Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 24.08.2009 24.08.2009

Woodstock, 40 anos

Por Bruno Dorigatti

Quarenta anos depois, e Woodstock segue tão mitológica comosempre foi, desde que Jimi Hendrix encerrou sua apresentação na manhã desegunda-feira de 18 de agosto de 1969, para apenas 35 mil pessoas. Apenas,porque estima-se que 500 mil pessoas tenham passado pela fazenda situada emBethel, no estado de Nova York, entre 15 e 18 de agosto, para três dias de paze música, como pregava o anúncio oficial. A expectativa girava em torno de 200mil pessoas, mas com o afluxo de milhares de pessoas em peregrinação até olocal, o festival decidiu por não cobrar mais pela entrada. 

Mas o que teria revestido o festival com essa aura quase quesagrada assim que ele terminou? E quarenta anos depois, o que resta deWoodstock? 

A paz e a música realmente dominaram, alguns dos melhoresmúsicos da época por lá passaram, a cultura hippie ganhou um espaço nunca antesconcedido para expor sua filosofia, as drogas, sobretudo maconha e LSD, rolaramsoltas, sem que tivesse havido registros mais graves de violência, confusão,roubos e mortes (apenas duas confirmadas, uma, por overdose, outra, poratropelamento por um trator). E todos se dispersaram pacificamente, depois dostrês dias de muita chuva, lama, psicodelia e rock n’ roll. Desde então, muitosoutros megafestivais surgiram, ainda no embalo de Woodstock nos anos seguintes,e cujo nome remetia ao primeiro local onde seria realizado, mas a populaçãolocal não permitiu, e ele teve que ser transferido para a cidade vizinha.Alguns também conseguiram chamar a atenção, como o realizado na Ilha de Wight, sulda Inglaterra, cuja edição de 1970 (teve duas antes, que reuniram 10 milpessoas, em 1968, e 150 mil, em 1969) levou 600 mil pessoas para lá, onde JimiHendrix tocou pela última vez, 18 dias antes de falecer (assassinado por seu empresário,Michael Jeffery,segundo livro recém-lançado pelo ex-rodie do guitarrista, James Wright). 

Mas Woodstock não teve até hoje nada que chegasse perto,seja pelo seu ineditismo, pelo momento peculiar, pelas apresentações históricasde ícones como Janis Joplin e The Kosmic Blues Band, Joe Cocker, Sly & TheFamily Stone, Grateful Dead, The Who, Santana, Creedence Clearwater Revival,Neil Young, Ravi Shankar, Joan Baez, Jefferson Airplane, The Band, além do jácitado Hendrix, que fechou o festival e mostrou pela primeira vez sua históricaversão do hino norte-americano, “The Star Spangled Banner”, distorcida pela sua guitarra xamânica e recheada de sonsque emulavam bombas, metralhadoras, numa referência ao atoleiro americano noVietnã, guerra que iria durar ainda mais longos seis anos. 

Woodstocktambém demonstrou claramente que nessa geração estava uma massa de consumidoresem potencial, assim com Elvis e os Beatles já havia despertado anos antes opotencial da juventude como um público específico de consumo massificado. Issojá havia sido percebido pelos organizadores, faltava somente ter a dimensãoexata. O festival, porém, tornou-se algo maior, muito maior que apenas umaoportunidade de lucrar em cima de um nicho crescente de consumidores. Eexatamente pelo seu público.

Quarentaanos passados, portanto, e sem festivais como os que aconteceram em 1994 e 1999(este, terminando com violência e confusão), a comemoração e homenagem àqueles diasde 1969 ficam por conta de um museu, discos, filmes e livros, que podemdespertar a saudade e a memória daqueles que, de alguma forma, viveram ouquiseram viver aquele momento. E ainda apresentá-los para a nova geração quehoje lota festivais (nos Estados Unidos e na Europa) e passa alguns dias nalama, dormindo em barracas e curtindo música, muitos sem saber da origem dissotudo. 

Entre as novidades, além do Museude Woodstock, em Bethel, onde ocorreu o festival, uma antologia lançada lá forapela gravadora Rhino, Woodstock 40Years On: Back to Yasgur’s Farm, com seis CDs, as performances completas degente como Sly & The Family Stone, Janis Joplin e Santana, lançados pelaSony na coleção “Woodstock Experience”, livros como The Road to Woodstock, de Michael Lang, um dos organizadores, e Aconteceuem Woodstock (BestSeller), de Elliot Tiber, a pessoaque apresentou os produtores do festival ao dono da fazenda onde ele foirealizado, que serviu de base para o longa-metragem de Ang Lee, Aconteceu em Woodstock, que estreou noúltimo Festival de Cannes. 

Por fim, o material mais precioso lançado porconta da efeméride parece ser a “versão definitiva” de  Woodstock, três dias de paz, amor e música (Warner), que reúne, em quatro DVDS, os shows, a versão do diretor, Michael Wadleigh,entrevistas, músicas que ficaram de fora em versões anteriores e o documentárioWoodstock, onde tudo começou.

Lançamento exclusivo da Saraiva,o filme de 1970 – principal divulgador e responsável pela mitologia que envolvea geração Woodstock – recupera a história daqueles dias e de como eles setornaram possíveis. O mérito de Wadleigh reside também em como ele registrou oevento que entraria para a história, contando com cerca de 20 cinegrafistas,carregando pesadas câmeras de 16 milímetros, que, além de registrar asapresentações de vários locais, no meio da platéia, em cima do palco, de perto,de longe, circulou pela comunidade e pela estrada que levava ao local doevento, em meio ao gigantesco público que acompanhou um dos marcos dacontracultura. Outra novidade para a época foi a edição do documentário – quecontou com um jovem Martin Scorcese, presente nos extras –, que dividiu, pelaprimeira vez, a tela em duas ou três, exibindo simultaneamente, de ângulosvariados, um mesmo momento. Com os acréscimos, o material total chega a quase10 horas e, até hoje, é o mais completo sobre aqueles três dias em que o sonho hippiede paz e música se mostrou possível.

> Woodstock na Saraiva.com.br

> Confira a entrevista com o diretor, Michael Wadleigh


> Veja alguns dos principais nomes do festival 

 

 

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