Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 24.06.2010 24.06.2010

Thiago Pethit, entre Berlim e Texas

PorVinicius Valente
Foto de Tomás Rangel

> Assista à entrevista exclusiva de Thiago Pethit ao SaraivaConteúdo

Um lugardominado por cabarés misteriosos de uma Alemanha fria e pré-nazista, frequentadopor cowboys encharcados de suor, que, segurando suas doses de whisky, exibemsuas potentes garruchas no melhor estilo Velho Oeste. Por mais mirabolante que pareça,este local existe, perdido no tempo e no espaço dentro da mente do cantorpaulista Thiago Pethit. O som ambiente ora parece de época, ora atual, numamistura influenciada por nomes como Tom Waits,Kurt Weill e Bertolt Brecht, e criada em pleno século XXI. Para conferirdo que se trata, não é necessário voltar no tempo, basta apenas colocar o recém-lançadoálbum Berlim, Texas no CD-Player maispróximo.

“Tinha uma inspiração que poderia ser um universo devaudeville, que eram aqueles teatros bizarros. Conforme as gravações foramrolando, eu sentia que tinha uma parte das músicas com um clima meio de cabaréde Berlim dos anos 1920. Uma ou outra tinha uma cara meio texana, de saloon, demulheres dançando can can. O nome do disco seria Prólogo, mas me soava muito empolado. Fiquei mirabolando nomes e,por acaso, fui numa locadora, olhei para o Paris,Texas [do Win Wenders], e falei: nossa! Berlim,Texas!”, afirma o cantor em entrevista exclusiva ao Saraiva Conteúdo.

Pethit lançou o álbum de forma independente, desembolsando,aproximadamente, 25 mil reais com estúdio, mixageme lançamento, ocorrido no último mês de abril. Produzidopor Yury Kalil, do grupo Cidadão Instigado, o disco conta com tom melancólicode músicas como “Forasteiro”, “Não se vá” e “White hat”. O cantor,formado em teatro, foi morar em Buenos Aires em 2007, com o intuito de estudar literatura,porém acabou sendo levado para o cenário musical. Em 2008 lançou o EP Em outro lugar, já com músicas emfrancês e inglês, além do português, característica presente também em Berlim, Texas.

Tenho muitas referências,entre elas o folk, mas o pop nos anos 2000 engoliu qualquer gênero. Eu não soufolk, não sou caipira, não sou hippie. Eu digo que eu faço pop universalcontemporâneo. Comecei a fazer música porque eu descobri que podia criar um diálogoartístico com o mundo inteiro. Moro no Brasil, o mercado é brasileiro, que falaportuguês, muita gente não fala inglês. Mas música você entende de algum jeito.Você escuta uma música em russo e algo inspira a gente”, afirma.

O cantor faz parte de uma nova geração de cantorespaulistas, juntamente com Tulipa Ruiz , Tatá Aeroplano, Dudu Tsuda e Tiê, com quem fazparcerias em composições e shows. Além disso, ele a considera uma madrinha musical,pois a cantora o ensinou a tocar violão e piano e, segundo o Pethit, o estilo tranquilo das músicas dela o interessava.

“A Tiê já tinha esse trabalho autoral dela desenvolvido etem a ver comigo. É um jeito de dialogar com o mundo que me interessa, essejeito de fazer as letras, esse tipo de sonoridade. É muito engraçado o jeitoque a gente compõe junto. No disco dela, a faixa que se chama ‘Dois’, a letra éminha e dela. No meu EP tem uma ou outra música que a gente fez junto. Derepente a gente está tomando chá, falando da vida e ela diz: ‘Ah, comecei essamúsica e não consigo mais fazer a letra.’ E eu solto uma frase. Parece queencaixa muito naturalmente a letra”, diz o cantor.

Assim como Tiê, Thiago Pethit não se considera um instrumentista.Aprendeu a tocar para poder trabalhar com música e compor. Desde quandoingressou na área, já tinha certeza que não gostaria de ser apenas umintérprete de músicas de outras pessoas. Aos poucos, sua sonoridade foisurgindo, juntamente com suas composições.

“Quando comecei a compor, eu não tocava instrumentos. Asprimeiras três músicas que estão no meu EP eu compus criando uma melodia nacabeça fazendo lá, lá, lá e passando pra alguém tirar a melodia. Aí eudescobri alguns acordes no violão. Essa relação com o instrumentoautomaticamente tornou tudo mais natural. E parece que o mais espontâneo erafalar sobre mim, falar sobre o que tinha me acontecido, contar coisas. Ah, eusou um pouco melancólico mesmo, não tem solução para isso”, conclui.

> Confira o site oficial e o MySpace do músico

> Assista à entrevista exclusiva com Thiago Pethit

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