Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 03.11.2011 03.11.2011

Séries de livros conquistam leitores, mercado e também os escritores

Por Andréia Silva e Carolina Cunha
Lauren Kate, autora da série Fallen
 
Eles invadiram as prateleiras e sites de livrarias, as listas de mais vendidos e correm de mão em mão entre os leitores. De que estamos falando? Das inúmeras sagas em série que, nos últimos meses, entraram como avalanche na vida dos leitores de todos os gêneros. O formato conquista também cada vez mais escritores e editoras.
 
Entre os blockbusters, podemos citar Alyson Noël, Lauren Kate, George R. R. Martin, Rick Riordan e Suzanne Collins. Todos lançaram histórias fantásticas, criaram uma verdadeira legião de fãs que agora espera com ansiedade por cada nova parte de suas narrativas. Sem contar que, devido ao sucesso de público, muitos acabam tendo suas criações adaptadas para a TV ou o cinema. Noël já levou para as telonas a adaptação da série Os Imortais.
 
Kate é a autora de Fallen, que fala sobre um triângulo amoroso envolvendo dois anjos (Cam e Daniel) e uma mortal (Luce). O primeiro romance, que leva o nome da saga, ficou meses na lista dos mais vendidos do jornal americano The New York Times e estourou no Brasil em 2010. O segundo volume (Tormenta) trilhou o mesmo caminho. Ela esteve recentemente no país para lançar a terceira parte da história, Paixão
 
Martin é a mente por trás da saga Crônicas de Gelo e Fogo, considerada a principal fantasia medieval desde O Senhor dos Anéis. Chegou à sua quinta parte – depois de uma longa pausa – e, segundo o próprio autor, ainda deve ganhar mais dois volumes. A série também foi comprada pela HBO.
 
George R. R. Martin, criador da saga Crônicas de Gelo e Fogo 
 
Outra que vai ganhar adaptação, dessa vez nos cinemas, em 2013, é Percy Jackson e o Mar de Monstros, inspirado na série de livros best-seller de Rick Riordan. Os livros de Percy Jackson acompanham as aventuras de um garoto que descobre ser um semideus, filho do deus do Olimpo Poseidon com uma mortal, como na mitologia grega.
 
Rick Riordan, autor da série Percy Jackson
 
"A publicação em série é interessante porque o leitor permanece ligado por vários livros e, quando acaba uma saga, por ele ter se habituado na leitura, continua lendo. É muito comum que um leitor de série emende uma na outra", disse a editora Intrínseca ao SaraivaConteúdo, uma das que mais aposta na publicação desse formato.
 
Até agora, a saga Crepúsculo permanece imbatível na editora, com um total de 5,6 milhões de exemplares vendidos no Brasil. Outros grandes sucessos da editora são Riley Bloom, de Noël, e Percy Jackson, de Riordan.
 
Escritores brasileiros
 
Para dois escritores brasileiros de sucesso nesse modelo, os fatores que definem se uma história será ou não uma série podem variar. André Vianco, autor de O Turno da Noite, só percebeu no meio do caminho que algumas de suas histórias renderiam muito mais do que ele tinha previsto.
 
"Com Os Sete da série dos Vampiros do Rio Douro e com a saga O Vampiro-Rei, as continuações aconteceram. Eu escrevi Os Sete e, ao chegar ao final, percebi que tinha muito mais histórias para criar. Ao final de Bento, da saga O Vampiro-Rei, foi a mesma coisa. Nos dois casos, fiquei com uma vontade enorme de levar a história para frente, mas só faço isso quando sei que tenho histórias de verdade para contar. Já O Turno da Noite eu pensei em formato de série mesmo, três livros curtos formando uma grande aventura”, conta o escritor.
 
Eduardo Spohr, autor de A Batalha do Apocalispe e Filhos do Éden, resolveu lançar esse segundo trabalho segmentado para não deixar o leitor esperando. “A vontade de escrever uma série surgiu para lançar livros em intervalos mais curtos de tempo. Certamente eu poderia escrever Filhos do Éden como um volume único, mas ele só seria lançado daqui a três anos. Dividindo em arcos, posso ter um romance nas prateleiras a cada um ano e meio, mais ou menos, o que é bacana; alimenta o mercado e não deixa os leitores órfãos por muito tempo”, diz o escritor, que planeja de dois a três volumes para a história.
 
Eduardo Spohr, autor de A Batalha do Apocalispe e Filhos do Éden
 
Vianco conta que, ao escrever uma série, o maior cuidado que um autor tem que tomar é “só escrever continuações se realmente tem algo a contar". Para ele, a longevidade da história acaba cativando mais o público "à medida que o leitor vai ficando cúmplice das personagens, de seus anseios, virtudes e até de seus defeitos”. 
 
Davi Guedes, 26 anos, engenheiro de telecomunicações, é um desses leitores cativados pelas séries. Tudo começou com Hobbit, quando ele tinha 12 anos, que o levou ao Senhor dos Anéis, e assim por diante. Hoje tem uma grande coleção de sagas, e não esconde o gosto quando chega ao final de cada uma. "É quando eu finalmente me sinto livre para seguir adiante com a leitura de coisas diferentes", diz.
 
Ele agora está terminando o último livro da trilogia Jogos Vorazes, de Suzanne Collins. Mas não para por aí. "Estou esperando ansioso pelo lançamento do último livro da série Ciclo da Herança (de Christopher Paolini). Li os três primeiros, mas o quarto e último livro só sai nos Estados Unidos em novembro", diz Guedes, sem esconder a ansiedade, sentimento esse que, independente do gênero, todos os ávidos por séries têm em comum.
 
 
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