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Web séries são a nova aposta de quem trabalha com audiovisual no Brasil

Por Andréia Silva
Na foto ao lado, cena da web série #E_VC?
 
Uma história verídica sobre três heróis brasileiros que lutaram na 2ª Guerra Mundial; jovens tentando passar no vestibular – em uma trama que está muito mais para ficção científica; e ainda os questionamentos, anseios e dúvidas que rodam pela cabeça de todo adolescente em relação ao resto do mundo. Essas foram, em poucas palavras, algumas das tramas de web séries nacionais que deram o que falar em 2011. Com qualidade, bons roteiros e um público aberto a novidades, o formato se mostra uma boa alternativa para quem trabalha com audiovisual e aposta no conteúdo transmídia.
 
Um desses exemplos é a web série Heróis, produção dirigida pelo mineiro Guto Aeraphe e lançada na internet em 2011. Inicialmente pensado como um média-metragem, a produção acabou sendo transformada em web série de cinco episódios.
 
“Optamos por isso porque, no Brasil, o média-metragem não funciona muito. Para um curta era pouco e para um longa não tínhamos verba. Fizemos uma pesquisa e percebemos que esse formato seria o mais interessante”, diz Guto. “O caminho é esse. Heróis foi um projeto-piloto em todos os sentidos, e deu certo”, completa. A série chegou a ser indicada ao Marseille Web Fest, festival francês exclusivo para web séries e conteúdos transmídia.
 
Assista ao primeiro episódio de Heróis
 
Outras web séries que chamaram atenção em 2011 fora #E_VC? – esta já na segunda temporada –, 3% e O Demônio Não Sabe Brincar. A segunda, ideia de três estudantes de cinema da USP, Jotagá Crema, Dani Libardi e Daina Giannecchini, fala sobre uma espécie de vestibular para viver em um mundo melhor; enquanto a terceira joga com o terror e o suspense e foi lançada em dezembro de 2011, com criação e direção de Mabel Lopes.
 
Já a primeira foi produzida pelo pessoal da 8KA, talvez uma das produtoras que mais aposte no formato, com realizações contínuas, tendo lançado quatro web séries só em 2011 – Astrolokos, 8 Koisas – uma série divertida que mostra o que não se deve fazer em diferentes ocasiões –, #E_VC? e Armadilha. O foco da produção, segundo Robson Kumode, um dos quatro sócios da produtora, é a web e o público jovem.
 
“Não fazemos megaproduções. Nosso foco é abordar questões do universo desse público, falando de igual para igual e não tratando os jovens de um jeito infantilizado, como acontece muito por aí”, diz Kumode.Foto: Os sócios da 8KA: Camila Castellani, Robson Kumode, Fernando Barbosa e Alana Manzoro
 
O novo filão do mercado?
 
Para Guto, esse formato é sem dúvida uma grande oportunidade para quem trabalha com audiovisual e não depende de grandes emissoras ou estúdios para produzir as séries. No entanto, um dos desafios é justamente criar um modelo de negócios para esse formato.
 
“Pesquisas já mostraram que o público brasileiro, embora consuma muito vídeo na web, não está disposto a pagar por ele, ao contrário do que acontece com músicas e outros serviços. Temos que viabilizar leis de incentivo e viabilizar investidores”, diz Guto.
 
As web séries são uma aposta que se encaixa perfeitamente em tempos onde há telinhas espalhadas por todos os cantos, a um clique da web, e onde unir filmes a games ou outros conteúdos é cada vez mais comum.
 
“O público da internet é mais aberto. Então temos que pensar nessa experiência máxima do público. Além disso, os episódios, que vão de 8 a 10 minutos, no máximo, já são pensados para que a pessoa que está na fila de um banco ou esperando o dentista acesse e assista à série, por exemplo”, diz o diretor mineiro, que destaca ainda a abertura para produções fora do eixo Rio-São Paulo.
 
Um exemplo de até onde pode ir o alcance das web séries é que, em uma semana, Heróis alcançou 150 mil visualizações, o que, se fosse comparado ao público brasileiro nos cinemas, deixaria a série entre os 20 maiores públicos de 2011.

“Não tenho dúvidas de que esse mercado vai crescer, por isso estamos apostando nele”, diz Kumade, para quem o sucesso na web deve-se mais ao um meio, mais livre. “Na internet, a gente não tem uma censura quanto ao conteúdo, e isso que facilita. O segredo é fidelizar o público, estipular uma frequência de publicação”, completa ele, que concorda com Guto quando a questão é a falta de investimento nesse nicho, “por enquanto”.

 
Novidades para 2012
 
Após o sucesso de Heróis, Guto já está preparando uma nova web série: ApocalipZe, inspirada, tanto na história quanto na estética, em séries como The Walking Dead. Trata-se de uma ficção científica envolvendo ataques bioterroristas no Brasil, no ano de 2015. Divididas em cinco episódios, as gravações terminaram em janeiro e em breve estarão na web.
 
“Nós podemos contar essas histórias muito bem, como fazem outros cinemas pelo mundo. Isso não é uma exclusividade dos Estados Unidos”, defende o cineasta, que acredita que o perfil dos web-espectadores favorece, ainda mais, a boa recepção do trabalho. “Um público que se interessa por novidade não tem como ser conservador”, conclui.
 
Já o pessoal da 8Ka vai lançar a nova temporada de 8 Koisas – já em fevereiro – e uma nova série, com o curioso nome de Vida de Veado. Mais uma produção com boas doses de humor, para espantar o terror.
 
 
 
Assista ao primeiro episódio de #E_VC?
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