Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 22.04.2013 22.04.2013

Zeca Pagodinho lança CD e DVD comemorativo de 30 anos de carreira

Por André Bernardo
 
Zeca Pagodinho encontrou uma maneira diferente de comemorar seus 30 anos de estrada. Em vez de cantar alguns de seus maiores sucessos, como “Brincadeira tem Hora”, “Verdade” e “Deixa a Vida me Levar”, optou por gravar sambistas que influenciaram sua carreira. Até chegar ao repertório de 19 canções, calcula ter ouvido mais de mil.
Longe de reclamar do processo de seleção, brinca que, a cada reunião agendada pelo produtor musical Max Pierre, aproveitava para comer, beber e cantar com os amigos. “A ideia do álbum é mostrar como começou meu amor pelo samba. Foi a partir desses sambas que descobri o que eu queria da vida”, afirma.
Em Vida que Segue, Zeca Pagodinho revisita alguns dos maiores clássicos da MPB. De “Gosto que me Enrosco”, de Sinhô, a “Preciso me Encontrar”, de Candeia; de “Volta por Cima”, de Paulo Vanzolini, a “Trem das Onze”, de Adoniran Barbosa. A única inédita é a que dá título ao álbum.
Aos 45 minutos do segundo tempo, o compositor Serginho Meriti pediu para mostrar uma música nova. Embora não tivesse a intenção de incluir inéditas num álbum de regravações, logo mudou de ideia. “Na mesma hora, convidei a Xuxa para cantarmos a música com as crianças de Xerém”, conta o cantor, que mantém, desde 1999, uma escola de música no município de Xerém, em Duque de Caxias (RJ), onde tem sítio.
 
Capa de Vida Segue
 
Até hoje, Zeca Pagodinho não se esquece da primeira vez em que pisou num palco. Em 1983, foi até a casa de shows Asa Branca, no tradicional bairro da Lapa (RJ), assistir a uma apresentação de sua madrinha artística, Beth Carvalho. A cantora tinha acabado de gravar um samba dele, “Camarão que Dorme a Onde Leva”, no LP Suor no Rosto.
Lá pelas tantas, quando menos esperava, Zeca foi convidado a subir ao palco. Passados 30 anos, ele ainda sente um frio na espinha em dias de espetáculo. “Ainda hoje, fico nervoso. Em estreia, então, nem se fala. É terrível. O curioso é que, quando subo no palco, eu me esqueço de tudo: dor de dente, dor na coluna, tudo fica para trás”, confessa o sambista, que estreia show novo em junho.
 
O álbum Vida que Segue é repleto de clássicos, como “Atire a Primeira Pedra”, “Vem Chegando a Madrugada” e “Quem Parte Leva Saudade”. Que cuidados você tomou na hora de regravá-los?
Zeca. Tive o cuidado de manter os arranjos originais. Não gosto quando ouço uma releitura e não reconheço a música. Quem já conhece esses sambas vai gostar de recordá-los. Quem não conhece vai gostar de conhecê-los.
 
                                                                                                    Crédito/ Guto Costa
Zeca Pagodinho calcula ter ouvido mais de mil sambas até chegar aos 19 que compõem o álbum
 
Algum deles exigiu mais de você como intérprete?
Zeca. Ah, o samba “Mascarada”, com certeza. Por causa dele, tomei até Lexotan… (risos)
Por quê?
Zeca. De muitas dessas músicas, eu só me lembrava do refrão. Não conhecia o resto da música. O medo era errar a letra na hora da gravação. Já imaginou? “Meu Deus, não posso esculhambar essa música…” (risos). Quando viajei para Búzios, fui ouvindo “Mascarada” pelo caminho. Meus filhos, coitados, já não aguentavam mais… Toda a família já sabia cantar a letra. Menos eu! Na hora do show, gravei de primeira.
 
No repertório, você chegou a incluir um samba de sua autoria, “Madame”…
Zeca. Essa foi a maneira que encontrei para homenagear meu parceiro, Ratinho (Alcino Correia Ferreira, autor de “Coração em Desalinho” e “Vai Vadiar”). Infelizmente, ele não morreu muito feliz comigo. Tivemos um desentendimento bobo, que poderia ter sido resolvido. Em homenagem a ele e à família dele, gravei essa música.
 
                                                                                                    Crédito/ Guto Costa
Monarco da Portela, Zeca Pagodinho e Paulinho da Viola recriam "Foi um Rio que Passou em Minha Vida"
A única inédita do álbum é “Vida que Segue”. Por que resolveu incluí-la no projeto?
Zeca. O Serginho Meriti compõe música sob medida para mim. Ele já sabe meu número… A música não tem nada a ver com o projeto, é verdade, mas, quando ele começou a tocá-la, todo mundo parou para ouvir. Dias depois, a Xuxa ouviu e se apaixonou também. “Quer cantar comigo?”, perguntei. “Mas, eu não sei cantar…”, ela disse. “Nem eu…” (risos)
 
O álbum reúne convidados especiais, como Marisa Monte, Paulinho da Viola e Roberto Menescal. Como foi o processo de seleção?
Zeca. O Max sugeriu alguns nomes e eu aceitei todos. No caso do Leandro Sapucahy, fiz o convite a ele no shopping. “E aí, vamos tomar um chope?”, convidei. “Eu não bebo”, respondeu. “Mas eu bebo”, respondi. Gosto das coisas que ele faz. Acho que ele representa bem a juventude. Tem uma garotada boa por aí: o Diogo Nogueira, o Mumuzinho…
 
                                                                                                     Crédito/ Guto Costa
Com a cantora Marisa Monte, Zeca Pagodinho interpretou o samba "Preciso me Encontrar", de Candeia
 
O que você ainda não fez e, se pudesse, gostaria de fazer nos próximos 30 anos?
Zeca. Do que passou, só guardo lembrança boa. Se pudesse, voltaria no tempo e faria tudo igual. Quanto ao que está por vir, costumo deixar a minha vida nas mãos de Deus… Quero continuar fazendo música, cantando samba e tomando cerveja… Quero ver se chego bacana aos 80. Se eu ficar elegante e bonito como o Paulinho da Viola, tá ótimo…
 
Você nunca pensou em compor um samba-enredo para a Portela?
Zeca. Se você quiser, eu canto agora mesmo 100 sambas-enredos de antigamente. Mas você acredita que eu não sei cantar um único samba-enredo sequer do último carnaval? Ninguém mais tem amor pela escola. Lá em casa, o pessoal ou é Portela ou é Império. A minha irmã, não sei por que, diz que é Mangueira. Mas, como ela é a caçula, a gente perdoa… (risos)
 
 
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