Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 04.02.2011 04.02.2011

Seu Jorge e Almaz enfim em casa

 Por Bruno Duarte
 Foto de divulgação

Chega ao Brasil o aguardado álbum de estreia do projeto Almaz, que une integrantes da Nação Zumbi e Seu Jorge. Faz três anos desde que o músico carioca, junto com Antonio Pinto, Pupilo e Lúcio Maia, respectivamente baixista e guitarrista da Nação Zumbi, subiram pela primeira vez juntos ao palco. Foi a partir do convite do cineasta Walter Salles que os músicos se reuniram para gravar uma canção da trilha do longa Linha de passeAntonio já havia trabalhado com o diretor em trilhas de filmes como Central do Brasil e Abril despedaçado. A música escolhida era “Juízo final”, de Nelson Cavaquinho. Depois da participação no filme, o quarteto foi para o estúdio e, naturalmente, começou a “descobrir uma sonoridade juntos”, diz Seu Jorge. “Em uma semana gravamos 18 canções, ao vivo, relax, no estúdio Ambulante, do Antonio Pinto”, completa o cantor, em entrevista coletiva ao lado de Lúcio Maia para o lançamento do disco Seu Jorge e Almaz (EMI). “Cada um produziu individualmente suas partes, quando juntamos tudo é que deu o refresh. Essa foi a surpresa, não teve problema, havia a identificação”, reitera Lúcio Maia. 

No disco, lançado primeiro nos EUA e depois na Europa, a seleta reunião de músicos de São Paulo, Rio de Janeiro e Recife – três grandes pólos de efervescência musical brasileira – dá novas versões para canções de 12 diferentes autores. De Tim Maia, Dorival Caymmi, Nelson Cavaquinho e Martinho da Vila a Roy Ayers, Kraftwerk e Rod Temperton. O repertório traz um pouco das preferências e descobertas pessoais dos artistas. “Ouvíamos vinis tomando cerveja, gravamos muitas outras coisas. Mario [Caldato, produtor do disco] nos ajudou batendo o martelo”, diz Seu Jorge. Quando questionados sobre a maior pérola resgatada no disco, Lúcio Maia é enfático, “‘Pai João’, do Tribo Massahi, que é um projeto que passou em branco, com uma carga forte de música brasileira, mas muito mais africanizada. Passou como algo experimental demais e o Embaixador, líder do Tribo, ficou esquecido. Hoje, por causa da internet, é mais fácil ter acesso a isso”. Seu Jorge completa: “Eu ia falar a mesma coisa, mas também destaco ‘Saudosa Bahia’, do Noriel Vilela. Embaixador tem entrada forte na música brasileira pela questão da África, da religião afro-brasileira, e acabou ficando esquecido por aqui, até porque música no Brasil é gênero de primeira necessidade, se faz muita, ultrapassa até a literatura”. 

Após realizarem duas turnês internacionais, finalmente, Seu Jorge e Almaz se apresentam em terras brasileiras. Eles abrem a programação do Festival Sonoridades, nesta sexta e sábado, 4 e 5 de fevereiro, no teatro do Oi Futuro Ipanema, no Rio de Janeiro. O Sonoridades tem curadoria do jornalista e crítico musical Nelson Mota e apresenta mais três shows de novos músicos que despontaram na cena indie, ao lado de convidados de peso. Na programação, nomes como Cibelle, Thalma de Freitas, Lucas Santtana, Arnaldo Antunes, Karina Buhr, Silvia Machete, Erasmo Carlos e Domenico Lancellotti. 

Depois dos shows no Rio, uma nova apresentação do grupo pelo país é incerta, mas cogita-se outra turnê internacional. Ainda é cedo também para se falar em um disco com canções próprias. Todos os integrantes estão envolvidos com projetos pessoais. Seu Jorge prepara novo disco para o segundo semestre de 2011, Músicas para churrasco – Volume 1, já em casa nova – a Universal Music. Antonio Pinto vai se dedicar aos compromissos assumidos com o cinema; será substituído por Dengue, baixista da Nação Zumbi, que prepara novo disco, também com produção de Caldato. Se foi preciso esperar três anos para ouvir por aqui o disco que se apresenta com genuíno espírito de renovação, vale a pena esperar para ver o que vem por aí. E siga o conselho do carioca Seu Jorge, apontado como ícone de brasilidade na pesquisa do site da rede de notícias CNN, que escolheu as 12 nacionalidades mais cools do planeta, de onde os brasileiros saíram campeões: “Cola na banca que o baralho é bom” – e o barulho também.

 

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