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Tetris: 30 anos de bloquinhos

Por Míriam de Souza

 
Era plena Guerra Fria em 6 de junho 1984, quando Alexey Pajitnov mostrou ao mundo sua obra-prima. Ele trabalhava no Departamento de Computação da Academia de Ciências Soviética e usou seu primitivo computador Electronika 60 para criar um jogo. Nele, o objetivo era empilhar peças formadas por quatro quadrados – os tetraminós.
 
Junto aos colegas de trabalho, Pajitnov escolheu para sua criação o nome Tetris, uma combinação de “tetraminó” e “tênis”, seu esporte favorito. Seu amigo Vadim Gesasimov adaptou o jogo para o computador IBM, o que facilitou a disseminação do passatempo pela Europa. Em pouco tempo, já era mania entre os húngaros.
 
Depois de algumas versões, o próprio governo da União Soviética vendeu os direitos do game para outras empresas. Como Pajitnov era funcionário público, Tetris foi considerado propriedade estatal – ele não recebeu dinheiro por sua criação até 1996, quando fundou a The Tetris Company.
 
DIVERSÃO PORTÁTIL
 
A explosão de popularidade veio mesmo em 1988, quando o jogo foi exibido na Consumer Electronics Show, em Las Vegas. Lá, ele foi descoberto pelo investidor holandês Henk Rodgers, que tratou de conseguir um acordo com a Nintendo. A companhia japonesa precisava de um título de lançamento para o Game Boy, e Tetris era a opção perfeita.
 
O game tinha tudo que era adequado para um console portátil. Tinha gráficos simples (o que era ideal para a baixa capacidade dos videogames da época) e regras básicas. Não era necessário ser um expert em games para jogar – pais e mães das crianças que possuíam um Game Boy constituíam parte do público. Com suas partidas rápidas, era o título ideal para uma viagem de metrô ou a espera no consultório médico.
 
A companhia japonesa precisava de um título de lançamento para o Game Boy, e Tetris era a opção perfeita
 
Era possível até disputar partidas com um amigo usando o cabo Game Link, que ligava dois aparelhos. Cada jogador precisava ter seu próprio cartucho e usava a tela de seu portátil. Quando um dos competidores conseguia os combos double, triple ou tetris, acrescentava mais linhas à tela do adversário, complicando sua vida. Tetris foi o primeiro título de Game Boy com opções multiplayer.
 
Como o jogo foi criado na União Soviética, foi decidido que haveria uma temática russa. O compositor japonês Hirokazu Tanaka criou três músicas de fundo, sendo a mais famosa uma versão de “Korobeiniki”, uma melodia tradicional da região. A letra original, do século 19, fala sobre o encontro de um  caixeiro viajante e uma moça. Os dois discutem preços de produtos, como se estivessem se cortejando. Fora da Rússia, no entanto, a canção tem apenas um nome: “The Tetris Song”. Outra das composições de Tanaka se inspira nas “Suítes Francesas” de Johann Sebastian Bach.
 
O sucesso trouxe competidores, e logo a Atari fez seu próprio jogo de bloquinhos. Chamado de TET?IS: The Soviet Mind Game, ele tinha a jogabilidade idêntica à do original. O lançamento para o Nintendo Entertainment System causou um processo por violação dos direitos de distribuição. Nintendo e Atari brigaram na justiça por quatro anos, mas a vida de TET?IS nas prateleiras foi menor: o jogo foi removido das lojas em apenas quatro semanas.
 
CLÁSSICO ATUAL
 
Tetris foi o jogo mais vendido no Game Boy. Somando cópias avulsas e distribuídas junto com o aparelho, 30 milhões de cartuchos chegaram aos consumidores. Mas nem por isso o game de três décadas perdeu sucesso em tempos modernos.
 
Há versões renovadas da obra de Pajitnov, como a série Tetris: The Grand Master. Lançados entre 1998 e 2005 para diversas plataformas, os títulos da coleção tinham modos como aumento de gravidade.
 
Um clássico dos videogames
 
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