pau de fósforo, cinco paus de fósforo. Não se tinhaunidade monetária, uma coisa que você podia dividir era o pau de fósforo.Fiquei rico de pau de fósforo, podia virar um incendiário. E também desenhavadesbragadamente. 

Quando eu cheguei na idade dos 11 anos, comecei a fazerhistória em quadrinhos. Aí comecei a ler gibi adoidado, Mirim, Lobinho, todas as revistas da época. Eu peguei a fase áurea dahistória em quadrinhos, dos heróis. Tinha um chamado Titã, outro chamado Dragone o companheiro dele, Roy, tinha o Zástrás, o Cometa e o Vingador. O Cometa tinha uma roupa maravilhosa e usava óculos,pois o olho dele feria, matava as pessoas. A arma dele era o olhar, quandochegava no bandido ele levanta os óculos e “pááá”, fulminava os caras com oolhar. Era sensacional esse personagem. Aí mataram o Cometa, sofri muito.Depois apareceu o irmão dele, o Vingador, que também tinha máscara e tudo. Meuuniverso era a história em quadrinhos, que era algo proibido de ler, porque,naquela época, achava-se que a história em quadrinhos comprometia a leitura etudo mais. E, além disso, era pecado, para Igreja Católica, ler história emquadrinhos. Então, mais um motivo para ler, quanto mais proibido, maisfascinante era. E meu pai, que era muito católico, sacou isso. Tinha umbarbeiro na minha rua que lia gibi. Então papai comprava o gibi velho dele edava para mim, sem o padre saber. Meus pais me ajudaram muito nessa coisa. 

Então eu fiz milhares de histórias em quadrinhos, até quea gente vai para a escola, começa a ler livros e acontece o Monteiro Lobato. Euli tudo de Monteiro Lobato na infância, tudo. Li Viriato Correia, e um outro escritorchamado Clemente Luz, autor do livro que mais me encantou na infância, O mágico, a história de umamarra-cachorro-de-circo, aquele cara que tira as coisas do picadeiro quando oartista acaba a apresentação. O sonho dele era ser mágico, e ele sonha tanto,tanto, tanto, que um dia ele fez uma mágica mesmo.

 

# A ida para o Rio

ZIRALDO. Bom,aí quando eu virei adulto, vim para o Rio, e trouxe minhas histórias emquadrinhos para vender aqui, mas não tinha quem comprasse, não existia [mercadopara] história em quadrinhos. Fui trabalhar em agência de publicidade. Foi umaprendizado extraordinário, na agência conheci as grandes revistasinternacionais, Punch, New Yorker,Holiday, Graphis. Esse estágio numa agência de publicidade foi a minhauniversidade de design. Aí eu virei um desenhista bastante competente, porqueeu tinha muita facilidade de desenhar. Mas eu queria fazer história emquadrinhos. 

Em 1960, surgiu a oportunidade de eu sair da agência, ondeeu ganhava bem naquela época, para ir para revista O Cruzeiro, e ganhar dez vezes menos. Aí não tinha o que fazer lá,fui ser relações-públicas da revista, mas sempre forçando a barra para poderfazer uma revistinha. O Cruzeiro publicava Luluzinha, Bolinha, Riquinho, até queem 1960 eu fiz a Turma do Pererê. Aívirei desenhista de história em quadrinhos, durante quatro anos e meio eu fiz oPererê. Em abril de 1964, a revistaacabou, no AI-5 [na verdade, foi o Golpe Militar. O AI-5 foi instituído emdezembro de 1968]. Fiquei desamparado e desorientado durante algum tempo. Jáfazia política, cartum político, e comecei a desenhar charge política no Jornal do Brasil. Em 1969, a gente fez O Pasquim, com meus colegas cartunistas[Millôr, Jaguar, Henfil, Redi etc. Mas a redação contava com jornalistas comoPaulo Francis, Ivan Lessa, Fausto Wolff, Sérgio Augusto, entre outros].

