Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 19.02.2014 19.02.2014

Uma década depois da estreia: Kanye West e Mombojó

Por Andréia Martins
O início dos anos 2000 marcou o lançamento dos primeiros discos de diversas bandas da cena alternativa e independente do pop e rock internacional. O ano de 2004 rendeu estreias importantes de artistas que continuam na ativa até hoje.
 
Dez anos depois, o SaraivaConteúdo relembra alguns desses álbuns e revê a trajetória das bandas em uma série que já falou de Arcade Fire, The Killers, Franz Ferdinand e Scissor Sisters, e que trará ainda o trio britânico Keane e o rapper Black Alien.

A seguir, relembramos os discos de estreia de Kayne West, o showman do rap, e da banda brasileira Mombojó.

 
 
O disco: The College Dropout foi um álbum muito esperado em 2004. Ele era a “prova dos nove” para o já conhecido produtor Kanye West, que queria ser bem visto também como rapper. Ele teve que se esforçar para convencer a gravadora Roc-a-Fella de que não era só um bom produtor e que seu estilo distante das ruas não seria um problema. Músicas como “Through The Wire”, “Jesus Walk” e “Last Call” são peças-chave do trabalho (que traz 21 músicas), bem como a participação de nomes de peso da cena R&B e hip hop, como Jay-Z, Lauryn Hill, Ludacris e Mos Def, que o ajudaram a criar uma ponte entre o rap mais político e aquele tocado nas rádios. O disco emplacou cinco singles e levou o Grammy de melhor álbum de rap do ano. Até hoje, é o álbum mais vendido de West nos EUA.
 
Capa do disco Colleged Dropout, estreia de Kanye West como rapper
De lá para cá: Kanye continua produzindo e compondo para outros artistas. Um de seus parceiros de longa data é Jay-Z, com quem já lançou um disco só com parcerias dos dois. Após o álbum de estreia, o rapper entrou no embalo e lançou mais cinco trabalhos: Late Registration; Graduation; 808s & Heartbreak; My Beautiful Dark Twisted Fantasy and Collaborations; e Yeezus, lançado em 2013. Transitando bem entre o R&B e o rock, Kanye é um ícone de moda e tornou-se figura carimbada em tabloides sobre celebridades após se relacionar com Kim Kardashian.
O que diz quem ouve o artista: para a jornalista musical Stefanie Gaspar, The College Dropout “trouxe uma linguagem inovadora dentro do estilo, criando narrativas novas com uma produção menos rude e mais orgânica, além de um diálogo forte com a arte e a mitologia pessoal”. O disco, para ela, ainda faz uso “abundante e extremamente criativo de samples de gospel, soul e black music em geral, estabelecendo contato com a cultura criadora do hip hop e trazendo um tipo de produção mais experimental, capaz de chegar a públicos diferentes”.
 
Assista ao clipe de “Jesus Walk” 
 

 
“Ninguém pode acusar Kanye de falta de versatilidade. O rapper fez desde uma experimentação sônica com baterias eletrônicas e o hoje infame auto-tune, em 808s & Heartbreak, até um dos discos mais grandiosos e musicalmente variados do hip hop, My Beautiful Dark Twisted Fantasy. Curiosamente, em 2013, Kanye deixou um pouco de lado a grandiloquência sonora para se dedicar ao som mais rústico e propositalmente simples de Yeezus, que focou nas letras fortes e engajadas”, comenta Stefanie. Do último trabalho, ela cita a faixa “‘New Slaves” como uma das músicas mais importantes para o rap nos últimos anos. Ela fala sobre a perpetuação do modelo escravocrata a partir do próprio sistema político: o capitalismo que transforma até mesmo o escravizado em consumidor.  
 
MOMBOJÓ, NADADENOVO
 
Capa do disco Nadadenovo, do Mombojó
 
O disco: Nadadenovo marcou a estreia da banda pernambucana, então com sete integrantes. Lançado de forma independente, o álbum colocou a banda na rota dos principais festivais alternativos do país e abriu as portas para a gravação do segundo trabalho, dessa vez por uma gravadora. As 15 faixas do primeiro disco, com destaque para “Deixe-se Acreditar” e “Merda”, mostram um grupo com uma variada proposta sonora e com diferentes referências, de bandas como Mundo Livre S/A a Buzzcocks, de Stereolab ao rock dos Los Hermanos, pegando carona na surf music e na improvisação do jazz.
 
Os pernambucanos do Mombojó
De lá para cá: o grupo lançou mais três discos: Homem-Espuma (2006), Amigo do Tempo (2010) e 11º Aniversário (2013). No meio do caminho, a banda enfrentou duas baixas: a primeira foi um infarto fatal no integrante Rafael (flauta, trombone e violão), em 2007, aos 24 anos. Depois da morte do colega, Marcelo Campello deixou o grupo para apostar na carreira solo. Após uma breve pausa, a banda retomou os eixos e este ano excursiona para comemorar os dez anos do primeiro trabalho. Dos sete, restaram quatro integrantes: Felipe S. (voz e guitarra), Chiquinho (teclado e sampler), Marcelo Machado (guitarra) e Vicente Machado (bateria e sampler), sempre acompanhados de convidados especiais nos álbuns.
 
Assista ao clipe de “Deixe-se Acreditar” 
 
 
O que diz quem ouve a banda: “O Mombojó trouxe uma proposta mais pop quando a cidade vivia uma ressaca de um grande movimento que foi o mangue-beat no Recife. Sem soarem totalmente iconoclastas, eles apresentaram uma roupagem mais pop para o rock feito no Brasil naquela época. Por esse frescor de novidade e carisma dos integrantes, o grupo conseguiu uma legião de fãs, que se mantém até hoje. O maior feito do Mombojó, a meu ver, foi o modo como eles conseguiram unir referências como samba, surf-music, eletrônica, embrulhadas em um som altamente acessível. Nesse ponto, foram visionários ao enxergar uma demanda do público por um rock jovem, popular, mas com espírito independente”, diz Paulo Floro, editor da Revista O Grito!.
 
 
 
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