Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 12.12.2011 12.12.2011

Um papo sobre gastronomia e viagem com Washington Olivetto

Por Andréia Silva
Na foto, Washington Olivetto
 
O jornalista norte-americano Gay Talese sempre quis escrever sobre gastronomia. Não sobre os pratos, mas sobre as pessoas que transitam nesse universo mágico de aromas e sabores.
 
Parte desse interesse veio da família: descendente de italianos, Talese se acostumou a frequentar restaurantes desde pequeno com os pais e, já jornalista, continuava fascinado pelos bastidores dos restaurantes.
 
Chegou a fazer inúmeras anotações de pratos, dos ambientes, das personalidades que iam aos restaurantes mais badalados de Nova York. Mas a história nunca saiu do seu bloquinho.
 
Esse mesmo mundo despertou o interesse do também descendente de italianos, Washington Olivetto. No entanto, diferente de Talese, o publicitário agora divide com os leitores suas diversas experiências gastronômicas em viagens feitas entre julho de 2009 e julho e 2011 – há ainda uma ou outra história mais antiga – no livro Só Os Patetas Jantam Mal na Disney (Panda Books).
 
Nele, Olivetto, que diz não ter mão para ser chef, conta histórias saborosas vividas em suas viagens – a maioria a trabalho, mas sem deixar o sabor de lado – por Londres, Nova Iorque, Miami, Espanha, Itália, entre outros, com direito também a uma passada em um botequim carioca e às noites mexicanas, todas as quintas-feiras, no departamento de Rádio e TV da McCann, sua agência.
“Espero mesmo é que as pessoas se divirtam, pois foi um livro feito sem grandes pretensões. E ele também serve como um bom guia gastronômico”, diz Olivetto ao SaraivaConteúdo.

O publicitário não escolhe suas viagens pela culinária, mas assim que tem um destino certo, o roteiro gastronômico é uma das prioridades. Foi assim na Disney, onde ele conta que, embora os almoços fossem reservados ao mundo do fast-food, conseguiu comer em ótimos restaurantes, pelo menos na hora do jantar.

 
O gosto pela culinária já fez Olivetto cometer alguns exageros engraçados, como, de acordo com o que ele mesmo revelou, já ter escolhido o prato para pessoas que estavam na mesa ao lado da dele, mesmo sem conhecê-las. Na entrevista abaixo, o publicitário fala um pouco mais do gosto pela gastronomia e do novo livro.
 
Você sempre foi apaixonado por gastronomia?
Olivetto. Eu sou descendente de italiano, então sempre gostei de comer e beber bem. Sempre tive o hábito de fazer anotações e analisar os restaurantes e os pratos, gosto muito de observar o ambiente, as personalidades que frequentam, e dar dicas para os amigos. Costumo dizer que sou um frequentador de pratos, e não de restaurantes.
 
Essas suas observações sobre os restaurantes eram feitas pensando já em um livro ou isso veio por acaso?
Olivetto. Meu amigo Dias Lopes, crítico gastronômico, me convidou para escrever um artigo na revista dele, a Revista Gosto. O texto teve uma excelente repercussão, com muitos comentários de leitores. Ele me convidou para escrever outro, e mais outro… Depois, em um almoço com o Marcelo Duarte, da Panda Books, o convite para reunir esses e outros textos em um livro foi feito.
 
Dá para se conhecer um país pela gastronomia?
Olivetto. No caso de Itália, cuja culinária já está consolidada, e da Espanha, por exemplo, que hoje está mais na moda, sim. Gosto de coisas em todos os países que já visitei [relacionadas à culinária].
 
Qual foi sua maior aventura em busca de um bom prato?
Olivetto. Foram várias. Teve a Tailândia, mas a maior talvez tenha sido a da praia de nudismo. A comida era boa, mas o dono da praia, horrível [risos], e as pessoas muito mais velhas que nós. [a aventura a que Olivetto se refere aconteceu numa praia perto de Saint-Tropez, onde ele conta ter degustado um verdadeiro bouillabaisse, um guisado a base de peixes, prato típico da França].
 
Qual foi sua maior surpresa nessas viagens em busca de sabores?
Olivetto. Foi uma que não está no livro, em Siena, na Itália. Cheguei à cidade no dia do Palio de Sena, uma festa tradicional e que atrai muita gente, mas eu não estava lá por isso, foi uma coincidência. Como todos os restaurantes estavam fechados, procuramos um lugar para comer e achamos uma casa, onde uma senhora preparou o almoço, fora de hora. Comi muitíssimo bem, acompanhado do melhor vinho, por um preço ridículo.
 
A culinária pode fazer você mudar de ideia sobre um lugar ou Miami continua fora da sua lista de destinos preferidos?
Olivetto. Mudei minha opinião, embora não tenha ido tantas vezes a Miami como muitos brasileiros. Mas hoje, Miami investiu mais em bons restaurantes, como o Joe’s Stone Crab e o Casa D’Angelo.
 
Nas suas viagens, comida em hotel foi um problema? Nem todo bom hotel tem uma culinária saborosa?
Olivetto. Hoje, muitos hotéis são conhecidos pela boa culinária, como é o caso do Georges Blanc, na França, um restaurante que tem um hotel, ou mesmo o Fasano, no Rio de Janeiro. Agora, nem todos têm uma boa cozinha.
 
Qual é o país que você ainda morre de vontade de “degustar”?
Olivetto. O Japão. Nunca fui um fanático por comida japonesa, mas com o Sakamoto, em São Paulo, e o Sushi Yasuda, em Nova York, passei a conhecer melhor. Já estive lá a trabalho, mas sem tempo para conhecer melhor a culinária de lá.
 
 
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