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Underworld, uma fábrica de histórias fantásticas

Por Maria Fernanda Moraes
 
Num post publicado no início do ano, Fabiana Andrade, editora-chefe da Editora Underworld, agradecia pela experiência acumulada no ano anterior e olhava ansiosamente para 2012, com uma expectativa que se assemelhava a ares juvenis, tamanho o anseio em continuar trabalhando com (e apostando no) público com o qual a editora se reconhece e se identifica: o jovem-adulto.
 
Hoje, quase um ano depois da publicação feita no blog da Editora, Fabiana diz que o empenho valeu a pena. A meta de publicar 18 livros em 2012 (divulgada naquele post) já está quase batida. “Neste ano, a novidade foi o foco nos autores nacionais. Tivemos dois livros lançados no Fantasticon 2012 (Protetores e Duncan Garibaldi e a Ordem dos Bandeirantes) e ainda temos previsão de mais três até o final do ano. Mas não nos esquecemos dos autores internacionais. Estamos dando continuidade às séries já publicadas”.
 
Como uma fábrica de histórias fantásticas, a Underworld, criada em 2009 por Fabiana de Andrade e pelos sócios italianos Vincenzo Santangelo e Franca Manzoni, aposta não somente nesse mundo fantástico-literário, mas também abre espaço para escritores nacionais que estão começando agora, além de trazer para o Brasil títulos estrangeiros ainda inéditos por aqui. “A ideia da editora surgiu depois de chegar da Itália e ver que a maioria dos livros já lançados por lá ainda não tinham previsão de lançamento no Brasil. Percebemos o enorme potencial naquele momento. Além disso, notamos naquela época (2009) uma lacuna em relação ao público juvenil, já que grande parte dos títulos publicados no Brasil era voltado para o público adulto apenas”, contou Fabiana.
 
O blog continua sendo um canal de comunicação direta da editora com seu público. É a própria Fabiana quem alimenta os posts, que trazem notícias e curiosidades sobre os próximos lançamentos e a repercussão deles entre os leitores. Edilza Pinheiro, assistente editorial, contou um pouco sobre o envolvimento da Underworld nas redes sociais. “A Fabiana, nossa editora-chefe, gosta muito de ter o contato com o público; por isso, além do blog, ela toma conta do nosso Twitter. Eu atualizo o Facebook e todas as páginas de nossos livros. Temos também canal no Youtube, Tumblr, estamos sempre buscando um contato direto com o leitor”, explicou.
 
Além dos editores que trabalham na busca e negociação de novos títulos, a Underworld conta com profissionais que fazem a análise dos originais – tanto estrangeiros quanto brasileiros –, além da equipe de tradutores, revisores e diagramadores, que movimentam todo o processo de publicação. Entre colaboradores internos e externos, a editora conta hoje com cerca de 20 funcionários.
 
                                                                                                                                          Crédito/ Divulgação
Capa de 'Ser Clara'
Capa de 'Sob a Luz dos Seus Olhos'
 
Ao apostar na literatura fantástica, a Underworld investiu também numa nova safra de autores do gênero que vem ganhando cada dia mais leitores no Brasil e em todo o mundo. “Mais do que literatura fantástica, nossos livros se encaixam na chamada literatura Young-Adult (para Jovens-Adultos), e nessa gama podemos acrescentar tantos outros estilos, como o romance, Chick-lit, livros de aventura… Além disso, criamos o Selo Cult, que disponibilizará apenas clássicos da Literatura, como Alice no País das Maravilhas, O Mágico de Oz, A Volta Ao Mundo em 80 Dias, Pinóquio e tantos outros”, explicou Edilza.
 
CHICK LIT E STEAMPUNK
 
Com aproximadamente 30 autores no catálogo (entre nacionais e estrangeiros), Edilza ressaltou que a editora tem como lema manter sempre um diálogo franco com os escritores. “Nossa proposta é a de publicação assumindo todos os riscos da produção do livro em si, o que significa que não cobramos de nossos autores. Além dos autores nacionais, recebemos também dezenas de manuscritos internacionais através de agentes literários. O nosso catálogo inclui livros de escritores italianos, alemães, americanos, ingleses, etc”.
 
Entre os mais populares, estão os estrangeiros Simone Elkeles, Julie Kagawa, Lauren DeStefano e os brasileiros Christine M, Janaina Rico, Duda Falcão e A. Z. Cordenonsi.
 
Ser Clara, a primeira obra do estilo Chick lit publicada pela editora, agradou aos fãs e deixou a autora, Janaina Rico, muito satisfeita. “Conheci a Editora Underworld pela internet e já gostava muito do trabalho deles, principalmente por conta da qualidade das capas e da diagramação. A própria editora que me convidou para publicar o Ser Clara, o que foi uma surpresa muito agradável. Fazer parte da Underworld me enche de orgulho. Toda a equipe é muito unida, e trabalhamos juntos para mantê-la como a editora mais fofinha do Brasil”.
 
Com um número crescente de fãs, o Chick lit faz parte da escrita ficcional feminina e costuma falar sobre questões das mulheres modernas, com pitadas de humor e sexo. São romances leves, divertidos e charmosos. 
 
