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Séries de TV mais ousadas do que de filmes

Por Edu Fernandes
 
Quem assistiu a RoboCop (Sony) de José Padilha tendo em mente RoboCop – O Policial do Futuro (Fox) reclamou que a violência do filme original foi praticamente abolida na refilmagem. Esse caso chegou a gerar piadas na internet e não é exceção hoje em dia, com os blockbusters mais cuidadosos com cenas violentas, nudez e palavrões nas falas.
Por outro lado, seriados como Game of Thrones (Warner) e The Walking Dead (PlayArte) não são tão pudicos. A televisão tem aberto espaço para esse tipo de conteúdo mais ousado, em uma inversão dos papéis tradicionais de cada meio.
No cinema, essas restrições se dão pois os blockbusters têm como objetivo fazer o máximo de renda possível nas bilheterias. Por isso, a regra do dia em Hollywood é produzir longas que se encaixem na classificação indicativa PG-13, na qual adolescentes podem ir aos cinemas sozinhos.
Salvo raros casos, como Kick-Ass (Universal), os grandes lançamentos não contêm cenas com sangue para se encaixar nessa categoria mais lucrativa. “Eu acho que essa obrigatoriedade é uma bobagem”, diz Thiago Cardim, editor-assistente do site Judão. “É parte de uma onda de politicamente correto que, diferente do que muitos pensam, está tomando conta da indústria do entretenimento há anos. Obviamente, os estúdios querem fazer filmes-família, séries-família, discos-família, mais acessíveis, que permitiriam um público mais aberto, mais amplo”.
 

Cena do filme Wolverine – Imortal (2013)
Para Thiago, a sociedade ocidental é a causa e vítima das consequências desse código de conteúdo. “Por algum motivo, os pais querem levar os filhos, querem liberar seus adolescentes repletos de testosterona, para ver o filme do Wolverine. Mas garantindo que não tenha sangue, nem quando as garras de adamantium, o metal mais resistente do planeta, atravessam o corpo alheio”.
Por outro lado, os seriados não precisam de bilheterias, mas de anunciantes publicitários. “A verdade é que a audiência do cabo sempre foi composta por formadores de opinião, que promovem esses conteúdos diferenciados. Por consequência, você tem anunciantes que têm interesse em anunciar em produtos que vão atingir esse tipo de público”, explica Eliane Munhoz, editora do Blog de Hollywood. “A soma de audiência e interesse do anunciante faz com que as TVs priorizem esse tipo de programação. Isso é uma tendência que se repete agora também com os serviços de download, que estão investindo em produzir sua própria programação”.
 

Cena do seriado Game of Thrones (2011-2014)
A liberdade de conteúdo nos seriados só é possível pelo crescimento da TV por assinatura. “Com a popularização da TV a cabo e do cinema no Brasil, com as comédias brasileiras e blockbusters, além do acesso mais fácil à informação, a diferença entre os públicos vem diminuindo cada vez mais”, analisa Eliane. “É claro que você ainda tem muitas cidades sem cinemas, ainda há o preconceito com as legendas – e com os dublados, por outro lado. Mas cada vez mais gente vem tendo acesso aos dois formatos e gostando”.
Para Eliane Munhoz, as preocupações das produções televisivas devem ser voltadas para a questão da distribuição, e não do conteúdo. “Cada vez mais o público vai exigir lançamentos simultâneos com os Estados Unidos”, atesta. “Já vai longe o tempo em que podia se esperar seis meses pela exibição de uma série na TV. Hoje em dia esse novo consumidor se informa e faz downloads da série, deixando de dar audiência para a TV”.
 
 
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