Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 30.11.-0001 30.11.-0001

Tríplice aliança em ‘Cosmópolis’

Por Cintia Lopes
 
Junte um autor consagrado, um diretor visionário e um ator em busca de reconhecimento profissional. Acrescente doses de claustrofobia e críticas à sociedade capitalista num roteiro repleto de reflexões e drama pessoal. Cosmópolis é, antes de tudo, uma mistura inusitada. Inspirado no livro homônimo de Don DeLillo e dirigido pelo frenético David Cronenberg, o longa traz Robert Pattinson na pele do milionário Eric Michael Packer.
Toda a ação acontece num único dia, em Nova York, e praticamente no mesmo cenário: a limusine branca toda paramentada com o que há de mais moderno em termos tecnológicos para nenhum nerd colocar defeito. E é de dentro do carro, a caminho do barbeiro no outro lado da cidade e preso num engarrafamento gigantesco, que Packer entra em desespero ao verificar que a cada minuto está menos rico, até chegar à beira da falência depois que as ações da Packer Capital despencam.
Encarar a realidade não é tarefa fácil para o protagonista. Ele, então, aproveita para fazer uma análise de sua vida e tentar encontrar sentido para todos os acontecimentos enquanto recebe visitantes em seu “bunker” a caminho do barbeiro. Passam por lá a mulher mimada vivida por Sarah Gordon, a marchand interpretada por Juliette Binoche, e até o próprio médico particular, que faz check-ups no paciente ali mesmo… Dentro da equipada limusine.
Orçado em U$ 20,5 milhões, Cosmópolis é o primeiro longa da obra de Don DeLillo adaptado para o cinema. Ele conta com a assinatura de David Cronenberg, de A Mosca, e um Robert Pattinson focado em duas coisas – se desvencilhar da imagem do vampiro Edward da saga Crepúsculo e deixar para trás também uma posição nada confortável: a de traído. Principalmente depois que a imprensa americana publicou fotos da então namorada, Kristen Stewart (sua parceira romântica fora das telas e em Crepúsculo) em momentos de intimidade com Rupert Sanders, diretor do filme Branca de Neve e o Caçador, também comprometido.
Conheça um pouco mais sobre os homens de Cosmópolis:
David Cronenberg:
Quem não se lembra do clássico A Mosca, filme que teve grande repercussão no final da década de 80, estrelado por Jeff Goldblum? Muito antes dessa época, Cronenberg já demonstrava sua obsessão por histórias aterrorizantes. O diretor, conhecido como Rei do Terror, desde criança já exercitava o lado “macabro” escrevendo contos. Filho de um jornalista e de uma pianista, o canadense de 69 anos é cultuado por fãs do gênero e responsável por filmes como Scanners – Sua Mente Pode Me Destruir, Gêmeos – Mórbida Semelhança, Os Filhos do Medo e Videodrome, de 83, em que faz uma crítica às mídias de massa, especialmente à televisão. Um Método Perigoso foi o último trabalho antes de Cosmópolis.
Curiosidades:
• Cronenberg escolheu locações em Nova York e em Toronto, no Canadá, para filmar Cosmópolis.
• O primeiro ator cogitado pelo diretor para interpretar o milionário Packer foi Collin Farrell, que teve de desistir do projeto porque já estava envolvido com as filmagens de O Vingador do Futuro.
• Seus filmes envolvem o horror causado por mutações, parasitas ou condições médicas particulares.
• Tem fascínio por moscas e insetos desde a infância e, sempre que pode, insere “os figurantes” em seus longas.
• Dirigiu o episódio Faith Healer da franquia Sexta-feira 13, em 1988. Justamente treze anos depois, ele fez uma participação no filme Jason X, de 2001.
 
      David Cronenberg e Robert Pattinson                                           Don DeLillo, autor de Cosmópolis
 
Robert Pattinson:
Anos atrás, quando se falava em vampiro no cinema, logo vinham à mente as figuras de Gary Oldman em Drácula, de Bram Stocker, ou de Tom Cruise no clássico Entrevista com o Vampiro. Mas agora é Robert Pattinson quem ocupa o posto de vampiro mais famoso e queridinho das adolescentes, graças à performance como o romântico Edward Cullen da saga Crepúsculo. Apesar da projeção no mundo todo, Pattinson não esperou a estreia mundial do último filme da série, Amanhecer – parte 2, prevista para o final do ano, para experimentar novos caminhos. Aos 26 anos, o ator aposta as fichas em Cosmópolis para provar que pode ser levado a sério pela crítica especializada. A atuação do inglês no longa recebeu diversos elogios em Cannes. E o esforço de Pattinson é ainda maior após o escândalo envolvendo sua vida pessoal. Antes de Cosmópolis, o ator interpretou um sedutor em Bel Ami, sem grandes repercussões. Em 2011, estrelou ao lado de Reese Witherspoon outro sucesso literário: Água para Elefantes. A identificação com o público infantojuvenil teve início com a participação no filme Harry Potter e o Cálice de Fogo, em que vivia Cedric Diggory.
 
Curiosidades:
• Assim como o personagem Eric Packer, Pattinson também é fã de tecnologia. O ator é daqueles que andam com dois iPods (para garantir que não vai ficar sem ouvir suas músicas favoritas) e também não vive sem o e-reader (usado para leitura de livros digitais). Segundo ele, a melhor invenção de todos os tempos.
Money, de Martin Amis, é seu livro favorito. Nessa obra, o escritor londrino conta a história de John Self, um autoconfiante diretor publicitário que vai à falência depois de enriquecer rapidamente.
•  Quando era adolescente, Pattinson queria ser rapper. Seu cantor favorito era o britânico Dizzee Rascall.

• Pattinson já mencionou em várias entrevistas que suas irmãs, Lizzy e Victoria, costumavam vesti-lo de menina até seus 12 anos e o apresentavam às amigas como ‘Claudia’.
• O ator tocava em uma banda de rock chamada Bad Girls sob pseudônimo de Bobby Dupea, personagem de Jack Nicholson no filme Cada um Vive Como Quer.
• Perguntado certa vez “Como gostaria que as fãs reagissem ao encontrá-lo na rua?”, ele respondeu: “Simplesmente me ignorem”.
 
Don DeLillo:
Nova-iorquino de 75 anos, DeLillo é um dos mais significativos escritores americanos contemporâneos. Já foi contemplado com diversos prêmios, entre eles o National Book Awards, em 85, com o livro Ruído Branco na categoria ficção, e a medalha Howells da Academia Americana de Artes e Letras em 2000.
 
Cosmópolis, lançado em 2003, é o 13º romance de DeLillo e o primeiro adaptado por Hollywood para as telas de cinema.
Curiosidades:
• Em suas histórias, geralmente há algum personagem ligado ao mercado financeiro ou à Economia – área à qual o próprio autor se dedicou antes de viver somente da literatura.
• É conhecido por ser paranoico e pelo tom pessimista de seus livros.
• É autor também de títulos como A Artista do Corpo, Homem em Queda, Os Nomes, Ponto Ômega, Submundo, entre outros.
• Visionário, DeLillo acredita que, no futuro, o leitor terá a possibilidade de customizar seus próprios romances e personagens. Assim, uma mesma história seria personalizada por diferentes usuários.
 
 
Recomendamos para você