Ramiro Fajuri por Ramiro Fajuri Outros 04.12.2020 04.12.2020

Walt Disney inventou a cultura pop e o entretenimento como são hoje

Walter Elias Disney nasceu em Chicago Illinois em 5 de dezembro de 1901, e faleceu em Los Angeles, na California, em 15 de dezembro de 1966, vítima de câncer de pulmão.  Ele foi um visionário que revolucionou a arte da animação e o cinema de uma maneira que é possível falar que Walt Disney foi o pai da cultura pop e do entretenimento voltados para toda a família, como os conhecemos hoje.

Mas a Walt Disney Company, empresa que decide os destinos de alguns dos personagens mais amados e respeitados pelos fãs da cultura pop, como os criados pela própria Disney, além dos universos da Pixar, Star Wars, Marvel, e mais recentemente, todo o acervo de direitos adquiridos com a Fox, como Os Simpsons, X-Men, Esqueceram de Mim e muitos outros, não nasceu grande. Ela é o resultado da criatividade e esforço de Walt, que dizia se você pode sonhar, você pode fazer.

Walt antes de Mickey: a infância e a adolescência de Walt Disney

Por incrível que pareça, o homem que se preocupou tanto em criar diversão para toda a família, não teve uma infância das mais felizes na fazenda em que cresceu. Seu pai, Elias Disney, era um homem tão duro e rigoroso com o pequeno Walter que esse chegou a duvidar que fosse mesmo seu filho.

Existem rumores de que Walt Disney na verdade era mesmo adotado, fruto do relacionamento extraconjugal entre a lavadeira da família e um médico. E existem também especulações de que Disney teria lidado com isso em sua obra, como por exemplo, na maneira como a madrasta tratava Cinderela. Mas tudo isso são boatos e especulações, sem provas concretas.

Aos 16 anos começou a estudar Arte, um aprendizado que foi interrompido pela I Guerra Mundial. Tendo seu alistamento voluntário no Exército dos Estados Unidos negado por causa da pouca idade, Walt Disney se juntou à Cruz Vermelha, onde passou um ano na França em guerra, como motorista de ambulância.

Quando voltou da Europa, matriculou-se na Kansas City Art School, e começou a trabalhar em agências de publicidade, fazendo cartazes para filmes. Foi nessa época que, junto ao irmão Roy Disney e ao desenhista Ubi Werks,  Walt criou a produtora Laugh O Gram, conheceu sua futura esposa, Lilian Bounds Disney, e criou seus primeiros personagens: Oswald, o coelho sortudo e Alice, uma menina que interagia com personagens de desenho.

Se já nessa época Walt começou a fazer o que o tornaria mundialmente famoso, versões animadas de contos de fadas, não significa que essa primeira experiência profissional tenha sido um. A distribuidora de filmes JM Winklers, que Disney havia contratado para distribuir suas obras, ao perceber o sucesso que faziam, se aproveitou de que não eram assinadas por ele, e lhe roubou personagens, equipe de criação e os clientes.

Tudo começou com um ratinho…ou recomeçou

Walt Disney não se abalou com a trapaça de Winklers. Junto do irmão e de Ubi Werks, ele superou o contratempo criando um personagem baseado em uma série de círculos: Mickey Mouse! A primeira animação de Mickey, ainda sem som, foi Plane Crazy, lançada em 1927, em que ele contracena com Minnie. Steambot Willie, O Barquinho a Vapor, foi o primeiro filme falado do Mickey, cujas primeiras palavras foram: Hot Dog! Hot Dog!

Depois de Mickey e Minnie vieram os outros personagens clássicos da Disney, como Pluto, Donald, Pateta e seu arqui-inimigo, João Bafo de Onça. De 1929 a 1939 a Disney criou a primeira série de filmes coloridos, Silly Simphonies, que Mickey estrelava ao lado dos outros personagens. Desses desenhos, Flores e Árvores, de 1932, ganhou o Oscar de animação daquele ano. O primeiro do maior vencedor da história do prêmio.

As primeiras animações em longa metragem

Quando Walt Disney se propôs a fazer uma animação em longa-metragem, sua equipe chegou a protestar porque o projeto parecia irrealizável, megalomaníaco. Mas, em 1937 estreou Branca de Neve e os Sete Anões , o primeiro dos clássicos da Disney. Depois vieram uma sequência de clássicos, com Pinóquio (1940), Fantasia (1940) e Bambi (1942), todos um imenso sucesso, até que os Estados Unidos entraram na II Guerra Mundial

Walt Disney vai à guerra…para fazer rir.

Se no conflito anterior Walt Disney era jovem demais para se alistar como soldado, na II Guerra Mundial. ele cumpriu um papel que poucos poderiam fazer como ele. Criar simpatia pelo modo de vida americano e criticar e satirizar fascistas e nazistas. E Para a missão ele mandou um dos seus melhores “soldados”: O Pato Donald!

O famoso pato mal-humorado aparece no engraçadíssimo “Der Fuhrer´s Face”, que em matéria de sátira ao Nazismo, não deixa nada a dever à obra prima de Charles Chaplin, “O Grande Ditador”. Em um pesadelo, Donald vive na Alemanha onde trabalha sob a mira de baionetas e é obrigado a fazer a famigerada saudação nazista a todo momento em que aparece a foto de Hitler.

Mas o mais lembrado no Brasil é Você já foi à Bahia?- “The Three Caballeros”, em que Donald visita México e Brasil ao lado de Panchito e do brasileiríssimo Zé Carioca.

Walt Disney quase faliu

A guerra quase levou Walt Disney à falência, e sua única chance de salvar seu estúdio era um filme que fizesse muito sucesso. E foi isso que ele fez com Cinderela, de 1950, quando ele resolveu também começar a fazer filmes com atores, que hoje chamamos de live action, como A Ilha do Tesouro, de 1950, 20.000 Léguas Submarinas, de 1954 e em 1964 Mary Poppins que misturava atores reais com animações.

Disneyland e Disneyworld

Em 1955 Walt Disney lançou um de seus projetos mais ambiciosos, a Disneyland, em Anaheim, California, o primeiro parque temático construído, em que todos os brinquedos e atrações faziam referência aos personagens dos filmes e desenhos da Disney.

Falecendo em 1966, Walt Disney não chegou a ver a inauguração, em 1971, do Disney World, em Orlando, Flórida, o imenso complexo de parques e hotéis que conta com o Magic Kingdon, Epcot Center, Animal Kingdon e Hollywood Studios.

Porque Walt Disney foi um gênio

Walt Disney foi um pioneiro na utilização do que havia de mais avançado tecnologicamente em sua época, como os filmes com som e coloridos. E mais do que isso, ele entendeu que o seu público eram famílias. Por isso, as histórias originais em que ele se baseou, que eram sombrias e violentas, foram suavizadas para atender ao gosto de pessoas de todas as idades. E essa filosofia de trabalho permanece até os dias de hoje, décadas após sua morte.

Também não é exagero dizer que, se Walt Disney não inventou o cinema de entretenimento, ele conseguiu leva-lo à perfeição já a partir de Branca de Neve, com filmes que têm histórias e ritmos narrativos que nunca perdem o vigor e a capacidade de entreter o público, mesmo com todo o avanço tecnológico pelo qual o cinema passou desde 1937.

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