Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 26.02.2014 26.02.2014

Uma década depois da estreia: Keane e Black Alien

Por Andréia Martins
 
O início dos anos 2000 marcou o lançamento dos primeiros discos de diversas bandas da cena alternativa e independente do pop e rock internacional. O ano de 2004 rendeu estreias importantes de artistas que continuam na ativa até hoje.

Dez anos depois, o SaraivaConteúdo relembra alguns desses álbuns e revê a trajetória das bandas em uma série que já falou de Arcade Fire, The Killers, Franz Ferdinand, Scissor Sisters, Kanye West e Mombojó. Vamos encerrar relembrando os primeiros lançamentos do Keane, a banda de rock que ousou e apostou no teclado como instrumento principal, e de Black Alien, um dos principais nomes do rap nacional.

 
O disco: você provavelmente se lembra das músicas “Somewhere Only We Know” e “Everybody’s Changing”, os grandes hits desse disco de estreia dos ingleses do Keane. O álbum trazia uma curiosidade – ou ousadia, interprete como quiser: o instrumento principal era o teclado, e não a tradicional guitarra. Três anos antes de lançar o trabalho, a banda tinha perdido seu guitarrista, que alegou diferenças musicais com os demais integrantes. Se tivesse esperado mais um pouco, o músico comemoraria. O grupo acabou ganhando fama com dois singles, “Everybody’s Changing” e “This Is The Last Time”. Convidada para gravar o primeiro disco, estourou. Em 2005, Hopes and Fears rendeu à banda dois Brit Awards: artista revelação e melhor álbum britânico.
 
Capa do disco Hopes and Fears, do Keane

De lá para cá: o Keane nunca abandonou uma de suas principais características: fazer músicas melódicas, com tom de balada, mas sem soarem pessimistas ou piegas. Há muito otimismo nas letras do vocalista Tom Chaplin, que passou por um tratamento para se livrar da dependência de álcool e drogas. A banda lançou mais três álbuns – Under the Iron Sea (2006), Perfect Symmetry (2008) e Strangeland (2012) – e sobreviveu como trio durante anos. Porém, depois de ser membro de apoio, em 2011 o guitarrista Jesse Quin foi promovido a membro oficial da banda.

O que diz quem ouve a banda: “O Keane foi muito comparado com o Coldplay, e [os integrantes] sofreram muito com isso no início, por fazerem músicas que são baladas, têm muito piano… Mas o piano é justamente a diferença deles. Esse é um disco legal, não é melancólico, tem letras esperançosas e românticas, sem dor de cotovelo, e traz melodias redondas. É bem pop e acessível. Minha música favorita deles, no entanto, é ‘Is It Any Wonder’ [do disco Under the Iron Sea]. Quase não parece deles, porque é mais rápida, enérgica, mas conserva o lado melódico e pop bem apurado deles”, diz Thiago Ney, editor de Cultura do IG.
Assista ao clipe de “Somewhere Only We Know”:
 

 
O disco: o carioca Gustavo Black Alien não era nenhum novato quando lançou seu primeiro disco solo em 2004, Babylon by Gus – Vol. 1: O Ano do Macaco. Ele já tinha subido ao palco e feito parcerias com nomes como Paralamas do Sucesso, Raimundos e Banda Black Rio, teve músicas remixadas por Afrika Bambaataa e Fatboy Slim e foi escalado para substituir BNegão quando este saiu do Planet Hemp. Gravado em quase um mês, esse álbum rendeu alguns clássicos do rap nacional, como “Mister Niterói”, “Na Segunda Vinda” e “Caminhos do Destino”.
 
Capa de Babylon by Gus Vol 1 O Ano do Macaco

De lá para cá: Black Alien não lançou mais nada desde o primeiro álbum solo, mas continuou produzindo em parcerias. Na campanha de crowdfunding que lançou para finalizar o tão aguardado segundo trabalho, Babylon By Gus Vol.2: No Princípio Era o Verbo, ele definiu esse momento de hiato com a seguinte frase: “Eu era Nova Orleans e por aqui passou o Katrina”. Em 2007, ganhou um documentário, Mr. Niterói – A Lírica Bereta. No mesmo ano, raspou os famosos dreadlocks. Dez anos depois da estreia, o volume 2 da obra de Black Alien deve sair este ano.

O que diz quem ouve o artista: “Produzido por Alexandre Basa (Instituto, Mamelo Sound
System), Babylon by Gus… é um disco à altura das expectativas em torno do seu lançamento.
Cada música tem personalidade própria, sem nunca perder o senso de unidade com o resto
das faixas. As muitas influências — escancaradas na lista de agradecimentos repleta de nomes
como Eek-A-Mouse, Roots Manuva, Sizzla ou Gangstarr — transparecem na produção”, avaliou
Bruno Natal, do site OEsquema.
 
Assista ao clipe de “Caminhos do Destino”:
 
 
 
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