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Yuri Queiroga, o multitalentoso músico que se destaca na cena pernambucana

Por Marco Vieira
Na edição 2012 do Festival Rec-Beat, dentro da programação do Carnaval Multicultural da cidade do Recife, o duo Stank (formado pelo DJ Dolores e Yuri Queiroga) foi responsável pelo show de abertura e empolgou as milhares de pessoas que vieram conferir sua primeira apresentação na cidade.
Yuri é multi-instrumentista, integrando diversas bandas. Um álbum produzido por ele, Qual o Assunto que mais lhe interessa? (2007), de Elba Ramalho, chegou a receber um Grammy Latino.
 
Além disso, ele é o guitarrista da banda de Tibério Azul, cujo primeiro álbum de estúdio, Bandarra (2011), rendeu um convite para abrir o show de Los Hermanos no Abril Pro Rock deste ano.
Em entrevista por e-mail para o SaraivaConteúdo, Yuri fala da importância da música em sua vida, do projeto Stank, a parceria com outros artistas, como com o tio Lula Queiroga – que até participa deste bate-papo!
Como se deu sua aproximação com a música, e a partir de que momento ela se tornou uma profissão?
Yuri. Eu acho que já nasci músico. Minha família inteira é de músicos, eu convivo com a música desde sempre, mas considero que se tornou uma profissão desde que comecei a tocar com Ortinho (ex-Querosene Jacaré) por volta de 2003. A partir daí me considero músico profissional. Quando fiz minha primeira turnê internacional, com Silvério Pessoa em 2005, tocando por 7 países da Europa em 3 meses e 10 dias, foi que eu entendi realmente que essa era minha missão de vida e eu não poderia ter escolhido outro caminho.
 
Você costuma ser classificado como multi-instrumentista pela imprensa local. Tem algum instrumento em particular com o qual você tem mais afinidade ou se sinta mais criativo para compor?
Yuri. Todo instrumento que passa na minha frente eu tento tirar algum som, eu vivo música 24 horas por dia, e quando começo a tocar um instrumento, vou tentando botar pra fora tudo que fica tocando na minha cabeça. Os instrumentos que eu acho que tenho mais intimidade e consigo tocar com mais naturalidade são a guitarra e o baixo, mas às vezes consigo compor até batucando numa mesa.
 
Quantos anos de carreira você já tinha quando formou o projeto Stank? Vocês fizeram uma turnê antes de estrear no Rec-Beat. Quais foram os locais e reações de público que te chamaram mais atenção?
Yuri. Considero que minha carreira ainda está no começo. O Stank fez uma turnê no Canadá em 2009, se apresentando em 4 cidades lá. Depois tocamos em São Paulo, Salvador, e este ano (2012) estreamos aqui em Recife, no festival Rec-Beat. Me chamou muita atenção a reação do público no nosso primeiro show no Canadá, em Winnipeg. Tinha jovens muito empolgados que subiam no palco pra dar mosh (se atirar do palco para o público e ser carregado pela galera), foi um batizado massa.
 
Como é que você define a proposta musical do Stank, e como surgiu a parceria com DJ Dolores? 
Yuri. O Stank é onde a gente é livre pra tocar o que vem na cabeça, todos os shows sempre vão ser diferentes uns dos outros, porque é quase tudo improvisado, às vezes até o repertório. A parceria com DJ Dolores surgiu a partir de quando ele me convidou para gravar guitarra e baixo nas duas versões do remix de 'Ode aos Ratos' de Chico Buarque, lançadas pela Biscoito Fino em 2007. Depois disso, gravei com ele outros remixes, até que, em 2008, fui convidado para integrar a banda do DJ Dolores numa turnê pela Europa.
 
O primeiro EP do Stank sai mesmo em abril?
 
Yuri. Está programado pra ser lançado em abril na Inglaterra, pelo selo +1Disco de Londres e vai se chamar Smells Like Recife's Streets. Mas com certeza, na sequência, vamos fazer um lançamento aqui em Recife também, que é a cidade-musa do disco.
 
