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Walter Carvalho: histórias e imagens

ATUALIZADO EM 15/10/2014
Por Edu Fernandes
 
O ano de 2014 tem sido generoso com Walter Carvalho. O diretor de fotografia e cineasta foi homenageado no último Festival de Gramado pelo conjunto de sua obra, comemorou o sucesso da direção da minissérie O Rebu (Globo), finalizou o documentário Brincante e tem seu trabalho exibido em retrospectiva em São Paulo.
A mostra “A Luz (Imagem) de Walter Carvalho” acontece de 2 a 15 de outubro no Cine Belas Artes (Rua da Consolação, 2423 – São Paulo). O evento exibirá 32 títulos, entre curtas, longas e programas de televisão. Há produções nas quais Walter atua como diretor e filmes nos quais ele assina a direção de fotografia.
Para completar a programação, no dia 3 de outubro, às 19h, haverá um debate com o homenageado. Para participar da conversa, a entrada é franca. Os ingressos para as sessões custam R$ 10.
Nos preparativos para o evento, Walter Carvalho conversou com o SaraivaConteúdo sobre a versatilidade de sua carreira e seu próximo filme.
 

Walter (centro) no set de filmagem de A Máquina
Como um diretor de fotografia ajuda a contar histórias?
Walter Carvalho. Eu acho que o cinema é um meio efetivamente imagético. Sem demérito ao som, mas você pode ter um filme mudo, que foi como ele nasceu, mas um filme sem imagem é impossível. Sem luz, não há imagem. Sem imagem, não há cinema. Talvez a função mais importante seja transpor os códigos verbais do roteiro para o imagético. Existe uma palavra no roteiro que será transformada em imagem no filme pelo trabalho do diretor de fotografia.
Você tem alguns documentários na carreira. Como é a narrativa nesse gênero?
Walter Carvalho. Vamos pegar como exemplo Raul – O Início, o Fim e o Meio, que é meu último documentário lançado em cinema. É um filme em que eu fui descobrir o universo ao qual ele pertencia pela memória. Fui descascando camadas com amigos de infância de Raul, músicos, produtores, ex-mulheres, familiares… pessoas representativas desse universo. Assim eu descobri o meu Raul, que é a partir da minha imaginação. Esse Raul tem pontos que não abordei, mas eu não parti para resolver a biografia dele. É um recorte que cria um panorama dos momentos mais importantes da vida dele.
 

Cena do filme Cazuza – O Tempo não Para
Qual a diferença dessa experiência com a da cinebiografia Cazuza – O Tempo não Para?
Walter Carvalho. A grande diferença é que a proposta do Cazuza era ficcionalizar um personagem que existiu. Quando eu mostro uma foto ou imagem de arquivo do Raul, é ele mesmo. Mas quando eu mostro Cazuza, é na verdade Daniel de Oliveira. Então há uma liberdade maior, porque você junta e condensa fatos. Ninguém consegue contar a história de uma pessoa em duas horas.
Como foi adaptar o livro Budapeste (Companhia das Letras) para o cinema?
Walter Carvalho. A primeira coisa que me levou a aceitar o desafio foi a dificuldade. Não há clichês na literatura de Chico Buarque. Eu não podia transformar [o livro] em imagem dilacerando essa literatura, mas potencializando-a. Se fácil fosse, provavelmente não teria interesse. Eu mergulhei fundo na questão de como trazer essa literatura para a tela grande.
 
Cena do filme Budapeste
Seu próximo filme é Brincante, no qual volta a trabalhar com Antônio Nóbrega. Fale um pouco sobre isso.
Walter Carvalho. Eu nunca deixei de conviver com o Nóbrega, porque estamos trabalhando nesse filme há quase cinco anos. Eu ainda fiz com ele o DVD de três espetáculos ao longo de dez anos. O filme é uma tentativa de mergulhar em quase 40 anos de uma pesquisa de um universo que parte da cultura popular e tenta chegar até uma contemporaneidade. Eu tenho no filme a música, o teatro e a dança do Nóbrega. Brincante é um filme que não tem violência, explosões ou catástrofes. É um filme que tem arte.
 
Assista ao trailer de Brincante:
 
 
 
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