Ramiro Fajuri por Ramiro Fajuri Games 06.07.2020 06.07.2020

Vídeo games se tornaram ferramentas para lidar com o isolamento social durante a pandemia

video games isolamento social

Em tempos de isolamento social para lidar com a pandemia do novo coronavírus, os vídeo games , que já foram vistos unicamente como uma forma de lazer que isolava as pessoas do convívio social, começaram a ser valorizados justamente pelo motivo oposto, o de unir quem estava separado. Quem não podia mais encontrar amigos e parentes presencialmente, encontrou nos games uma forma de se relacionar à distância.

Em alguns lugares do Brasil, as medidas de isolamento social estão sendo aos poucos relaxadas, mas isso não significa que as aglomerações estão permitidas e que tão cedo teremos festas e eventos em que se possa ir como íamos antes. Dentro do novo normal, as pessoas ainda devem manter o distanciamento social, o que significa que os games chegaram para ficar como uma forma de diversão e interação social.

Para tirar dúvidas que tanto os gamers mais antigos, como as pessoas de todas as idades, que descobriram essa forma de diversão, e interação, mas têm dúvidas como quanto tempo alguém deve jogar, e outras do tipo, o Blog Saraiva conversou com uma especialista nesse assunto , a Dra. Triana Portal, membro da Sociedade Brasileira de Psicologia e pós-graduada em Psicologia Clínica pela USP.

Blog Saraiva – Existe Alguma contraindicação em relação ao tempo que se pode jogar?

Dra. Triana – A contraindicação é em relação ao excesso de tempo de exposição a telas, principalmente se de forma ininterrupta, sem respeitar rotinas e horários de sono, refeições, etc.

Passar muito tempo em uma mesma atividade pode causar malefícios diversos ao corpo e mente. Um dos problemas que o uso excessivo de games provoca é o isolamento social, mas em tempos de pandemia, notamos que jogar passou a ser uma boa forma de distração, lazer, de aproximar pessoas e mantê-las em contato, através de jogos interativos ou mesmo jogando com a família, podendo ser um momento de conexão pai e filho, por exemplo.

Normalmente indicamos que se faça intervalos para ‘oxigenar’, ‘ventilar’ o cérebro, dar uma pausa e direcionar a atenção para outra coisa, mesmo que seja um curto período de tempo. Essas paradas também devem ser feitas para as refeições, uma atividade de cada vez, com atenção plena, evitando sobrecarga mental, que culmina em estresse e ansiedade.

Blog SaraivaExiste algum tipo de jogo que seja mais ou menos indicado para um período tão longo dentro de casa?

Dra. Triana – Para as pessoas ansiosas que estejam se percebendo mais agitadas, com alterações no sono, maior irritabilidade, medo e agitação, o ideal é evitar jogos muito violentos e competitivos.

Blog Saraiva –  Alguma coisa que gostaria de acrescentar?

Dra. Triana – Durante a quarentena e isolamento, os jogos, principalmente os interativos se mostraram uma ferramenta de conexão social ajudando a mitigar sentimentos de solidão, monotonia, medo e estresse. Por isso, passaram a ser até indicados para ajudar a manter saúde mental, um suporte para o equilíbrio emocional.

Jogar é uma atividade prazerosa e em um momento de crise, é melhor afrouxar as regras permitindo-se algo reconfortante, do que privar-se e dar vazão a ansiedade, por exemplo.

Vale, no entanto, estar atento aos excessos. Se a pessoa não sai da frente da tela, passa o dia com a mesma roupa, faz as refeições jogando, ou nem faz, troca o dia pela noite, aí é necessário intervir.

O equilíbrio é o segredo para tudo. E nesse caso não é diferente, se o momento de interação com a família, rotina de estudos, trabalho, higiene pessoal, estão mantidos, passar mais tempo jogando vídeo game não tem nada de errado e pode ser até saudável!

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