Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 16.07.2012 16.07.2012

Top 5: trilhas sonoras inesquecíveis dos road movies

Por Sarah Correa

Os amigos Billy (Dennis Hopper) e Wyatt (Peter Fonda) seguem pelas estradas do Oeste norte-americano, rumo país afora, montados em suas motocicletas Harley. Sorrisos e um espírito libertador dão o tom à viagem sobre duas rodas. Ao fundo, ouve-se a melodia ‘Borrrrrn to be wiiiiilllld’, com um dos riffs mais clássicos do rock dos anos sessenta.
 
A cena descrita faz parte do clássico Sem Destino (Easy Rider), dirigido por Hopper. O ano é 1969 e é também o marco de um dos mais envolventes gêneros cinematográficos, o chamado road movie (ou filme de estrada).
 
De lá pra cá, muitas cenas como a descrita se repetiram nas telas. Outras tantas, com o lema ‘uma história que atravessa cidades, países e continentes’, foram criadas. E, com elas, canções foram imortalizadas, como “Born to be Wild”, da banda canadense Steppenwolf.
 
Com ajuda da jornalista e crítica de cinema Ana Maria Bahiana, o SaraivaContéudo listou um top 5 de trilhas sonoras inesquecíveis do gênero road movie. Preparado para acelerar?
 
A Estrada (1954) – No clássico cult do italiano Federico Fellini, podemos arriscar a dizer que o filme não seria o mesmo se não carregasse em seu DNA cinematográfico a trilha sonora produzida por Nino Rota. Ao comentar sobre a película, Ana Maria é certeira. “Nino Rota, Nino Rota e Nino Rota”. Ficou curioso para saber quem é o homem, certo?
 
Cena de A Estrada, primeira parceira de Fellini com Nino Rota
 
Nino Rota (1911-1979) fez uma carreira de sucesso como compositor de trilhas para o cinema italiano. Prolífico, chegou a criar melodias para mais de 150 filmes.
 
Em A Estrada, um dos maiores clássicos do diretor Federico Fellini, Rota faz uso de uma orquestra completa, fazendo jus às grandes trilhas clássicas. Nos sons, o estilo circense mistura-se ao drama com maestria – muitas vezes, em músicas tão tristes quanto assombrosas, como a faixa “Gelsomina”, que leva o nome da personagem principal.
 
O longa conta a história de uma garota humilde e ingênua do interior que é vendida por sua mãe para um homem rude. Ele trabalha como artista mambembe, apresentando-se em cidades empobrecidas da Itália no pós-guerra.
 
Sem Destino (1969) – Ana Maria define a trilha em uma frase: “Uma compilação maravilhosa do rock do final dos anos 1960: Jimi Hendrix, Steppenwolf, Byrds”.
 
De fato. Para encerrar a década que teve Woodstock, a celebração pelo amor livre, a vida em comunidade, nada melhor do quem filme sobre duas rodas para pregar a liberdade.
 
Fora os já citados Jimi Hendrix, Steppenwolf e The Byrds, a trilha traz ainda Jefferson Airplane com a sua "White Rabbit", Seeds com sua guitarra psicodélica latina em "Pushin' Too Hard" – seu único hit – e The Who com "I Can See For Miles", a música de maior sucesso da banda nos EUA.
 
A trilha traz ainda a participação do The Animals em "San Francisco Night", com Eric Burdon, e Joe Cocker com "With A Little Help From My Friends", além de uma linda versão de “Get Together” – as duas últimas sempre úteis para momentos que você divide com amigos com a sensação de que serão vividos pela última vez.
 
Asfalto Violento (1973) – “Uma gema cult de 1973 tem uma trilha sensacional de James Guercio, criador da banda Chicago”.
 
Inspirado na série homônima, o filme é originalmente chamado de Electra Glide in Blue, em referência ao modelo da moto Harley-Davidson que o policial protagonista pilota.
A trilha, que conta com a banda norte-americana Chicago em quase todas as faixas, bebe bem na fonte da música para dançar coladinho – afinal, eram os anos 70, groove mais cadenciado e, claro, um pouco de rock.
Uma das cenas mais clássicas, quando o policial John Wintergreen (vivido pelo ator Robert Blake) se veste para o seu primeiro dia como detetive, após anos como policial da patrulha, é embalada pelos Marcels (irmãos de estilo de bandas como o The Platters), com "Most of All".
Um retrato da banda com os modelitos típicos dos anos 70 serve de inspiração para o personagem, que sai de casa na estica, pronto para barbarizar, mas pouco antes percebe que se esqueceu de vestir as calças.
 
Central do Brasil (1998) – “A música de Jaquinho Morelenbaum é puro lirismo”, diz Ana Maria. O premiado filme do diretor Walter Salles conta com canções originais dos músicos Antonio Pinto e Jaques Morelenbaum, dupla experiente quando o assunto é trilha sonora. 
 
As paisagens áridas do interior do país são acompanhadas por belas melodias, que combinam instrumentos eruditos como o piano e o violoncelo a instrumentos populares, como a rabeca. E quem toca o arco é o rabequeiro Siba, líder do extinto grupo Mestre Ambrósio.
 
Cartaz do filme Central do Brasil, de 1998
À medida que os personagens chegam mais perto de seu destino, a textura da trilha vai mudando e o clássico dá lugar ao som de raiz nordestina. Outro destaque é a canção "Toada e Desafio", do pernambucano Capiba, tocada pelo Quarteto da Paraíba.
 
Diários de Motocicleta (2004) – “Tenho paixão pelo trabalho de Gustavo Santaolalla, e este é um exemplo perfeito”, diz a jornalista sobre a trilha feita para o filme de Walter Salles sobre as viagens de Che Guevara pela América Latina antes de se tornar um guerrilheiro.

O músico argentino toca bateria, guitarra e violão, mas é neste último que sua música cresce e emociona. Conhecido no mundo das trilhas, já compôs para séries de TV como Família Soprano e 24 Horas.

 
Nos cinemas, suas canções estão três filmes de Alejandro González
Iñárritu: Amores Brutos, 21 Gramas e Babel. Os trabalhos neste último e em O Segredo de Brokeback Mountain lhe renderam dois Oscars de melhor trilha sonora.
Seu mais recente trabalho pode ser visto na última produção do diretor brasileiro Walter Salles, Na Estrada, inspirado no livro de Jack Kerouac. Parece que a parceria Brasil-Argentina vai longe.
 
 

 
 
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