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Sugestões de presente: para dar água na boca

Se você tem um amigo que curte cozinhar, uma boa dica é dar um livro de receitas. Afinal, as chances de ele te agradecer oferecendo uma refeição deliciosa são grandes. E o prato principal pode ter sido criado por um chef renomado como Claude Troigrois, Rita Lobo, Jamie Oliver… 
 
Escalamos a jornalista e responsável pela produção de eventos da Saraiva em São Paulo, Andreia Mayumi, para selecionar os livros desta lista. Ela adora cozinhar, seja para uma turma ou só para ela.
 
Mas, calma, se você tem um amigo que não cozinhar, mas é daqueles que adoram descobrir um novo local para comer, ela também tem dicas.
 
Conheça a seleção da Andreia, que tem indicações para todos os bolsos e paladares. 
 
Claude Troigrois, Globo Estilo
 
Em seu reality de culinária Que Marravilha! (GNT), o chef francês Claude Troigrois mostra que é possível cozinhar bem ou impressionar numa refeição especial mesmo sem ter grandes intimidades com a culinária. Os pratos mostrados na TV têm preparo elaborado e ingredientes sofisticados, o que à primeira vista pode assustar os marinheiros de primeira viagem. Mas de maneira carismática, Troigrois mostra que dedicação e paciência no fogão podem levar a resultados surpreendentes na cozinha. 
 
Nesse livro, ele reúne as melhores receitas do programa feitas por anônimos ou convidados, como Camila Pitanga, Tony Bellotto e Flávia Alessandra. O leitor vai encontrar pratos de preparo acessível e com toque de sofisticação e criatividade do chef francês. 
 
Claude veio para o Brasil na década de 70 e se encantou com o país e os sabores locais. Ele foi um dos primeiros profissionais da gastronomia a usar os ingredientes daqui na criação de pratos gourmet, como o cornichon de quiabo, caviar de tapioca, carpaccio de melancia e babaganoush de jiló. 
 
Rita Lobo, Editora Senac
 
O livro de Rita Lobo é do tipo que dá vontade de deixar na mesinha de centro da sala pra as visitas folhearem. É tanta beleza e delicadeza juntas que é difícil largar a leitura. A apresentação dos pratos, a escolha de louças e apetrechos para compor as fotos e o projeto gráfico do título traduzem um bom gosto incrível. 
 
O esmero presente no conteúdo visual da publicação também fica evidente nas escolhas de cardápio presentes em Panelinha. Rita Lobo propõe uma culinária elegante, mas sem afetação. 
 
Cada receita traz um parágrafo introdutório com uma história ou dica da autora. O tom informal do texto faz lembrar aquelas receitas trocadas na fila do supermercado ou uma conversa na mesa da cozinha ao redor de um bolo assado no final da tarde. 
 
Organizado por Carlos Andreotti, Editora Melhoramentos
 
Ao folhear a obra, é quase possível sentir o aroma de um café recém-coado. Os apaixonados pela bebida vão encontrar nesse livro receitas, dicas de torra e preparo, blends, curiosidades e aspectos históricos do café. 
 
Desde o descobrimento dos primeiros cafezais nas florestas da Etiópia à torra no séc. XV, passando pelo império otomano, Europa, Indonésia, a publicação traça o caminho feito pelo grão até chegar ao Brasil. 
 
Chefs e baristas foram convidados a apresentar receitas usando como um dos ingredientes o café, seja na forma de grão, pó ou bebida. Na lista de criadores constam nomes como: Gordon Ramsay, Isabela Raposeiras, Alex Atala, Rodrigo Oliveira, Janaina Rueda, Ana Luiza Trajano e Benê Ricardo, entre outros. 
 
Jo Takahashi, Editora Melhoramentos
 
O título faz referência à tradicional culinária japonesa onde o sabor tem cor, aroma, textura e é repleto de silêncios. Elegendo o chef Shin Koike como legítimo representante dessa cozinha sinestésica, o livro registra a trajetória do criador do Aizomê, que em 2010 ganhou o título de melhor restaurante japonês pela revista Veja. 
 
