Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 23.05.2009 23.05.2009

SEM CRISE – O cinema brasileiro terá um ano próspero!

Por Mariza Leão
Foto de Tomás Rangel

Se 2008 foi um ano difícil para os filmes nacionais, 2009 já nos dá motivos para comemorar. E não apenas o cinema brasileiro começa o ano com o pé direito. No Brasil, o mercado como um todo (soma dos filmes nacionais e estrangeiros) apresenta um crescimento em torno de 30%. Ou seja: a crise econômica não abalou a freqüência do público ao cinema, ao contrário. E, pasmem vocês, também nos Estados Unidos o mercado das salas de cinema cresceu!

Muito se discute se a diminuição de público não se refere apenas às oscilações da economia como um todo, mas diz respeito direto à qualidade dos filmes ofertados. E neste sentido, o cinema brasileiro abre neste 2009 um leque de filmes muito promissor.

Vamos lá: O recorde de mais de 6 milhões de ingressos de Se eu fosse você 2, de Daniel Filho, poderia ser um fenômeno isolado, como Meu nome não Johnny, de Mauro Lima, foi no ano passado por ser o único filme nacional a ultrapassar a barreira de 2 milhões de ingressos. Mas o jogo esquentou com a estréia de O divã, de Jose Alvarenga, cujas previsões nos levam a calcular uma soma total de ingressos maior do que 1,5 milhões.

E a boa safra se reforça com as próximas estréias. A mulher invisível, de Cláudio Torres, com Selton Mello e Luana Piovani, com estréia prevista para junho, sugere uma bela carreira se considerarmos a excelente recepção do público ao trailer exibido nos cinemas. E junho ainda trará dois filmes importantes: A festa da menina morta, de Matheus Nachtergaele e Apenas o fim, de Mateus Souza. Matheus e Mateus estréiam na direção com obras marcantes. A primeira causou forte impacto quando exibida em Cannes e em outros festivais. A segunda arrebatou os prêmios de Melhor Filme no voto do público nos Festival do Rio e na Mostra São Paulo.

E em agosto, o jogo ainda esquenta mais com a previsão da estréia de Os normais 2, de Jose Alvarenga. Assim como Se eu fosse você, Os normais 2 aposta na continuação do filme lançado em 2003 e que atingiu 3 milhões de espectadores.

Mas, nem só de comédias vive o cinema brasileiro. Budapeste, de Walter Carvalho, com Leonardo Medeiros e Giovanna Antonelli,é um filme denso como a obra de Chico Buarque em que se baseia. Salve geral, de Sergio Rezende, com Andréa Beltrão, retoma os episódios da ação do PCC na cidade de São Paulo, em 2006, num thriller emocionante. Tempos de paz, de Daniel Filho com Dan Stulbach e Tony Ramos, é uma adaptação da peça de Bosco Brasil, que alcançou enorme sucesso no teatro. Jean Charles, de Henrique Goldan, com Selton Mello, retrata a recente história do brasileiro assassinato pela polícia londrina. Besouro, de João Daniel Thikomiroff, superprodução que narra a história do mito da capoeira no Recôncavo Baiano.

E ainda cabe mais uma comédia, Família vende tudo, com Luana Piovani e Caco Ciocler, direção de Alain Fresnot. E last but not least, High school, musical de César Rodrigues, que vem buscar o público adolescente, o maior freqüentador das salas de cinema.

Paramos por aí? Não. Os documentários abriram o ano muito bem, com a estréia de Palavra (en)cantada, de Helena Solberg e Marcio Debellian, e agora ainda contarão com o reforço de Simonal, ninguém sabe o duro que dei, de Cláudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal, Garapa, de José Padilha, Só dez por cento é mentira, de Pedro Cezar e Moscou, de Eduardo Coutinho, dentre outros. Mais do que seus resultados numéricos, os filmes acima contribuirão de forma decisiva para aproximar o público brasileiro de nossa cinematografia.

Este conjunto de filmes nos permite avaliar que 2009 representará um aumento do “market share” do filme brasileiro no mercado. E isso significa muito, não apenas para nós que fazemos os filmes, mas também para a sociedade brasileira que demonstra valorizar a produção de obras talentosas e competentes, capazes de mobilizar públicos de diferentes extratos sociais.

Creio que performances artísticas e/ou comerciais como as que se apresentam neste ano contribuirão para que se amplie o encontro de nossa cinematografia com o público num processo vigoroso e afetuoso de valorização da sociedade brasileira, de nosso país.

Por esta razão, vamos brindar a um ano que promete ser glorioso.

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