Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo HQ 27.09.2013 27.09.2013

Um novo olhar sobre os ‘velhos amigos’ da ‘Turma da Mônica’

Por Marcelo Rafael
Em novembro, o selo Graphics MSP, da Panini, completa seu primeiro ano com grande êxito. Três volumes já foram lançados e um quarto está “no forno”, devendo chegar aos leitores durante o Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte (FIQ). É a nova cara da Turma da Mônica se apresentando ao público.
Tudo começou em 2010, quando o segundo volume do MSP 50 estava para ser lançado. O projeto dos álbuns que homenagearam os 50 anos da carreira de Mauricio de Sousa deu o primeiro passo em direção a uma releitura da turminha tão cristalizada no imaginário brasileiro.
Dessa forma, estava plantada a semente da mudança. Mas Sidney Gusman, responsável pelo Planejamento Editorial da Mauricio de Sousa Produções (MSP), queria mais. “Após uma rápida conversa [com o Mauricio], ele enxergou o potencial do projeto para atingirmos o público que estava afastado dos gibis mensais e me deu sinal verde”, conta.
E assim, logo se pensou nos talentos que iriam compor o novo selo.
Em 2012, houve a estreia com o paulistano Danilo Beyruth (Necronauta e Bando de Dois), que assumiu Magnetar, uma história solitária do Astronauta. Em abril de 2013, foi a vez dos mineiros Vitor Cafaggi (das tiras Valente e Puny Parker) e sua irmã Lu Cafaggi, com a turminha clássica em Laços.
Os tradicionais shortinhos dos meninos dão lugar a bermudões, e Cascão surge de moicano
Em setembro, Gustavo Duarte (Monstros!) inseriu alienígenas nas histórias de Chico Bento com Pavor Espaciar. Agora, será a vez do artista plástico paraibano Shiko (O Quinze) apresentar um novo olhar sobre Piteco, em novembro.
Magnetar é uma aventura mais sóbria, calcada na solidão. Laços tem uma levada baseada na amizade. Pavor Espaciar envereda pelo humor. E Piteco retoma a aventura com ritmo ininterrupto de ação”, explica Sidney.
Cada autor está livre para repensar os personagens, mas com algumas ressalvas. “Eles não podem ‘pesar a mão’. Ou seja, não dá para matar um personagem do Mauricio. Nem ter cena sensual, por exemplo”, afirma o responsável pelo Planejamento Editorial da MSP.
Ainda de acordo com ele, a essência de cinco décadas de cada um deles deve ser preservada, pois, mesmo sendo voltadas para adultos, fatalmente as graphics irão cair nas mãos de crianças.
Os próprios autores contam que os personagens estavam presentes em suas infâncias. “Sempre que eu tinha que ir ao médico ou cortar o cabelo, meus pais me compensavam com uma revistinha.
E as da Turma da Mônica foram meu primeiro contato com a linguagem das HQs”, diz Vitor.
Lu aprendeu a ler com a avó e passou a devorar os gibis da Turma Mônica. “Foi com as revistinhas que fui aprendendo a interpretar textos, a desenvolver meu senso de humor”, conta.
Acostumado a criar sem balões de fala, Gustavo fez os personagens falarem: “A maneira do Chico Bento falar é muito legal, né? A coisa do interior. Eu usei isso”
“A turma é tão imbricada na nossa infância que é como jogar bola na rua. Você não sabe qual foi a primeira nem a última vez que fez aquilo. Apenas fazia parte das melhores horas da sua infância”, completa Shiko.
A ideia do selo Graphics MSP veio para mexer com isso. “Desde que eu me conheço por gente, a Turma da Mônica é a Turma da Mônica e sempre foi referência. Já tinha um estilo estabelecido, um jeito certo de desenhar”, diz Danilo.
“Quando o Sidney entrou na MSP, nós conversamos e falei que achava que deveria haver outros traços para a Turma da Mônica”, relembra Gustavo. “Eu queria ver um gibi da Mônica desenhado pelo Laerte, pelo Fernando Gonsales”, ressalta.
E o responsável pelo Planejamento Editorial da MSP levou adiante: “Eu queria, com isso, mostrar para o mercado que temos autores capazes de produzir material para ser vendido em livrarias, que agrade a um público grande e não apenas aos leitores deste ou daquele nicho”.
Além de elementos reais como a Pedra do Ingá (PB), Shiko se valeu de lendas indígenas em Piteco
Para os autores, foi uma honra. “A oportunidade de trabalhar com Mauricio é mais do que ganhar um prêmio, na visão de amigos e familiares. E, na verdade, para a gente também. Foi incrível poder fazer parte disso tudo”, afirma Vitor.
E Sidney finaliza: “Tenho que agradecer demais ao Mauricio por permitir que – como diz o Danilo na página final de Magnetar – eu e os autores ‘brincássemos com os seus brinquedos’”.
Adulto, Astronauta ganhou um novo uniforme. “Basicamente, eu queria dar mais liberdade de movimento ao personagem para poder fazer uma história de aventura”
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