Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 09.07.2011 09.07.2011

Um baiano em Paraty: João Ubaldo Ribeiro

Por Amanda Borges
Foto: Monstro Filmes

"Encaro com enorme tédio o papo de literatura", afirma autor de Viva o Povo Brasileiro

João Ubaldo Ribeiro não sabe muito sobre a Flip. Chegou ontem às 15h e ainda não tinha saído do hotel até a hora da coletiva de imprensa, às 18h45. Também não gosta de "papos literários", nem se considera um homem de letras. Tinha subestimado o tamanho e importância da Flip e se disse surpreso com a quantidade de festivais literarios que estão acontecendo no Brasil. "Recebo um convite por dia, mas não acho interessante eu ir a todos". Só não sabe dizer quais são os efeitos desses eventos.
 
"Eu li por circunstâncias da vida. Cresci numa casa cheia de livros e com um pai muito rigoroso em relação a minha formação", afirmou Ribeiro para explicar porque "não é um bom papo de livros". Entre amigos escritores na maioria das vezes o assunto é a falta de dinheiro, não literatura.
 
Mesmo sem ter acompanhado os "papos literários" que tomaram Paraty, João Ubaldo inconscientemente retomou um tema discutido ontem por Andrés Neuman e Michael Sledge na mesa Viagens Literarias. É a ignorância que move o escritor. Para escrever na pele de uma mulher ou de um homossexual, como já o fez em O Sorriso do Lagarto (Ed. Objetiva), não precisou de forma alguma ser mulher ou homossexual. "Não é preciso mergulhar na realidade ara escrever sobre ela", afirmou. Dentre outros exemplos, citou Poe, que nunca esteve em Paris, mas soube descrever em detalhes as suas ruelas.
 
Novas tecnologias
 

Quando perguntado sobre as novas tecnologias, João Ubaldo disse não acreditar na praticidade de um tablet. Já era de se esperar essa resposta de alguém que diz que o dicinário tem um cheiro ótimo, mas ele foi além. "A força da narrativa literária está justamente na sua economia de meios, naquilo em que ela obriga o leitor a participar ativimente, a não ser mero receptor", completou.

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