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Silvia Machete: uma artista singular

Por Bruno Dorigatti.
Fotos de Tomás Rangel

> Veja a entrevista exclusiva ao SaraivaConteúdo

Silvia Machete sempre quis ser cantora. Quando criança, participou de corais na escola, mas ao ver uma mulher em um trapézio decidiu que era aquilo que queria fazer. E fez. Em Paris, para onde havia se mudado ainda menina, largou o curso que estava fazendo para se dedicar exclusivamente ao circo e ao teatro de rua, que na Europa leva o nome de street performance, e tem regras bem particulares. Uma delas, é que não há lugar que seja de alguém exclusivamente, mas de quem chegar primeiro. Outras manhas que aprendeu foi nunca revelar para outros artistas de rua um lugar bem freqüentado e com gorjetas altas. Com seu ex-marido, Clark, um malabarista norte-americano, rodou mais de 30 países, a maioria na Europa, mas esteve também na Austrália, Nova Zelândia e Israel, sempre se apresentando em dupla, seja na rua ou em palcos circenses. Morou em um caminhão, passou perrengue, mas não trocaria por nada. “Me fez aprender a arte do espetáculo, do entretenimento. Foi muito importante. A rua te deixa bem casca grossa. É um mundo muito masculino, eu era uma jovem menina quando comecei a fazer isso”, afirma ela em entrevista exclusiva ao SaraivaConteúdo.

Depois, se estabeleceu em Nova York, onde as performances começaram a contar com apresentações musicais, e Machete soltava voz. “Tinha o show com uma banda e nós dois. Eram três personagens e dois atores. Tinha acrobacia, trapézio, comédia, e eu fazia uma cantora. Foi quando começou essa coisa da cantora. Fazia o maior sucesso, as pessoas elogiavam, ‘você tem que cantar!’, me diziam.”

OS DISCOS

Silvia gravou seu primeiro CD, Bomb of Love. Música safada para corações românticos em 2006 de forma independente. Com produção de Gabriel Pinheiro e Rubinho Jacobina, o trabalho conta com seis músicas de autoria de Silvia, entre elas o já hit “Toda bêbada canta” e “2 hot 2 be romantic”, além de regravações como “Esta noite serenô”, de Hervé Cordovil, “Foi ela”, de Sérgio Sampaio e “Gente aberta”, da dupla Roberto e Erasmo Carlos, e que acabou aproximando a carioca do Tremendão.

Ano passado, lançou Eu não sou nenhuma santa pela EMI, mesmo título do DVD que registra três apresentações da artista em São Paulo e no Rio. O repertório, além das músicas safadas de Bomb of Love, inclui outras músicas compostas por ela, além de versões para “Dr. Sabe Tudo”, de Rubinho Jacobina, “Girls just wanna have fun”, de Cindy Lauper, “Me deixe mudo”, de Walter Franco. O título faz referência ao hit da artista, “Toda bêbada canta”, uma das melhores canções do ano passado.

O SHOW
A conversa de Silvia com o SaraivaConteúdo ocorreu no camarim do teatro Rival, no Rio de Janeiro, no dia em que ela fazia um show misturando canções do primeiro disco solo de Erasmo Carlos,  com canções do seu repertório. Na noite anterior, o Tremendão em pessoa deu o ar da sua graça e cantou junto com ela algumas das canções como “”De noite na cama”” (“”eu fico pensando/ se você me ama e quando””) e “”Agora ninguém chora mais””. 

O clima, o figurino, a luz de cabaré, a voz, os movimentos, seja dançando, cantando, no trapézio, com o bambolê, tudo está no lugar certo. Silvia se diz “workaholic”, e é interessante ver sua atenção a todos os detalhes durante a passagem de som. E realmente impressiona quando, na música “”Pé””, ela rebola com seu bambolê pra cima e pra baixo e ainda aperta e acende um cigarrinho, ou quando sobe no trapézio, canta, se exercita e coloca as pombinhas pra beijar – a de sua cabeça com a que fica lá em cima. Mas afirmar que seria isso o que ele tem de melhor é não se ater à voz, afinadíssima, à bela banda que a acompanha (músicos que tocam em outras boas bandas da atual cena carioca, como Brasov e Do Amor, entre outros), à mise-en-scène retrô que ela consegue produzir em cima do palco, à fina ironia, seja nas letras ou conversando com a platéia, à sedução que consegue provocar. 

Ouvir o disco já é um deleite, mas é nos shows que ela se supera. Acompanhar Silvia Machete em cima do palco é uma rajada de sensualidade, música deliciosa, movimentos contidos, estudados, certeiros. Diversão garantida.







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