Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 13.04.2011 13.04.2011

Star Wars: a saga não para

Por Danielle Motta
Fotos: Divulgação / Fox

Mais de 30 anos se passaram depois que o primeiro filme de Star Wars foi lançado, mas a saga mais famosa do cinema continua a fazer fãs no mundo todo, em ritmo frenético. Muitos deles nem eram nascidos quando o diretor George Lucas escreveu o roteiro de ficção científica com seis horas de duração, contendo histórias épicas de lutas entre o bem e o mal, que se transformou nos seis episódios da série. Entretanto, conhecem tão bem os detalhes de cada um deles, que parecem ter acompanhado de perto a produção cinematográfica desde os tempos em que apareceram nas telonas pela primeira vez.

OS (NOVOS) FÃS

O bancário Rodrigo Pithon, de 28 anos, é um deles. Ele é fã de Star Wars desde criança, quando a franquia ainda era chamada, no Brasil, de Guerra nas Estrelas. Na época, era comum os filmes serem veiculados nas emissoras nacionais, durante a programação vespertina, o que ajudou a conquistar seguidores por aqui. Para ele – que tem todos os filmes e um sabre de luz do mestre Mace Windu –, o que torna Star Wars um clássico é a riqueza da história que a saga se propõe a contar.

“Quando criança, gostava da aventura e da ação. Hoje, já mais velho, o roteiro da primeira trilogia ainda me encanta: um universo complexo, com diversas civilizações alienígenas e o embate entre o bem e o mal, em que a vitória definitiva depende da forma como o bem recupera – ou regenera – alguém antes corrompido. Uma ideia muito pura e simples de que somos responsáveis por nossas escolhas e que podemos sempre recomeçar”, explica Pithon.

Para o administrador de empresas Pedro Barreto, de 36 anos, o fascínio por Star Wars teve início em 1980, ao assistir Uma Nova Esperança, o episódio IV da primeira trilogia – e o precursor. Apesar de ter seis anos na época, o filme o marcou pela ação e pelas aventuras das histórias. “É uma grande saga, um romance com personagens incríveis e narrativas cheias de conflitos familiares complexos, que me atraem. George Lucas é um gênio, as trilogias são realmente sensacionais, talvez só comparadas a Senhor dos Anéis”, declara.
 
Essa devoção está, literalmente, estampada no corpo de Pedro. “Não sei se é loucura, mas tenho metade do braço fechado com tatuagens de personagens de Star Wars. Meu favorito é Boba Fett, que, mesmo sendo pouco marcante na trilogia clássica, por ser sóbrio e misterioso, tornou-se ‘cool’ pelo imenso número de fãs que arrebanhou. Acredito que é por causa disso que George Lucas deu um destaque especial a ele na nova trilogia”, declara Barreto. O administrador também coleciona centenas de itens relacionados à saga, entre filmes, camisetas, pôsteres e jogos, e não pretende parar por aí.

O engenheiro mecânico Danilo Gonçalves, de 37 anos – e fã desde os cinco –, é também é um exímio colecionador. Ele tem mais de mil itens relacionados à série, desde as Action Figures até a memorabilia do filme. A última coleção que começou é a de brinquedos assinados pelos atores que viveram os personagens no cinema – e já conseguiu mais de 50.

O designer gráfico João Victor Dias, de 24 anos, é outro aficionado pelos episódios e tudo que diz respeito a eles. Para ter uma ideia do tamanho dessa admiração, é só enumerar as peças de seu guarda-roupa. São mais de 30 camisetas com os personagens e temas da saga, além de mochilas, bonés, jaquetas, incontáveis acessórios e coleções inteiras de bonecos e brinquedos. “Mas a minha favorita é a fantasia do Darth Vader. Guardo como se fosse um amuleto e, sempre que tenho a oportunidade, dou um ‘jeitinho’ de colocá-la em festas e comemorações”, afirma. Nas estreias de O Ataque dos Clones, em 2002, e A Vingança dos Sith, em 2005, João compareceu no cinema a caráter, no estilo mais autêntico do principal vilão da série.

Façanha semelhante foi feita pelo dentista Cláudio Ferraz Jr., de 29 anos, só que, dessa vez, com um pouco mais de ousadia. Depois de dizer o “sim” na igreja na cerimônia de seu casamento, ele trocou o terno pelo figurino de Darth Vader para aproveitar a festa. “Ninguém acreditou quando me viu entrando na festa fantasiado. Nem mesmo a noiva. Uns acharam loucura, exagero, mas, para um fã, trata-se apenas de uma homenagem. Foi a decisão mais acertada que tive, porque o casamento ficou muito mais animado e descontraído. Os convidados nunca vão se esquecer desse dia”, relembra Ferraz. O fanatismo chega ao ponto de ele já ter assistido, ao menos, 50 vezes cada episódio. “Sei as falas de cor, a sequência das cenas, os detalhes dos cenários e dos personagens e seus movimentos. Não me canso de assistir e, por mais que pareça impossível, não é raro me deparar com algo novo”, completa.
 