 

# O menino maluquinhona Coréia do Sul


ZIRALDO. 
Quandoacabou a ditadura [nos anos 1980], perdi OPasquim, e fiquei sem saber o que ia fazer da minha vida. Aí fiz o MeninoMaluquinho. Ah, fiz o Flicts antes. OFlicts, que está rolando até hoje.Fez 40 anos agora, ganhou uma edição especial, saiu em japonês. Tem O menino maluquinho em coreano, rapaz.Isso aqui é a sobrecapa, rapaz, não é… olha aqui [manuseando a ediçãojaponesa de Flicts]. É um livroinfantil com sobrecapa. Olha o papel da sobrecapa. Olha a capa. Em alto relevo,olha o acabamento da capa, a guarda… A impressão é uma coisa alucinante. Comoobjeto, é o livro mais bonito que eu já vi na minha vida, o Flicts japonês. 

O menino maluquinho emcoreano é em alto relevo também, como no Brasil. O livro igualzinho. Ébonitinho pelo seguinte: todos os livros d’Omenino maluquinho que eu publiquei em outros países eu tenho que adaptarpara a realidade do país, trocar a história do [Pedro Álvares] Cabral etc. Oscoreanos fizeram na íntegra. A moça disse: “Não, é uma obra de arte, não vamosmexer”. “Mas o menino não sabe quem é Pedro Álvares Cabral.” “Não temproblema”, ela me disse. Essas aqui são as duas maiores alegrias da minha vida.

 

# Ser autor paracrianças

ZIRALDO. Euacho que ser autor para criança, do ponto de vista da satisfação pessoal, deconvívio, contato com o seu próximo… Para o escritor adulto que faz um livro,a realização dele é o livro publicado e a respeitabilidade que o livro adquireno meio literário. Ele não escreve para provar que é bom de literatura mesmo,mas é importante que o livro seja amado. Mas não tem essa resposta que o leitorinfantil te dá, o olhar desse leitor infantil. Um menino chegou pra mim e disseassim: “Você que é o autor do Menino maluquinho?” “É.” “Uai, achei que vocêtivesse morrido.” Porque o autor é sujeito que escreveu e morreu, quer dizer, éuma coisa mágica para ele. Quando ele descobre que pode conversar com o autor,ele fica num fascínio que é uma coisa impressionante. Então a resposta é muitoagradável. Por isso que eu topo tudo. Como eu sou muito carente afetivamente,hahahaha. Eu estou em tudo quanto é feira. Eu já viajei esse Brasil todinho.

  

# Uma geração depioneiros

ZIRALDO. Euvenho de uma geração de pioneiros. É difícil ter pioneiros agora. A últimachance foi o pessoal que nasceu perto do século XIX e adentrou o século XX.Porque as transformações foram muito profundas. Eu fiz 18 anos em 1950. Entãoeu passei toda a segunda metade do século adulto. Se eu citasse, em 1950,alguma coisa acontecida há 40 anos, eu chegava a 1910. Ainda não tinha tido a IGuerra Mundial, não tinha televisão. Não tinha rádio! Não tinha linotipo. Se euagora sentar aqui com você e imaginar 40 anos atrás, estava tudo aí. Não estavasó o chip, mas já devia estar chegando. 

Eu ainda escrevo na máquina de escrever, está lá [apontapara a máquina]. Eu não consegui chegar ao computador ainda. Ontem chegou ummenino aqui, com o pai dele, me viu escrevendo na Olivetti, aí disse: “Papai,olha que fantástico! Digita e imprime ao mesmo tempo”. Eu disse: “Você tem quecomprar, meu filho, é o maior avanço da tecnologia. Digita e imprime ao mesmotempo”. Não é essa coisa antiga, que você tem que digitar e depois imprimir. 

A minha geração deu uma virada na imprensa brasileira, nalinguagem, na maneira de fazer entrevista, no approach, entendeu? Antes do Pasquimninguém mencionava outro jornal, falavam “um semanário desta cidade”. O Pasquim teve essa possibilidade de serum jornal pioneiro, um jornal transformador, como, de certa forma, a literatura[infantil] da minha geração, da Ruth [Rocha], da Ana [Maria Machado], do JoelRufino, da Sonia Robatto, do Pedro Bandeira é uma geração transformadora. Tudoisso para dizer, afinal, o seguinte: estudar é muito importante, mas ler é maisimportante do que estudar. Ler é a coisamais importante do mundo.

