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Verdades inventadas

Por Ramon Mello
Foto de Tomás Rangel
A professora e crítica literária Beatriz Resende fez a abertura da mesa Verdades Inventadas, composta por Arnaldo Bloch, Sérgio Rodrigues e Tatiana Salem Levy, fazendo uma provocação aos jornalistas. “”Esses autores nos fazem pensar sobre a não obrigatoriedade do diploma de jornalista. Se o diploma não ajuda, eles provam que também não atrapalha””, disse ela, referindo-se aos livros Irmãos Karamabloch (Companhia das Letras), Elza, a garota (Nova Fronteira) e A chave de casa (Record), dos respectivos autores.
Cada autor fez uma leitura de um trecho dos livros enquanto a platéia acompanhava com uma pequena publicação avulsa distribuída pelas editoras. Antes de iniciar a leitura do livro que reúne ficção, memória e história sobre o clã da família Bloch, Arnaldo mostrou uma página do livro com a foto dele, aos cinco anos, na capa da revista Manchete, publicação editada pela empresa da família.

Beatriz, Arnaldo, Tatiana e Sérgio

Tatiana convidou Arnaldo para ler as falas da mãe da protagonista do seu romance. Após a leitura, Arnaldo interrompeu a fala da Tatiana, que, brincando, reclamou com o escritor. Arnaldo se defendeu: “”Surperproteção da mãe às vezes atrapalha.””
Sérgio Rodrigues falou sobre a experiência de escrever um livro sob encomenda num curto prazo. E ainda leu um fragmento do capítulo 5 do livro que narra a história da menina Elza, brutalmente assassinada nos anos 193o, no contexto dos conturbados anos que precederam a ditadura do Estado Novo, de Getulio Vargas. “”Acredito que essa tensão, essa urgência do prazo de entrega do livro foi para minha escrita””. [Leia a entrevista com o escritor aqui]
Um dos momentos mais emocionantes do debate foi quando Tatiana Salem Levy confidenciou um sonho da noite anterior, hospedada na pousada dos autores. “”Sonhei que alguém da platéia me perguntava se o meu romance era autobiográfico. E eu respondi: ‘Não!’ E respondiam: ‘Pior pra você. Seria muito melhor se fosse verdade.'”” 
E completou falando sobre o processo de criação: “”Procuro a verdade literária e não a verdade dos fatos. Toda a minha questão é trabalhar a linguagem, a palavra””.
Para finalizar Sérgio Rodrigues reforçou a fala de Tatiana com uma “”notícia”” para o público. “”A verdade, na realidade, não existe.””
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