Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 13.02.2012 13.02.2012

Um plebiscito musical no Pará

 
Por Silmara Borges
Felipe Cordeiro agita seu público com sua guitarra
A população decidiu nas urnas que não haveria mudança; os estados de Tapajós e Carajás, por enquanto, não vão existir. Mas a ideia aqui é outra, é falar de música.
 
Os ritmos paraenses que estão conquistando outros territórios. Será que há uma segmentação de estilo e região quando o assunto é este?
Fogos de artifício, telões de led e alta tecnologia são os elementos que compõem os bailes mais populares do Pará.
 
Milhares de pessoas se reúnem para dançar o tecnobrega. Mas este não é o único ritmo que arrasta o público para as baladas paraenses.
 
 
“Existe uma grande diversidade que passeia por vários estilos regionais, como Guitarradas, Carimbó, Samba de Cacete, Baguê e outros. Aí vai pelo gosto paraense e pelos ritmos nacionais, desde sertanejo ao pop rock. O povo paraense é o mais eclético que conheço!”, afirma Gaby Amarantos, a nova sensação da música do estado.
Vamos conhecer um pouco dos estilos, sons e artistas que fazem parte desta grande gama.
 
Nas paradas nacionais
Durante a primeira década deste milênio, a Banda Calypso levou o som que antes era apenas conhecido no estado para o Brasil inteiro. O sucesso todo mundo acompanhou. Chimbinha, Joelma e cia. chegaram até a fazer turnê fora do Brasil.
Agora, o mesmo movimento ensaia para acontecer, mas com a cantora Gaby Amarantos, conhecida como ‘a Beyoncé da Pará’. Gaby se prepara para lançar novo disco, Treme.
 
A mulher de voz grave, contagiante e que chama atenção nos palcos pelo figurino extravagante tem arrastado multidões para os grandes bailões de tecnobrega em Belém.
 
E revistas conceituadas de música elegem seu trabalho como um dos discos mais esperados do ano.
“O som dela é universal, é já internacionalizado, sintetizado, transformando em tecnomelody. Ela é uma grande cantora e de personalidade carismática”, define o jornalista, crítico musical, produtor e escritor Nelson Motta.
 
A paraense Gaby Amarantos é a grande aposta da música em 2012
 
Mas quem é Gaby Amarantos? Começou sua carreira aos 18 anos, quando se apresentava em bares de Belém.
 
No repertório, músicas da MPB, mas já incluía os clássicos do brega, da lambada e do carimbó. “Após esse período, resolvi montar minha primeira banda de tecnobrega, a Tecno Show, a banda que me transformou na artista que sou hoje”, conta Gaby, explicando a marca do seu som atual.
 
Guitarrada
 
O nome soa estranho. Fica claro que está ligado ao instrumento. Mas o que quer dizer guitarrada?
 
Primeiro, uma informação importante. O ritmo é tão importante para o estado que virou patrimônio cultural. A guitarra é a protagonista do som, e é acompanhada por instrumentos como baixo, bateria, entre outros.
 
Pio Lobato é hoje um dos guitarristas mais representativos do gênero. Ele pesquisou o assunto na Universidade Federal do Pará e ajudou a resgatar também os especialistas do estilo.
 
Mestre Vieira, Curica e Aldo formaram um grupo recentemente, com a ajuda de Lobato, para tentar resgatar a fama da guitarrada, o Mestres da Guitarrada.
 
Gravaram até um disco juntos em 2004 e fizeram bonito em festivais de rock, como no Abril Pro Rock (PE).
 
Da nova geração, Pio Lobato é o líder de uma turma que vem a cada dia conquistando mais espaço. Ele começou seu trabalho na década de 1990, ganhou reconhecimento pela técnica e experimentalismo.
 
Um novo nome que tem se destacado atualmente é Felipe Cordeiro. Com shows frequentes, leva o público para dançar.
 
Ele é filho do produtor Manoel Cordeiro, com quem também se apresenta nos shows. Seu som, além da guitarrada, tem forte influência da lambada, carimbó e, claro, do tecnomelody.
 
Carimbó
 
E lá no meio de tanta tecnologia tem um ritmo que tem origem indígena e que se transformou em uma das marcas musicais do Pará.
 
O carimbó está presente no trabalho de muitos artistas contemporâneos. Para se entender a dimensão deste som, que também tem uma dança característica, basta olhar a agenda de festivais destinados somente a ele.
 
O mais famoso é o Festival de Carimbó de Marapanim, que acontece todos os anos, em novembro. A cidade recebe grupos que se apresentam e disputam prêmios.
 
Há outras cidades que abrigam também eventos semelhantes, como Curaça e Santarém Novo.
 
Mas vamos falar de quem canta carimbó hoje em dia. O músico Pinduca, conhecido como o Rei do Carimbó, está na ativa há mais de 35 anos.
 
Mas quem tem dado outro toque ao ritmo é Dona Onete. Natural da Cachoeira do Arari, na Ilha de Marajó, ela é cantora desde os 11 anos e compôs mais de 400 canções.
 
Ganhou fama e sucesso com a música “Amor Brejeiro”, que a transformou em diva do carimbó chamegado, o que lhe rendeu muitas outras composições, com um estilo próprio e contagiante.
 
A flor nos cabelos e o remelexo nos quadris é a marca registrada dessa senhora.
 
O som jamaicano e do carimbó se complementam nas letras das músicas da cantora paraense Lu Guedes, que apresenta música popular amazônica a partir de ritmos e de um universo melódico integrado à poética do imaginário.
Sertanejo e Forró

Lá onde poderia ser a capital do estado de Tapajós, a cidade de Santarém, há um músico que se destacou: Wilson Dias da Fonseca, conhecido como Maestro Isoca.

 
Autodidata e natural de Santarém, foi um dos maiores compositores do estado, compôs mais de 1.600 músicas, muitas inspiradas em temas folclóricos e nas belezas naturais da região oeste do Pará.
 
“No geral, Santarém, é um celeiro de grandes artistas, com destaque para canções que revelam as belezas regionais. Mas a cidade também sofre muita influência musical de outros estados. Gosta de sertanejo e forró”, destaca a jornalista Suelen Reis, chefe de jornalismo da TV Tapajós.
Assim como Santarém, em Marabá, a cultural local também se diferenciou da tradicional. É possível observar a preferência pelos gêneros sertanejo, forró e reggae, distanciando-se um pouco do som brega.
 
MPB
As praias do litoral paraense, ao redor de fogueiras, serviram como cenário para o músico Fabrício dos Anjos construir os primeiros acordes.
 
Autodidata, o paraense vai na contramão da canção brega. E acredita que existe dificuldade em popularizar um trabalho diferente àquele que vem tocando nas rádios. Mas ele também encontra seu espaço. “É aí que a gente entra com nossa música conquistando espaços antigamente dominados pelo brega e formando um público que procura algo que fuja do tradicional”, define o músico.
 

 

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