Nascido no Japão, filho de pai peixeiro e sushiman, Koike chegou ao Brasil na década de 90. Aqui, soube dar novos usos a ingredientes como o chuchu, que, curtido na cachaça, foi transformado em tsukemono. 
 
Juntando isso à formação clássica na escola da Nouvelle Cuisine e ao forte apego à tradição japonesa, chega-se à cozinha praticada pelo chef. Por esses e outro motivos, sua comida não é óbvia e desafia todos os sentidos. 
 
André Barcinski, Editora Planeta do Brasil
 
Cansado da falácia que se gerou em torno da gastronomia desde que virou modinha, o crítico de cinema André Barcinski resolveu listar lugares de São Paulo onde é possível encontrar comida de ogro. São botecos, sujinhos, restaurantes e mata-fomes sem frescura onde se serve comida boa, em porções generosas e a preço justo. 
 
O roteiro traz indicações preciosas de locais para comer feijoada, dobradinha, PFs, hot dog, lamen, bistecão e frango ao molho pardo, entre outros. 
 
Divertido e despretensioso, o texto de Barcinski cita características para reconhecer um autêntico representante da culinária ogra. Certamente o leitor não estará num desses caso o cardápio do local traga palavras como "nouvelle", "brûlée", "pupunha", "espuma" e "contemporânea". Estabelecimentos que empregam modelos, estudantes de filosofia ou atores também estão fora da lista. 
 
Organizador André Boccato, Cookie Lovers
 
Acondicionado num saco metálico, semelhante ao do tempero pronto do Nissin Miojo Lamen, o livro já anuncia a que veio. Trata-se de uma seleção de receitas que têm como ingrediente principal o macarrão instantâneo criado há mais de 50 anos por Momofuku Ando no Japão. 
 
Para celebrar o aniversário de criação do miojo, foram convidados 14 especialistas de várias regiões do Brasil para desenvolverem receitas a partir do macarrão. Nomes como Morena Leite, Erick Jacquin, Carla Pernambuco e Emmanuel Bassoleil emprestam sua criatividade e personalidade na criação dos pratos. Nas mãos dos chefs, o miojo ganhou um plus e foi combinado a foie gras, queijo chèvre, aspargo, camarão, presunto cru e lagosta. 
 
Organizado por André Boccato, Meu Miojo – Receitas e histórias remete a um velho caderno de receitas manchado pelo tempo e pelo manuseio constante. O projeto gráfico contempla ilustrações delicadas e fonte que imita letra manuscrita. Em vários trechos do livro, no entanto, as letras caídas que lembram caligrafia antiga tornam a leitura mais difícil. 
 
Jamie Oliver, Globo Estilo
 
O chef hiperativo propõe cardápios completos, com execução fácil e rápida. Ele mostra que cerca de 30 minutos na cozinha são suficientes para preparar uma refeição que inclui entrada, prato principal e sobremesa. Jamie apresenta inúmeras opções de menus que vão de refeições vegetarianas a frutos do mar. Destaque para as belas fotos dos pratos e do passo a passo das preparações. O chef surpreende a cada página e, com o resultado final de suas receitas, consegue ser rústico e elegante ao mesmo tempo.  
 
Alguns ingredientes são difíceis de achar no Brasil, como rábano e chirivia, mas é possível adaptar os preparos com os produtos nacionais. Somente um ponto de atenção: se você não tem o ritmo frenético do chef, talvez tenha certa dificuldade com a ordem no preparo dos pratos. O livro tem a didática seguindo o mesmo andamento de Jamie na tevê. Todas as etapas do prato principal, salada e sobremesa são executadas simultaneamente, no melhor estilo “tudo-ao-mesmo-tempo-agora”.
 
 
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