Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 10.10.2011 10.10.2011

Trilhas sonoras: quando a repetição funciona

Por Carolina Cunha
 
Já pensou em como as músicas que tocam nos filmes fazem a diferença? Diretores escolhem a dedo suas trilhas sonoras para ampliar a atmosfera de suas histórias. Músicas ajudam a criar cenas e podem dar o clima certo para o momento, revelar uma característica do personagem ou ainda transmitir sentimentos.
 
Da saudade à alegria, do choro ao riso, algumas canções que ouvimos nos filmes despertam as mais profundas emoções.
 
Selecionamos uma playlist de trilhas que já fora utilizadas mais de uma vez em filmes e são recicladas de tempos em tempos, tornando-se verdadeiros clássicos da telinha. 
 
 
 
 
 
 
 
ALL BY MYSELF
Qual é a música perfeita para mostrar o desespero de uma balzaquiana encalhada? A primeira cena da comédia O Diário de Bridget Jones (2001) começa com a protagonista cantando a música sozinha num sofá.  Nada sabemos nada do personagem, mas a música vai crescendo e então podemos sentir sem pudor a sua dor de cotovelo.
 
 
Quando a missão é embalar uma fossa, “All by Myself” (1975), de Eric Carmen, dá conta do recado. A canção também já foi trilha sonora de diversas filmes e séries de TV como As Patricinhas de Beverly Hills (1995), Friends (1994), e até a animação Shrek 2 (2004) – a melodia toca quando o Gato de Botas faz a sua irresistível carinha fofa. 
 
 
AIN’T NO MOUNTAIN HIGH ENOUGH
Querer é poder, já dizia o ditado. E a música perfeita para superar obstáculos, pelo menos nos filmes, é “Ain’t No Mountain Hhigh Enough”. A música do compositor Nickolas Ashford foi imortalizada na voz de Diana Ross e sua levada soul “positiva” aparece em Mudança de Hábito 2 (1993), Lado a Lado (1998), Duelo de Titãs (2000), O Diário de Bridget Jones (2001) e Buenos Aires na Era do Amor Digital (2011).
 
BORN TO BE WILD
Pegar uma moto, cair na estrada e viajar sem rumo é o sonho de muita gente. Foi nos anos 60 que esse espírito de aventura em duas rodas apareceu no cinema. Sem Destino (ou Easy Rider, de 1969), roadmovie que fez a cabeça de gerações, tornou-se um ícone da contracultura.
Na sua abertura, “Born to Be Wild”, dos roqueiros do Steppenwolf, dá o tom da viagem de dois hippies que cruzaram os Estados Unidos com suas Harley-Davidson. De lá para cá, esse hino dos motociclistas já apareceu em mais de 70 produções, sempre relacionado a temas de liberdade e rebeldia. 
 
SIMPATHY FOR THE DEVIL
Bad boys, vilões e criaturas sobrenaturais também têm suas trilhas especiais. A música “Simpathy for the Devil”, do Rolling Stones, embalou as histórias dos protagonistas de Trovão Tropical (2008), Possuídos (1998), Estranha Obsessão (1996) e Entrevista com o Vampiro (1994).
 
THE WAY YOU LOOK TONIGHT
Casamentos são pontos altos de histórias que começam mal e terminam com um final feliz. Uma das campeãs dos casórios é “The Way You Look Tonight”, que apareceu originalmente na voz de Fred Astaire em Swing Time (1936). Tony Bennett, Frank Sinatra e Maroon Five são algumas das vozes que imortalizaram a música em longas como Casamento do Meu Melhor Amigo (2), O Pai da Noiva (1991), Desconstruindo Harry (1997) e Idas e Vindas do Amor (2010). Nos Estados Unidos, a canção se tornou uma das mais usadas para a primeira dança de uma festa de casamento.
 
WHO LET THE DOGS OUT
Pense em uma música que fale de cachorros. Se você lembrou de “Who Let The Dogs Out” e seu coro de latidos,  acertou. Lançada em 2000 e considerada uma das canções mais irritantes de todos os tempos pela revista Rolling Stone, o rap do grupo caribenho Baha Men é um hit nas telinhas. A pegajosa canção é usada principalmente para afinar o humor de uma cena e foi usada em Men in Black 2 e Se Beber Não Case (foto). Sem contar que as crianças adoram.
 