Além desse gênero, outra aposta da Underworld é o Steampunk, um subgênero da ficção científica. O primeiro livro com essa temática foi lançado este ano pela editora. Trata-se de Boneshaker, o primeiro dos quatro volumes da série The Clockwork Century, da autora Cherie Priest. Segundo Fabiana, está também em produção a primeira coletânea do gênero. Os escritores internacionais que terão seus contos na publicação são Selena Jo Chambers (coautora de A Bíblia Steampunk, que fará o prefácio exclusivo), Jeff VanderMeer (também autor de A Bíblia Steampunk) e o israelense Lavie Tidhar. Entre os nacionais, estão Fábio Fernandes e Jacques Barcia, Romeu Martins e Luiz Brás (pseudônimo de Nelson de Oliveira). Nazarethe Fonseca, autora da saga Alma e Sangue completa o time da coletânea.
 
Outra boa notícia para os fãs do gênero é a tradução do livro A Bíblia Steampunk, muito conhecido lá fora, que também será lançado em breve. O Steampunk inclui obras ambientadas no passado ou num universo semelhante a uma época anterior da História humana, no qual os paradigmas tecnológicos modernos ocorreram mais cedo do que na História real, mas foram obtidos por meio da ciência já disponível naquela época – como, por exemplo, aviões movidos a vapor.

 
BIENAL DO LIVRO E FANTASTICON
 
A primeira participação numa Bienal do Livro a gente nunca esquece, já dizia o dito popular. E para a Underworld, foi realmente assim. A estreia aconteceu na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, no ano passado, e a editora conseguiu trazer para o evento uma de suas autoras internacionais: a norte-americana Rachel Caine, criadora da série Os Vampiros de Morganville. O próximo evento desse tipo do qual a editora participa é a Bienal Internacional do Livro do Ceará, que acontecerá em novembro.
 
                                                                                                                                          Crédito/ Divulgação
'Coletanea Steampunk'
Capa de 'Protetores'
 
A Underworld também marca presença no Fantasticon, um simpósio de literatura fantástica que acontece anualmente na capital paulista, considerado um dos eventos nacionais mais importantes da área. Foi lá que Duda Falcão, autor de Protetores, conheceu a editora e se encorajou a submeter seu original à avaliação. “A Fabi, a editora da Underworld, estava participando de um bate-papo sobre o processo editorial e seleção de originais no evento em 2011. Lembro como se fosse hoje, quando ela deu as dicas de como enviar um original para a editora. Então, revisei mais uma vez meu romance e enviei. Acho que ela me respondeu meia hora depois, já demonstrando interesse no material. Nos dias que se passaram, continuamos trocando e-mail, conversamos sobre personagens, possibilidade de publicar uma série, fazer novos capítulos. Foi bem legal, percebi que a editora estava mesmo disposta a investir no meu trabalho. Um ano depois, o livro foi publicado no Fantasticon de 2012”.
 
Duda ainda contou ao SaraivaConteúdo sobre sua relação com a Underworld. “Além do projeto gráfico fantástico, que no caso de Protetores consegue representar um livro que transita entre a aventura e o horror, os outros colegas autores são escritores de qualidade, o que faz da editora uma empresa que preza pelo bom nível de suas publicações. E o tratamento dado pela Fabi ao escritor é exemplar, ou seja, de respeito ao escritor e à sua obra”.

 
CANAL ABERTO
 
André Cordenonsi, autor de Duncan Garibaldi e a Ordem dos Bandeirantes, também compartilha do mesmo entusiasmo de Duda Falcão. Ele contou que conheceu a editora num passeio por uma livraria, quando se encantou pela capa de um livro e resolveu comprá-lo. Já em casa, foi pesquisar sobre a tal editora. “Imediatamente, me chamou a atenção a qualidade dos livros lançados e a oportunidade que a editora abria para escritores iniciantes. Na época, o projeto que eu tinha da saga Duncan Garibaldi ainda estava nos primeiros capítulos. Quando finalizei o romance e resolvi enviá-lo para as editoras, a Underworld foi a primeira da lista”.
 
Desde a assinatura do contrato até hoje, o escritor revelou que mantém um canal de comunicação muito produtivo com a e a editora-chefe, Fabiana. O diálogo aberto contribuiu também com o processo de produção de Duncan Garibaldi. “Citando as próprias palavras da Fabiana, o processo de edição é quase como um casamento: é preciso uma verdadeira união entre o autor e a editora para que as coisas funcionem. O que eu sinto, ao trabalhar com a Underworld, é que eu pertenço a uma segunda família, onde compartilhamos angústias, vitórias, insucessos, medos e expectativas. E essa família foi ampliada pelos meus colegas de editora. Sem exceção, todos sempre se mostraram solícitos e bastante participativos”, revelou André.
 
NOVIDADES
 
A editora começará a trabalhar com o formato e-book em 2013. O título de estreia será Meus Melhores Rascunhos, da escritora paulista Christine M.
 
E se você se interessou pelos temas da Underworld, anote aí os próximos lançamentos: 13 Pequenos Envelopes Azuis, de Maureen Johnson; A Rainha do Ferro, de Julie Kagawa; A Bíblia Steampunk; 10 Canções de Amor, de Paulo F; O Que Não Diz A Lenda, terceiro romance de Christine M.; e a primeira coletânea Steampunk que reúne escritores nacionais e estrangeiros: Underworld of Steampunk.
 
Assista ao book trailer de O Que Não Diz a Lenda:
 
 
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