Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 26.12.2014 26.12.2014

Sete lições de vida que encontramos em ‘RuPaul’s Drag Race’

Por Anna Carolina Lementy
Nunca antes na história dos reality shows, destinos haviam sido traçados de forma tão extravagante (e hilária, constrangedora, sensacional…). Quando a já icônica frase “the time has come for you to lipsync for your life” (em português, “chegou a hora de dublar pela sua vida”) é dita, é hora do tudo ou nada. É “shantay, you stay” (algo como “parabéns, você continua na competição!”) ou “sashay, away” (“pegue o seu banquinho e saia de mansinho”).
Não está entendendo nada? A gente explica. Essas são algumas das frases mais famosas de RuPaul’s Drag Race, um reality show comandado por RuPaul Charles, uma drag queen que estourou nos anos 90 e nunca mais deixou de ser popular na cultura gay.
Hoje, graças à atração, RuPaul é amada por gays e heteros, jovens e idosos, homens e mulheres. No programa, que chega em janeiro de 2015 à 7ª temporada, a apresentadora testa os talentos de várias drags de maneiras completamente insanas (alguns desafios contam até mesmo com a assistência de homens em trajes de banho minúsculos).
A ideia é escolher a próxima drag queen da América, uma espécie de substituta à altura de Ru. E quando se está na berlinda, a única chance de se salvar é dublando com ferocidade.
Lembra das “transformistas” do show de calouros do Silvio Santos? É basicamente a mesma ideia, mas aprimorada. Mas o reality não é só engraçado ou irreverente. É também de aquecer o coração e renovar a fé na humanidade.
Assista ao teaser da 7ª temporada:
Aproveitamos esta época de comecinho de ano para separar algumas lições de vida que encontramos em alguns episódios. Olha só!
1. ACEITE-SE
A própria ideia de mostrar homens vestidos de mulheres para o mundo todo já é um bocado revolucionária. Só por isso RuPaul’s Drag Race já mereceria atenção, mas o roteiro da atração vai um pouquinho além e mostra como alguns desses participantes sofreram até conseguir sair do armário e depois usar maquiagem, salto alto e peruca. É preciso ter coragem para ser quem a gente deseja ser, mas vale cada lágrima – e isso fica claro sempre que alguma drag fala de seu passado. Vale prestar atenção: nas conversas entre as drags enquanto elas fazem a maquiagem. Nesse momento, elas falam bastante sobre sua trajetória.
2. AME-SE
Imagine quanta autoestima desliza ladeira abaixo quando uma drag recebe críticas dolorosas dos jurados (eles não são nada bonzinhos) e acaba eliminada? Muita! Talvez por isso, a cada episódio, Ru faça questão de repetir seu mantra “se você não consegue amar a si mesma, como vai amar outra pessoa? Posso ouvir um amém aqui?”. É a deixa para as competidoras gritarem “amém!” em uníssono, numa afirmação de amor-próprio e confiança. Vale prestar atenção: no último minuto de cada programa.
3. TOLERE
Talvez essa seja a principal lição do programa. Ok, é tudo muito engraçado, e isso é ótimo! Mas não é só, e Ru sabe muito bem como mostrar que ainda há uma estrada a percorrer. Toda vez que algum homem se monta, isso é uma forma de relembrar a necessidade de um mundo livre, onde cada um possa ser feliz à sua maneira. Vale prestar atenção: nos desafios em que homens heterossexuais topam se tornar drags por um dia, colocando-se na pele das participantes e conhecendo um pouco de seu mundo fascinante. Quer melhor exercício de tolerância que esse?
RuPaul Charles no dia a dia
4. SEJA FEROZ, MAS SEM PERDER A TERNURA
Poucos programas concentram tantos barracos como RuPaul’s Drag Race – e nenhum tem um desafio que consiste unicamente em zoar as concorrentes. Ainda assim, o reality tem inúmeros momentos fofos. Sim, é uma competição. Sim, vale tudo. Mas, mesmo nesse ambiente hostil, há meios para ajudar e ser ajudada, formar uma irmandade e dar a volta por cima. Se você assistir e de seus olhos não escorrer uma lagriminha, você tem um coração de pedra. Vale prestar atenção: em Bianca Del Rio, uma das drags da 6ª temporada. Amarga. Mas taaaaaão doce!
5. FAÇA AS PAZES
Ru gosta de se definir como uma “reunidora de famílias”. E ela é. Filhos rejeitados pelos pais foram acolhidos de volta mais de uma vez por causa do programa. Sempre que há uma brecha, isso é mostrado (com direito a muito drama). Vale prestar atenção: nos últimos capítulos de cada temporada, quando são exibidos os bastidores dos episódios.
6. BELEZA NÃO É TUDO
A atração é democrática. Existem drags lindíssimas como top models, existem as excêntricas como Sharon Needles (alma gêmea do Marilyn Manson), existem as gordinhas (Jiggly Caliente é a mais engraçada), existem as experientes (oi, Vivacious). É uma grande celebração da diversidade a cada temporada. E todas têm chances de ganhar, por mais “fora do padrão” que estejam. Vale prestar atenção: nesta frase de Sharon Needles, ao ganhar o primeiro desafio da 4ª temporada: “estou tão acostumada a ser uma perdedora que nunca imaginei que pudesse ganhar. Sou uma piada na comunidade drag”.
7. TENHA SEMPRE CARISMA, SINGULARIDADE, NERVOS E TALENTO
Se a própria Ru diz que essa é a receita do sucesso, quem somos nós para discordar? E não se esqueça de uma boa dose de extravagância e elegância! 😉
O elenco da 6ª temporada de RuPaul’s Drag Race. A 7ª deve começar em janeiro de 2015
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