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Terror na era vitoriana: nova série ‘Penny Dreadful’ chega ao Brasil

Por Carolina Cunha
As ruas escuras, sujas e úmidas da Londres já serviram de cenário para crimes que chocaram a sociedade londrina no final do século 19. Esse ambiente sombrio é o pano de fundo da nova série Penny Dreadful, que se passa na era vitoriana e traz alguns dos personagens mais famosos da literatura, como Drácula, Frankenstein e Dorian Gray, e também personagens da vida real, como Jack, o Estripador.
A produção é a aposta do canal americano Showtime no gênero terror e foi criada por Sam Mendes e John Logan, diretor e roteirista de 007 – Operação Skyfall, respectivamente. Logan escreveu os roteiros de todos os oito episódios da primeira temporada.
No Brasil, o programa estreia no canal HBO no dia 13 de junho, às 22h. Nos EUA, o seriado está fazendo sucesso. A primeira temporada, que está em exibição, registrou uma audiência média de 4,8 milhões de telespectadores. A emissora já confirmou a segunda temporada da série. 
Na trama, o caçador e explorador Sir Malcom Murray (Timothy Dalton) é um homem que está em busca de sua filha desaparecida. Para isso, ele conta com a ajuda de Vanessa Ives (Eva Green), uma mulher misteriosa que possui poderes de clarividência. Os dois recrutam Ethan Chandler (Josh Hartnett), um charmoso americano que apresenta um número de velho oeste num circo e que tem uma mira invejável ao atirar.
Juntos, eles percorrem o submundo de Londres em busca de pistas, cruzando lugares estranhos, como uma alcova de vampiros pálidos que lembram o personagem Nosferatu, do clássico filme homônimo do expressionismo alemão.
Eles também vão conhecer personagens famosos da literatura mundial, como o Dr. Victor Frankenstein (Harry Treadaway) e seu mostro (Rory Kinnear); o conde Drácula e Dr. Van Helsing (David Warner); e Dorian Gray (Reeve Carney), jovem narcisista criado pelo escritor Oscar Wilde.
“Minha avaliação da série é bem positiva, não apenas por conseguir misturar de forma brilhante clássicos da literatura gótica britânica, como por sua estética e seu elenco, com total destaque para Eva Green como a médium Vanessa Ives. No segundo episódio, ela mostra o quanto é talentosa na cena em que realizam uma sessão espírita. Fiquei arrepiada”, afirma a crítica de cinema Raphaela Ximenes.
 
Eva Green como a médium Vanessa Ives
Para a jornalista Ana Campos, a atração chega num momento em que o gênero terror ganha mais força. “Acho que a série pode agradar aos fãs de thrillers psicológicos, como American Horror Story. Existe uma carga dramática que explora os dramas pessoais de cada personagem. Isso tudo aliado a crimes macabros e alguns questionamentos existenciais, como, por exemplo, quais são os limites da ciência e o que nos torna humanos? Fora que dá para levar alguns bons sustos”.
Para escrever os roteiros, John Logan se inspirou nos romances góticos, que foram a base para o horror moderno. “Queria mostrar esses personagens icônicos de uma nova maneira”, declarou Logan em entrevista ao site da Showtime.
 
“Juntar muitos personagens já conhecidos até poderia não dar certo. Mas do jeito que aparecem na série, nada é gratuito, parece que existe uma razão de ser. É possível ver a ‘origem’ de alguns deles. Para quem é fã de literatura e cinema, isso é muito interessante. É como brincar de adivinhar quem é quem e quais referências aparecem em cena”, diz a jornalista.
O nome “Penny Dreadful” refere-se às publicações que foram populares na Inglaterra vitoriana. Eram contos impressos em papel barato que traziam histórias macabras e sensacionalistas ao preço de um centavo. Para Raphaela, o nome não é apenas uma alusão ao gênero que fez sucesso no passado, mas também um ponto importante para entender o fio condutor da trama. 
 
“Tem a trama principal, mas os personagens também passeiam por momentos que lembram esses contos rápidos daquela época, misturando terror, suspense, um pouquinho de gore e muita sensualidade”, completa ela.
 
A série retrata bem o espírito vitoriano, trazendo as descobertas da ciência e o medo do desconhecido que as pessoas tinham naquela época. Era um momento histórico em que o sobrenatural ainda convivia com as novas descobertas. O personagem Ferdinand Lyle (Simon Russell Beale), por exemplo, é um egiptólogo que investiga misteriosos hieróglifos. Já o médico Victor Frankenstein se interessa pela descoberta da energia elétrica e sua relação com a imortalidade. “O homem não vive somente no empírico. Devemos buscar o efêmero, ou por que viver?”, questiona Frankenstein em uma cena de Penny Dreaful.
 

Para Raphaela, esses temas permeiam a literatura gótica, que foi fonte para a série. “Acredito que a modernidade, os avanços científicos e tecnológicos também contribuem muito com esse interesse pelo macabro e pelo sobrenatural, por resgatar um pouco do passado, mesclando ao presente deles. Também vejo essa literatura como uma forma de revolução e crítica à política, aos costumes e, principalmente, à religião. É uma época em que as mulheres não são mais tão donzelas – vide Mary Shelley, que escreveu Frankenstein, um dos maiores clássicos da literatura gótica”.

 
A primeira temporada, que está em exibição nos EUA, registrou uma audiência média de 4,8 milhões de telespectadores
 
 
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