 
 
KISS ME
O grupo Sixpence None the Richers entra na categoria bandas de um sucesso só. E que sucesso! A música “Kiss me” emplacou beijos e romances em diversos filmes como Você de Novo (2010), Como Perder um Homem em 10 Dias (2003), Be Cool – O Outro Nome do Jogo (2005), Ladrão de Diamantes (2004), Não é mais um Besteirol Americano (2001) e Ela é Demais (1999)
 
KUNG FU FIGHTING
Uma faixa do disco dos anos 70 sobre kung-fu pode parecer uma mistura inusitada, mas é com essa fórmula que Kung Fu Fighting, do jamaicano Carl Douglas, conquistou seu espaço no cinema. Mais de 20 produções já utilizaram seu groove setentista, como a animação Kung Fu Panda (2008), o brasileiro Cidade de Deus (2002) e as comédias A Creche do Papai (2003) e Deu a Louca em Hollywood (2007).
 
RAINDROPS KEEP FALLIN´ON MY HEAD
A pérola “Raindrops Keep Falling on my Head”, de B.J.Thomas, foi composta especialmente para o faroeste Butch Cassidy (1969), e aparece pela primeira vez na inesquecível cena do passeio de bicicleta. É também durante um passeio que ela surge em Homem Aranha 2 (2004), quando Peter Parker decide abandonar a ideia de tentar salvar o mundo.
 
 
 
A canção, que já apareceu em 13 obras, é recomendada para dias frescos e com dose de alegria, como em Forrest Gump (1994), Duro de Espiar (1996), Somente elas (1995) e Amor a Toda Prova (2002). 
 
 
QUE SERA, SERA
A composição original do filme O Homem que Sabia Demais (1956), de Alfred Hitchcock, é um dos clássicos do cinema. Nele, a atriz Doris Day a canta pela primeira vez para seu filho dormir. Mas é na cena em que ela interpreta a música para achar o filho sequestrado que ela alcança seu ponto alto.
“Que sera, sera, Whatever will be, will be, The future’s not ours to see, Que sera, sera…” são versos que falam de um futuro melhor para aqueles momentos em que a esperança precisa aparecer. A ideia de usar a música foi a mesma nos filmes Heart and Souls (1993), Ed Wood (1994), Porque o Amor Enlouquece (1998), Extermínio (2002), Seven Pounds (2008), Mary e Max (2009) e Frankie & Alice (2010).
 
 
 
WALKING ON SUNSHINE
Você já acordou com vontade de abraçar o mundo, ouvir os passarinhos e sair dançando pela cidade? Com o tema “Walking on Sunshine”, não tem tempo ruim. O hit de Katrina & The Waves é tão alto astral que até abre a seleção musical do “Monday Morning Mixtape” do personagem de Jack Black em Alta Fidelidade (2000). A música aparece em mais de 40 longas como Segredo do Meu Sucesso (1987), Olha Quem Está Falando (1989), Na Trilha da Fama (2004), Lunar (2009) e Recém-Chegada (2009) e A Fabulosa Aventura de Sharpay (2011).
 

 

 
GAROTA DE IPANEMA
Uma das mais tocadas no mundo, a  brasileira “Garota de Ipanema” também marca forte presença nos filmes gringos. A bossa nova de Tom Jobim e Vinícius de Morais aparece em The Blues Brother (1980), A Cor do Dinheiro (1986), Desconstruindo Harry (1997) Garota Interrompida (1999), Prenda-me Se For Capaz (2002), V de Vingança (2006), Sr. e Sra. Smith (2007), Rio (2011) entre outros.
 
WHAT A WONDERFUL WORLD
Poderia ser uma música que falasse de um mundo maravilhoso. E é. Mas no cinema, “What a Wonderful World” marca as cenas mais dramáticas. Uma memorável é a sequência do ataque de soldados americanos a um vilarejo em Bom dia Vietnã (1987), na versão jazzística de Louis Armstrong.
 
Já no documentário Tiros em Columbine (2002), o diretor Michael Moore preferiu utilizar a música na versão punk de Joey Ramone para falar sobre violência. O lado doce vai aparecer em Encontrando Forrester (2000), Tudo Que Uma Garota Quer (2003), Sexta-Feira Muito Louca (2003), Totalmente sem Rumo (2004), Madagascar (2005) e Mergulho Radical (2005).
 
 
SWEET HOME ALABAMA
Quando foi lançada nos anos 70, “Sweet Home Alabama”, do grupo Lynyrd Skynyrd, logo alcançou as primeiras paradas de sucesso das rádios americanas. Alabama é um dos estados mais “caipirinhas” dos EUA e no cinema, a música pode ser utilizada quando aquela mocinha do interior vai tentar a sorte na cidade grande ou quando uma aventura está prestes a começar.
Podemos ouvi-la em produções como Forrest Gump (1994), Maré Vermelha (1995), 8 Mile- Rua das Ilusões (2002), O Massacre da Serra Elétrica (2003), Um Show de Vizinha (2004) e Meu Malvado Favorito (2010).
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