Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 06.02.2013 06.02.2013

Seth MacFarlane: anfitrião do Oscar 2013

Por Fernanda Oliveira
 
No anúncio dos indicados ao Oscar 2013, que aconteceu no dia 10 de janeiro, o público teve uma prévia do que esperar de Seth MacFarlane, anfitrião da cerimônia deste ano. Nesse primeiro compromisso da 85ª edição do prêmio da Academia, ele contou com a parceria da atriz Emma Stone. Foi uma oportunidade para o público brasileiro saber mais sobre o artista, que ainda é pouco conhecido por aqui.
 
Segundo Matheus Bonez, crítico do site Papo de Cinema, o sucesso de MacFarlane veio com a criação da série Family Guy (no Brasil, Uma Família da Pesada, transmitida pelo canal fechado Fox). "Além disso, é coautor das séries American Dad e The Cleveland Show. Mas talvez o trabalho mais conhecido pelos brasileiros seja como diretor do recente filme Ted, no qual ele também dubla e faz os movimentos do ursinho (personagem central da história)".
 
Aqui no Brasil, com certeza, Ted foi o responsável por colocar o nome do artista em evidência, já que houve uma polêmica na qual a produção foi envolvida. O deputado federal Protógenes Queiroz (PC do B – SP) tentou impedir legalmente que o longa continuasse sendo exibido nas salas de cinema do País por supor que fazia apologia ao uso de drogas em uma cena em que o ursinho aparecia fumando maconha. O pedido foi negado pelo Ministério da Justiça, que alegou não caber ao governo censurar o filme.
 
Bonez afirma que MacFarlane é realmente uma figura controversa, já que costuma abordar assuntos que ainda são considerados tabus. "O longa tem essa vertente, como a própria classificação etária indica. É de conhecimento geral que Ted lida com assuntos polêmicos por meio de humor negro, sarcasmo e ironia, marcas registradas do diretor. A cena da maconha apenas aponta uma das questões acerca da personalidade do ursinho, que é irresponsável, não quer trabalhar nem crescer. Trata-se de uma metáfora à imaturidade do personagem do ator Mark Wahlberg, o dono de Ted".
 
A Academia aposta no humor negro de Seth MacFarlane para apresentar o Oscar
 
APOSTANDO NO HUMOR
 
É nítido que há um intuito de levar o humor para a cerimônia de entrega do Oscar. Em 2012, a Academia apostou no experiente Billy Cristal, que já apresentou a premiação outras oito vezes. "Mas talvez seja um humor 'americano demais' e ao qual o mundo como um todo não seja particularmente receptivo", ressalta o crítico de cinema.
 
Chris Rock, Hugh Jackman e a dupla James Franco e Anne Hathaway também foram anfitriões da festa, e todos seguiram a linha de uma apresentação bem-humorada. Mas, para Bonez, faz tempo que não se vê um Oscar realmente divertido. Ele destaca a decepcionante performance de James Franco e Anne Hathaway em 2010, comprovada, inclusive, pela menor audiência em relação aos anos anteriores.
 
"Acredito que a escolha de MacFarlane aconteceu pois os últimos apresentadores não foram um sucesso. Talvez a Academia tenha percebido que seu humor negro característico seja um dos responsáveis pela audiência de vários shows televisivos e pelo sucesso de filmes do gênero. Então, nada mais adequado do que agregar isso ao Oscar, que sempre foi (e ainda é) conhecido por ser conservador demais", explica o crítico de cinema.
 
No entanto, ele acredita que a prévia do artista no anúncio dos indicados foi fraca. "Se continuar no mesmo perfil, não se deve esperar muito além de sonolência e uma expressão blasé no rosto dos espectadores. MacFarlane tem conteúdo para muito mais. Ele precisa melhorar, atendo-se mais ao que é, sem pensar no conservadorismo da cerimônia e, sobretudo, sendo o MacFarlane conhecido por todos. Talvez não agrade de forma unânime, mas, se seguir sua linha, vai fazer o que o público gosta e aguarda, ou seja, cutucar feridas com muita ironia. Espero que ele dê um show de sarcasmo inteligente na cerimônia".
 
 
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