Você assina uma das composições do novo álbum de Roberta Sá, a música 'Altos e Baixos', junto com Lula Queiroga. Achei bem interessante, pois parece haver um certo clima de ironia entre o arranjo (que é bem delicado) e a letra (bastante crítica). Quais são as ideias que inspiraram essa música?
Yuri. Essa música foi feita para o disco Tem Juízo Mas Não Usa (2009), de Lula. No arranjo original, a gente usou alguns objetos para fazer som, tem um violão que é tocado com uma caneta bic, e o arranjo não é delicado, é até sujo. Mas achei muito bom o arranjo e a interpretação no disco de Roberta, muito bem produzido e muito bem tocado, muita classe.
Sobre a letra, eu pedi pro próprio Lula responder essa : "A letra da música fala sobre a celebrização instantânea. Que chega ao ponto de gerar celebridade pela ausência. A mente das pessoas que vivem sob os holofotes sem ter produzido conteúdo, ou quase nenhum. Quem chegou á fama por uma questão lotérica. Uma brincadeira com o sobe e desce mental das pessoas em geral", conta Lula.
 
Você também é um dos responsáveis pela produção do álbum Qual o Assunto que mais lhe Interessa?, de Elba Ramalho, que chegou a ganhar um Grammy Latino em 2008. Conta como foi a experiência de trabalhar com Elba nesse disco e sobre a recepção desse prêmio.
Yuri. Elba é uma estrela de um brilho tão forte, que sai refletindo em todo mundo que está perto. Eu me sinto muito feliz de ter trabalhado com essa grande artista e ter conhecido essa pessoa tão massa. O disco Qual o Assunto que mais lhe Interessa? tem uma liberdade incrível, cedida por ela própria, para experimentações com música eletrônica, samplers, dub, rock, instrumentos como harpa, clarinete, isso tudo integrado à forte raiz da percussão dos ritmos nordestinos que a acompanhou por toda a carreira, por ser, na minha opinião, a música que corre nas veias dela. Isso tudo aliado à interpretação que ela dá às canções que foram escolhidas a dedo.Sobre o Grammy Latino 2008, eu não pude comparecer à festa, que aconteceu no Texas (EUA), mas soube na hora, por telefone, estava pra entrar no palco de um show com DJ Dolores e recebi uma ligação dizendo que o disco ganhou o Grammy, foi muita festa.
 
Em relação ao universo da produção de álbuns, você pode contar um pouco sobre como encara a função e sobre como enxerga o papel do produtor? Quais são as funções que te caracterizam como produtor?
Yuri. Eu comecei a ter vontade de trabalhar com produção musical depois que conheci o trabalho de Tom Capone, um produtor brilhante, responsável por alguns dos melhores discos já feitos no Brasil. Eu nunca aprendi a fazer isso com ninguém específico. Na época em que comecei, não existia nenhum curso aqui em Recife. Eu sigo aprendendo com cada profissional com quem trabalho, já fazendo. A minha função como produtor vai desde as escolhas das músicas, a estética do trabalho, arranjos… Em muitas vezes, acabo tocando alguma coisa junto também. Dirigir as captações da gravação, editar, mixar e masterizar, isso, faço sempre que possível, em parceria com técnicos profissionais. Eu sou viciado nisso, passo os dias pensando nas músicas, pesquisando e ouvindo muito som. Quando estou no processo de produção de algum disco, chego a passar noites sem dormir fazendo anotações do que eu acho que pode ser melhorado pra, no outro dia, resolver no estúdio.
 
Além do Stank, no que você está trabalhando atualmente?
Yuri. Além do Stank, eu tenho uma banda de surf music instrumental chamada Radistae; toco guitarra nas bandas de China, Lula Queiroga, Tibério Azul, Ylana, e toco baixo na banda do Dj Dolores & Orchestra Santa Massa; participo de gravações para o selo Joinha, do estúdio Das Caverna; e o trabalho que eu considero principal pra mim, que é a produção musical. Atualmente, estou produzindo o segundo disco da banda Fim de Feira e iniciando um trabalho com o Maggo MC.
 
Quais são seus planos a partir de agora?
 
Yuri. Meu plano é sempre esse, me dedicar ao máximo à música. Tenho recebido alguns convites para produzir discos que me deixaram muito honrado, de artistas que eu admiro muito e que vou me empenhar para fazer o melhor que conseguir. Pretendo também voltar a trabalhar com mais frequência em trilhas sonoras, que é um trabalho de que eu gosto muito e ultimamente tenho feito pouco. E estou sempre pelos palcos, com o Stank, o Radistae, ou acompanhando algum artista. O disco do Radistae deve ser lançado este ano também.
 
 
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