Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 29.05.2010 29.05.2010

Três décadas de suingue

Sempre gostei da voz calorosa de Sandra de Sá e por isso fiz questão de conferir a estreia nacional do novo show da cantora, Africanatividade, apresentado no Rio de Janeiro, no reativado Canecão na noite de ontem, 28 de maio. Mesmo hoje, quando já perdeu um pouco da potência dos tempos áureos, a voz de Sandra por vezes ainda soa especial. Mas acho que poucas vezes a cantora gravou discos e fez shows à altura dessa voz. Sua discografia foi quase sempre pautada por interferências de executivos de gravadoras. Sandra começou no funk. Depois foi levada para o samba. Mas estourou mesmo foi como cantora de baladas românticas da turma de Michael Sullivan, Paulo Massadas e cia. Ainda assim, vez por outra, conseguiu fazer um disco mais arejado, sem limitações de repertório. Dois deles, Sandra! (1990) e A lua sabe quem eu sou (1996), resistem bem ao tempo. E são melhores do que o disco que Sandra está lançando neste ano de 2010, Africanatividade – Cheiro de Brasil, base do show que estreou no Rio.

O show comemora os 30 anos de carreira da cantora, projetada nacionalmente em 1980 ao defender a música “”Demônio colorido”” num festival promovido pela TV Globo. Sandra não ganhou, mas teve a chance de fazer seu nome. O roteiro passa por todas as fases da cantora. Pena que os arranjos não exibam a sofisticação do cenário, dos figurinos (são vários) e da iluminação. Mas o problema maior reside no roteiro. A primeira parte está apinhada de canções ainda pouco conhecidas. Já os hits foram quase todos condensados num único imenso medley. O que faz com que a artista jogue fora no lixo a oportunidade de explorar músicas que há muito não cantava. Ainda assim, o baile black de Sandra de Sá tem seu charme.

Confira algumas imagens da estreia carioca:

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