Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 23.07.2012 23.07.2012

Vai viajar sozinho? Leve um guia de viagem com você

Por Carolina Cunha
Quando o designer Rafael Gushiken desembarcou sozinho em Berlim, ele traçou um roteiro que incluía vários centros culturais. Entre eles, uma visita a um museu inteiramente dedicado à banda de rock Ramones.
A inusitada dica foi encontrada num guia de bolso da Lonely Planet, livro que pautou seus passeios a pé na capital alemã. “Livros sobre o lugar onde você pretende visitar são sempre recomendáveis. Mas os guias de viagem são práticos e você pode carregá-los na mochila para consultas”, conta Rafael.
O paulistano também aproveitou o Guia Visual da Folha de S.Paulo-Alemanha, que trazia infográficos com interiores de museus e um mapa para destacar e guardar. 
Além do espírito aventureiro, a melhor companhia para quem viaja sozinho são os guias de viagens. Neles, o viajante independente que busca desbravar o mundo sempre pode encontrar dicas preciosas e atrações pinceladas por observadores experientes.
Hotéis, restaurantes, meios de transporte, documentos, segurança, história e cultura local. Antes de partir, o ideal é que o viajante defina o objetivo da viagem e busque nos guias as primeiras referências para montar o seu próprio roteiro. Assim, perde menos tempo em achar a informação certa para uma aventura descomplicada.
Mochileiro que se preze sabe o jeito certo de viajar bem gastando pouco. No ano passado, a coordenadora pedagógica Ana Claudia Araújo, 24 anos, cruzou a América do Sul com sua mochila. Seu objetivo era fazer uma viagem barata que incluía paradas em picos nevados e vilarejos da Bolívia, Argentina e Chile.
Antes de cair sozinha na estrada, ela comprou o Guia Criativo para O Viajante Independente na América do Sul.  Com ele em mãos, consultou mapas e albergues e até mudou seus planos, como optar por fazer uma viagem de 17 horas entre o Chile e Argentina apenas para aproveitar as paisagens que o autor indicava, ou ainda, conhecer um curioso restaurante cubano em La Paz.
 
“Este guia traz uma visão de mochileiro, trazendo o custo benefício de cada lugar e até toques para tours que não valem a pena. O que mais gostei é que ele escapa dos pontos turísticos habituais, propondo passeios diferentes do que as agências oferecem. O autor também mostra como negociar valores e descontos em cada país”, conta Ana Cláudia.
 
Os guias mais adorados pelos mochileiros parecem ser os livrinhos da editora Lonely Planet, que aposta em destinos sem mordomias e dicas menos convencionais.
 
A marca australiana tornou-se o guia turístico mais vendido no mundo, oferecendo 500 títulos em várias línguas.
O jornalista Luciano Vellada, 35 anos, já atravessou de norte ao sul do planeta com um mochilão nas costas e hoje escreve sobre viagens. 
Credito foto: Elior Thor Magnusson LatinStock
 
Seus relatos mais marcantes incluem caminhadas na trilha inca para Machu Picchu, o solstício de verão nas milenares pedras de Stonehenge, acampamento no deserto do Sahara e um safári na África do Sul.
Na bagagem profissional, o gaúcho já foi editor da versão brasileira da revista Lonely Planet e colaborou em edições da série Guias Criativos para O Viajante Independente, que se de destaca por mostra o ponto de vista do turista brasileiro.
Não por acaso, ele cita as duas publicações como suas favoritas. “Ambos são conduzidos de maneira séria, pesquisados por viajantes-autores que realmente vão ao local e há um grande cuidado com o trato da informação”.
Informações atualizadas, precisas e surpreendentes. Tudo isso influencia a qualidade de um guia de viagem. Porém, para Luciano, o principal segredo é o livro ser escrito por quem realmente esteve no local e sentiu na pele todas as situações propostas. “Parece óbvio, mas infelizmente a popularização dos guias de viagem no Brasil fez com que alguns deles que hoje estão no mercado sejam produzidos de modo pouco ético, com muita pesquisa de internet e pouca viagem”.
 