PARTICIPAÇÃO

Os seguidores de Star Wars não se limitam apenas a fazer parte de fã-clubes ou de comunidades no Orkut e Facebook. Durante o ano todo, eles se juntam em conselhos, convenções e encontros realizados em vários estados brasileiros para trocar ideias, informações, fotos e produtos, e para interagir com outras pessoas que também nutrem essa afinidade especial pela saga. O Conselho Jedi, por exemplo, formado pelos principais fã-clubes nacionais, está presente no Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná, Distrito Federal, Bahia e Pernambuco. São eles os responsáveis pelo JediCon, um dos maiores eventos de Star Wars do Brasil, que reúne mais de mil pessoas, duas vezes ao ano, em um dia com palestras de críticos de cinema, apresentação de documentários e filmes produzidos por fãs (fan films), exposição de colecionáveis, venda de produtos e um tradicional concurso de fantasias. Na divisão gaúcha existe até uma rádio virtual que só toca temas de Star Wars. 

AMOR PELA ARTE

Mas o que fomenta tanta paixão nesta saga em que a narrativa central está longe de ser um tema original? Apesar de muitos outros filmes também apostarem em duelos dicotômicos, para Pithon, o segredo está na forma como George Lucas recontou a batalha épica, com um cenário inovador para a época e recursos técnicos que ainda hoje impressionam. O carisma dos personagens humanos ou das criaturas fantásticas originárias de diversos sistemas planetários também ajudou. “Na primeira trilogia, não há vilão mais terrível do que Darth Vader. Ele é impetuoso, destrói planetas, mata com frieza e caça os Rebeldes sem qualquer escrúpulo. Entretanto, não é um louco sanguinário, pois vive em constante dúvida sobre suas escolhas e se o que faz é mesmo certo. Na segunda trilogia, Obi Wan Kenobi é o que eu sempre quis ver nos filmes anteriores: um mestre Jedi em seu auge, tanto física quanto mentalmente”, aponta o bancário.

Pedro Barreto acredita que muito do sucesso de Star Wars está no apelo comercial da série. “O tino comercial de George Lucas e o marketing realizado pelo diretor, que é criador do grande merchandising em volta da saga, a fez ser o que é hoje”, opina.

O QUE VEM POR AÍ

Em fevereiro deste ano, foi iniciada a pré-venda da coleção completa em Blu-ray de Star Wars, pela Fox Home Entertainment, que chega em setembro. São nove discos que trazem os seis filmes e mais de 30 horas de conteúdos extras nunca publicados, com cenas excluídas e exploradas de arquivos antigos. A Fox também vai disponibilizar as duas trilogias separadamente em Blu-ray: A Trilogia Original, com os episódios IV, V e VI, e A Nova Trilogia, com o I, II e III.

Há grande expectativa também na conversão de todos os filmes para a tecnologia 3D. O primeiro deles, Star Wars Episódio I: A Ameaça Fantasma, tem previsão de chegar às salas de cinema americanas no dia 10 de fevereiro de 2012.

Independentemente dos motivos que geram essa legião de fãs, o certo é que a Star Wars mania realmente movimenta um dos maiores mercados de itens voltados para uma produção cinematográfica. Ao longo dessas três décadas foram mais de 150 jogos feitos para todas as plataformas de videogames – o primeiro deles, o game Star Wars: The Empire Strikes Back, para o Atari 2600, criado em 1982. Há também uma linha de brinquedos e mais de 100 livros impressos (pelo menos 80 figuraram na lista de Best-sellers do jornal americano The New York Times). Sem contar os desenhos animados, camisetas, fantasias, bottons, eletroeletrônicos e diversos outros itens licenciados, em um negócio de cerca de 20 bilhões de dólares em produtos vendidos em 100 países.

A perspectiva é que essa indústria aumente ainda mais nos próximos meses, pois 2011 e 2012 prometem muitas novidades aos fãs. No mês passado, foi lançado Lego Star Wars III – The Clone Wars, disponível para PC, Xbox 360, PlayStation 3, Wii, PSP, Nintendo DS e 3DS. O jogo traz personagens, histórias, forças e níveis inéditos, que se misturam aos já conhecidos heróis e vilões da série animada e do filme. Sem deixar de lado o humor característico, a versão passou por uma reformulação completa no visual, mas ainda destaca traços das edições anteriores, que, combinados aos novos elementos, garantem maior ação e jogabilidade.

Agora, são mais de 20 missões baseadas na saga e 40 níveis de bônus que incluem todos os The Clone Wars. Além disso, pela primeira vez os jogadores vão lutar com Gor e Zillp Beast, personalizar bases e campos de batalha e criar a própria nave espacial para voar por 16 galáxias diferentes. Também terão à disposição armas e veículos como lançadores de foguetes, navios de guerra, o caça República e o Clone Turbo Tank.

OS EPISÓDIOS DE STAR WARS
Nova Trilogia
I. A Ameaça Fantasma (1999)
II. O Ataque dos Clones (2002)
III. A Vingança dos Sith (2005)

Trilogia Original
IV. Uma Nova Esperança (1977)
V. O Império Contra-Ataca (1980)
VI. O Retorno de Jedi (1983)

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