Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 30.11.-0001 30.11.-0001

Steven Soderbergh: um diretor longe do cinema e cada vez mais perto da TV

Por Willians Glauber
 
Pouquíssimos cineastas começaram tão bem na indústria cinematográfica quanto Steven Andrew Soderbergh.
 
O diretor, roteirista, editor e produtor americano conquistou renome por meio do cinema independente e comercial. Logo em seu primeiro longa-metragem, Soderbergh ganhou a Palma de Ouro e uma indicação ao Oscar de Melhor Roteiro Original.
 
E mesmo depois de garantir estabilidade nos bastidores da sétima arte, ele anunciou, em 2011, que após concluir seus dois últimos trabalhos (Magic Mike e Terapia de Risco) deixaria de dirigir produções para a telona.  
 
O motivo? Segundo ele, isso deixou de ser algo divertido e prazeroso.
 
O CALOURO
Essa decisão inaugurou uma nova fase na carreira de Soderbergh, levando-o para uma plataforma que lhe permite ter tempo para produzir algo de maior qualidade: a TV.

No ano passado, sua estreia como diretor de telefilmes foi tão boa quanto seu debute no cinema: o longa-metragem Minha Vida com Liberace recebeu dois Globos de Ouro e 11 prêmios Emmy, incluindo o de melhor direção.

 
“A produção para a televisão vem ganhando muito a atenção do público do cinema, pois há mais possibilidades do que fazer, é menos limitada que a cinematográfica. Grandes diretores de cinema estão migrando [para esse meio]”, enfatiza Marcelo Leme, crítico do site Cineplayers.
 
Em 2014, Soderbergh decidiu se infiltrar nos bastidores de uma série: sua nova empreitada é o drama de época The Knick, que chega ao Brasil no dia 15 de agosto pelo canal Max, às 21h.
 
Na produção, acompanhamos as descobertas e os experimentos do renomado cirurgião John Thackery, um médico pioneiro em plenos anos 1900.
 
Além de ser o produtor executivo do seriado, Soderbergh também é o responsável pela direção dos dez episódios da primeira temporada. Uma oportunidade e tanto para ver na prática todas as suas nuances como diretor.
 
                                                                                                           Mary Cybulski
Steven Soderbergh no set de filmagem da nova série The Knick, que estreia no Brasil dia 15 de agosto. Ela será transmitida pelo canal Max, às 21h
 
O DIGNO DE CONFIANÇA
E a aposta no talento dele é alta: um mês antes da estreia de The Knick lá fora (8 de agosto), a série foi renovada para sua 2ª temporada.

Depois que o episódio piloto foi aprovado, um calhamaço de roteiro com nada menos que 570 páginas teve de ser filmado em 73 dias.

 
Preview da direção de Soderbergh em The Knick:
 
 
O INDEPENDENTE
Esse trabalho hercúleo só poderia ser executado com um filho do cinema independente por trás das câmeras. Soderbergh começou sua carreira como cineasta, dirigindo, roteirizando, produzindo e editando o longa-metragem Sexo, Mentiras e Videotape, de 1989.
 
A partir desse filme, ele ficou conhecido como aquele que deu fôlego e visibilidade ao cinema independente.
 
Sua primeira produção não só foi premiada em Cannes e indicada ao Oscar como também recebeu indicações ao Globo de Ouro e arrecadou US$ 25 milhões – em uma época na qual filmes independentes sequer conseguiam uma bilheteria de US$ 5 milhões.
 
“Soderbergh é o próprio montador e fotógrafo da maioria dos seus filmes. Embora seja uma característica típica do cinema independente, ele mantém esse estilo nas produções de maior orçamento”, explica Régis Trigo, que também é crítico do site Cineplayers.
 
O CINEASTA
Soderbergh já dirigiu 26 longas-metragens (entre eles, a trilogia iniciada por Onze Homens e Um Segredo), sem contabilizar os curtas e os documentários.
 
E mesmo com tantos trabalhos, para ele os únicos nos quais não faria mudança alguma são Irresistível Paixão (1998) e O Desinformante! (2009).
 
                                                                                                               Glen Wilson
Magic Mike foi o penúltimo longa-metragem para o cinema dirigido por Soderbergh
 
Contudo, dois outros lhe conferiram indicações ao Oscar de melhor diretor: Erin Brockovich: Uma Mulher de Talento (pelo qual Julia Roberts ganhou seu primeiro e único Oscar) e Traffic: Ninguém Sai Limpo.
 
As duas produções competiram entre si no mesmo ano, nas categorias de melhor filme e melhor diretor. Traffic recebeu quatro prêmios Oscar, e um deles foi para Soderbergh.
 
“Nesses dois trabalhos, Soderbergh conseguiu passar seu recado, um estilo mais documental em Erin Brockovich e multifacetado em Traffic. São dignos, sinceros, bem acabados e cumprem o seu papel”, analisa Régis.
 
 
Recomendamos para você