Além da experiência in loco, o que não pode faltar, segundo Luciano, é o olhar crítico para iluminar qualquer realidade. “Um bom guia tem que ser imparcial e independente, mas não deve ter medo de dar sua opinião. Seja sobre determinada atração, se vale a pena conhecer, se tal hotel é confortável ou se o restaurante metido a chique é mesmo bom ou é só nome”, diz o jornalista.
 
Viagens solitárias não são apenas escolhas de jovens turistas ou homens aventureiros. Aos 50 e poucos anos de idade, no melhor espírito “mochileira chic”, a jornalista mineira Gisele Nogueira já conheceu lugares tão diversos como Europa, Cuba e Panamá, mantendo a tradição de viajar todos os anos para Paris, sempre em busca de um novo olhar sob a cidade francesa.
 
“Um livro muito bom para quem quer aprofundar seus conhecimentos sobre Paris, sobretudo a história da cidade, é Próxima Estação, Paris, de Lorànt Deutsch. Ele escreve a partir das estações do metrô”, conta a jornalista.
De tanto viajar em sua própria companhia, Gisele criou o blog 'Mulher que Viaja Sozinha' para compartilhar suas observações com amigas e outras internautas.  No site, ela compartilha os 11 mandamentos para uma estreante, desde como arrumar a bagagem de um jeito inteligente a dicas de segurança sob medida para o sexo feminino. “É fundamental ter confiança e si mesma, ser criativa para enfrentar os problemas, tentar conhecer outras mulheres na mesma situação”, acredita.
Dicas como essas também podem ser encontradas em livros voltados exclusivamente para as mulheres, como o Sozinha Mundo Afora, de Mari Campos, que traz sugestões para todas as idades e revela como elas podem lidar com imprevistos com tranquilidade e bom humor.
 
Outra dica de Gisele é levar um livro como companheiro de viagem, como a obra De Malas Prontas, da escritora Danuza Leão, que traz crônicas sobre sua passagem por diferentes cidades, com pistas sobre lugares descolados. "São Paulo na Semana Santa é o paraíso", escreve ela.
Romances gerados em viagens também podem render bons roteiros. “Ler Os Maias, ou qualquer outro livro de Eça de Queiroz, em Portugal; Paris é uma Festa, de Ernest Hemingway, em Paris; Cecília Valdéz, de Cirilo Villaverde, em Havana, é muito bom! É como se você estivesse dentro da história”, diz Gisele.
Na companhia de bons guias, é fácil se planejar e desmistificar a ideia de que um mochilão é desorganizado e perdido.
“Ser um viajante independente está longe de ser um viajante perdido ou mal preparado. Muito pelo contrário. O sucesso da viagem dependerá muito de todos os aspectos da preparação da viagem, antes e durante a jornada. No entanto, muitas vezes, são justamente os imprevistos que darão à viagem um toque especial”, diz Vellada.

 

 
Alguns guias e livros para começar sua próxima viagem: 
Guias Criativos para O Viajante Independente
A série de guias brasileiros criados pelo viajante Zizo Arnis conta com roteiros para Europa, América do Sul, Argentina, Chile, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Guia Visual Folha de São Paulo
O forte desta coleção são os recursos gráficos com ilustrações, mapas, linha do tempo da história e até imagens em 3D, que ajudam o viajante a ter uma visão rápida e objetiva de diversas cidades.
Frommers Europa
Para os viajantes que buscam opções mais sofisticadas, a versão nacional do guia traz mais de mil páginas com informações das principais cidades do velho continente, com mapas de metrôs e roteiros rápidos.
Rough Guide Directions
A série inglesa traz dicas das cidades mais procuradas no mundo, com endereços e mapas. Oferece ainda um pequeno guia de conversação com palavras e frases úteis no idioma local.
De Malas Prontas
Livro de Danuza Leão sobre aquela que é considerada uma arte por muitos: arrumar a mala. E para todo mochileiro que se preze, esse é um item básico…
Minha Nova York
A apresentadora Didi Wagner conta um pouco do que aprendeu com seus rolês em Nova York, cidade que pode ser careira para uns, e uma super aventura para outros. Ela dá dicas das melhores liquidações e mostra que há vida fora de Manhattan, com boas dicas de lugares para conhecer em alguns dos bairros mais famosos da cidade.
 
 
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