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Verdadeiras e inusitadas: histórias reais nas telas do cinema

Por Edu Fernandes
 
O desafio de todo roteirista, escritor ou dramaturgo de ficção é criar uma verdade que pareça mais concreta do que a realidade. Mesmo assim, de tempos em tempos surgem filmes com histórias que parecem não se encaixar nessa regra. Suas tramas só são aceitas porque seus roteiros contam casos reais – absurdos, mas reais.
 
Argo é o mais novo exemplo desse tipo de narrativa. A produção conta como Hollywood ajudou a CIA a tirar um grupo de diplomatas de dentro do território iraniano em 1980, exatamente quando o país estava sob o regime de revolução.
 
A façanha foi narrada no artigo “The Great Escape” (“A Grande Fuga”, em tradução literal) da revista Wired, publicado em 2007. Agora ela é levada às telas por Ben Affleck, que, como em Atração Perigosa (2010), atua e dirige o filme. Argo estreia no Brasil em 9 de novembro.
 
Affleck é Tony Mendez, funcionário da CIA responsável pela repatriação de seis diplomatas no Irã. Ele recebe a ajuda do maquiador John Chambers (John Goodman, de Tão Forte e Tão Perto) e do cineasta Lester Siegel (Alan Arkin, de Eu Queria Ter a Sua Vida) na criação de todo o aparato para convencer as autoridades iranianas de que os diplomatas são na verdade uma equipe de produção de Hollywood. Na farsa, eles estão no Oriente em busca de locações para um filme de ficção científica nos moldes de Star Wars e Planeta dos Macacos.
 
A cooperação entre Hollywood e CIA é tão difícil de acreditar quanto as peripécias de Steven Russell (Jim Carrey, de Os Pinguins do Papai) em O Golpista do Ano (2009). O longa conta a história real do farsante que conseguiu escapar pela porta de frente de um presídio.
 
A produção mostra como Steven começou com pequenos golpes em instituições financeiras para manter seu estilo de vida. Conforme ganhou experiência e confiança, ele tentou fraudes mais elaboradas e lucrativas. Agora o objetivo é agradar a Phillip Morris (Ewan McGregor, de Amor Impossível), o amante que o protagonista conheceu em uma de suas estadias na cadeia.
 
O que impressiona é que a mais poderosa arma de Steven é sua inteligência. Ele não escapa por dutos de ventilação ou escavando túneis. As mentiras elaboradas é que garantem suas fugas.
 
Cena do filme O Golpista do Ano
Cena do filme Quebrando a Banca
Outro golpe difícil de crer é o narrado em Quebrando a Banca (2008). O filme mostra um estudante de Matemática (Jim Sturgess, de Um Dia) que é convidado por um professor (Kevin Spacey, de Quero Matar Meu Chefe) a participar de uma “atividade extracurricular”.
 
O mestre reúne os alunos mais brilhantes e, juntos, vão a Vegas para usar todo o conhecimento e se dar bem nas mesas de 21. Não demora muito para que o bando chame a atenção do chefe de segurança (Laurence Fishburne, de Contágio) do cassino, que não gosta nada da situação.
 
A façanha dos estudantes aconteceu de verdade e é contada com detalhes no livro Quebrando a Banca – Como Seis Estudantes Ganharam Milhões em Las Vegas, de Ben Mezrich.
 
O mundo dos esportes oferece aos roteiristas enredos surpreendentes. Talvez um dos mais impressionantes seja o narrado em Jamaica Abaixo de Zero (1993). O longa narra a jornada de um grupo de atletas da ensolarada Jamaica que conseguiu competir nas Olimpíadas de Inverno.
 
Cena do filme Jamaica Abaixo de Zero
 
O técnico da equipe de bobsled (trenó para quatro atletas) foi vivido por John Candy (Mamãe não Quer que Eu Case), o que garante que a história de superação seja levada para as telas com boa dose de humor.
 
BEN AFFLECK E O SUCESSO ATRÁS DAS CÂMERAS
 
Além de sua trama bizarra, Argo traz a consagração de Ben Affleck como um forte nome atrás das câmeras. Esse é o terceiro longa dirigido pelo galã. Sua estreia aconteceu em Medo da Verdade (2007), pelo qual já foi premiado em alguns festivais. Seu segundo longa foi Atração Perigosa, igualmente elogiado.
 
Ben Affleck testa lentes no set de Argo
Não chega a ser uma surpresa que Affleck se dê bem nessa função. Vale lembrar que o único Oscar de sua carreira foi pelo roteiro de Gênio Indomável (1997), que ele escreveu com o amigo Matt Damon (Invictus). Como ator, nunca foi indicado à estatueta dourada.
 
Ainda não há projetos futuros para o diretor, mas a recepção positiva de todos os seus trabalhos não deixa dúvidas de que ele seguirá nessa carreira.
 
Veja o trailer de Argo:
 
 
 
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