Queria, primeiro, pedir ao pessoal da Globo parar de dizerque “ler também é um exercício”. Esse é o maior desserviço que se pode prestarà leitura no Brasil. E segundo, a gente deve trabalhar para a escola nãotransformar a leitura em dever nem em obrigação. Não mande seu alunointerpretar texto, porque um livro pode ser interpretado de 1.200 maneiras.Como é que você vai dar nota para o menino? Você vai cercear a imaginação, adúvida, a ânsia dele. Tudo que deve ser cultivado e cuidado no ser humano. Vocêvai engessar o menino. “Não, não, você não entendeu, o protagonista é esse aqui,é a pulga.” “Não, eu acho que é o elefante.” Se o menino acha, você tem querespeitar o que ele acha. E o caminho é esse: não deixar que nenhuma criançacresça sem gostar de ler. Aí você acaba com o analfabetismo no Brasil, nãoprecisa alfabetizar adulto. Não tem que alfabetizar adulto, esse está perdido,completamente perdido. Adulto analfabeto é irrecuperável para a vida letrada.

 

# O papel, o futurodo livro

ZIRALDO. Comesse problema de aquecimento global, o papel vai sofrer restrições. A indústriado papel polui muito. As novas gerações vão perder essa coisa do tato, você meviu passar a mão no livro agora, o cheiro do livro. A gente está muitoacostumado com isso. Mas as enciclopédias, em formato de livro, por exemplo,são só para enfeitar. A Ivone, minha digitadora aqui, me dá uma informaçãoenciclopédica numa velocidade 10 vezes maior do que levaria se levantasse paramanusear a enciclopédia. Agora, onde é que você vai ler o romance? É no livro.A literatura não vai acabar, não há hipótese de a literatura acabar, e osuporte dela é o livro. O livro vai ficar para o resto dos tempos, mas é muitomais prático você ter uma prancheta, apertando os botões e passando a página.

# Futuro

ZIRALDO. Nãome preocupo muito com o futuro, não, mas eu não paro de trabalhar. Estou cheiode coisa para fazer. Agora mesmo, estou fazendo um blog. A internet permitevocê ter o seu jornal, a sua televisão. Aí fui ver como os blogs são, e elesestão muito engessados ainda na forma. Eu quero fazer um blog que não se pareçacom nenhum outro. Porque tudo o que eu fiz na vida não se parecia com nadaantes. Não gosto de repetir o que as pessoas fazem. Estou chegando agora nainternet. Mas o que quero mesmo é a minha máquina de escrever e a minhaprancheta para desenhar. Você viu, minhas tintas estão todas lá. Tem tintas alique têm 40 anos, meus pincéis têm 40 anos. Eu ainda faço tudo no pincel,continuo fazendo exatamente as mesmas coisas que sempre fiz, e nunca com tantaintensidade, nunca tive tanta solicitação. Esse ano, faço 60 anos de janelaprofissional. Comecei em 1949 a publicar minhas coisas, numa revista chamada Sesinho, aqui no Rio. Tem 60 anos que eunão paro de fazer coisas. Então vou continuar fazendo. Agora estou fazendo umacoleção de livros para crianças, que começa com O menino da Lua, depois vem Omenino de Marte, Mercúrio, Vênus, Saturno etc. Um livro para cada planeta.E o menino de Plutão é apenas dois olhinhos. Ele vive na mais absolutaescuridão. Para fazer as histórias, pesquiso tudo sobre os planetas, e o quesignifica o planeta para os nossos conceitos aqui. De onde vêm os nomes, ainfluência astrológica, e tudo o mais.

Eu faço muita cartilha, e disso que eu vivo. Há pouco, naTurquia, em Istambul, teve um encontro sobre como o ser humano vai resolver oproblema da água, que é grave, e eu fiz cinco cartilhas para essa organizaçãoque cuida da água. E agora elas serão traduzidas em espanhol, inglês, alemão,para serem distribuídas pelo mundo inteiro. Com esse tipo de coisa, eu trabalhomuito. Então eu tenho trabalho sem parar, sem parar, sem parar, que é bom,porque você esquece que está velho, hahaha. 


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