Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 18.03.2013 18.03.2013

Segredos e histórias de fã-clubes

Por Eduardo Lemos e Yuri de Castro
 
No tempo em que se marcava um piquenique (sim, houve um tempo assim), também costumava-se sonhar com uma casa na árvore para, ali, criar um universo voltado a um artista.
 
De Beatles a Elvis, de Roberto Carlos a Menudos, passando até por RPM, várias gerações de adolescentes romperam os anos encontrando-se para trocar ideias sobre um determinado artista, em uma época em que carta era o único meio de se comunicar com os ídolos.
 
Nessa época pré-internet, um fã-clube de respeito tinha de ter uma sede física (podia ser um cantinho do quarto ou o quartinho dos fundos), distribuição de carteirinhas para sócios, jornal ou revista própria e uma capacidade hercúlea de saber tudo o que fosse possível sobre os shows e novidades que aconteciam na carreira do ídolo. Os fã-clubes não queriam, a princípio, reconhecimentos ou privilégios, mas sim celebrar e oficializar sua admiração por aquele artista.
 
Não vamos aqui dar uma de Capitão Óbvio e dizer "Os tempos mudaram". Claro que mudaram. Hoje, basta um tuíte e o seu ídolo pode receber sua mensagem de amor (caso ele não se “embanane” diante de tanto spam via menção no Twitter ou não delegue essa função para a assessoria). Mas a dinâmica de um fã-clube também mudou.
 
Antes confinados a um papel bem restrito, os FCO (como são hoje comumente conhecidos) servem como uma segunda assessoria de imprensa do artista. Tem votação para algum prêmio? Eles estão lá. Alguma polêmica está arranhando a imagem do ídolo? Lá estão eles gerindo a crise.
 
No Dia do Fã (18/03), o SaraivaConteúdo conversou com três presidentes de fã-clubes com perfis diferentes. Colhemos porções generosas de curiosidades, histórias engraçadas e ensinamentos para quem está pensando em montar um fã-clube de seu artista favorito.
 
Conheça a história de André Aiello, do FC Titãs Oficial
 
Nome completo: André Luis Aiello
Quando fundou o fã-clube: 22/08/1988
Idade atual: 41 anos
Cargo: presidente do FC Oficial Titãs
 
Quando começou a admiração pelos Titãs?
 
André Luis Aiello. Em 1986, quando a banda lançou o disco Cabeça Dinossauro. Fernando (co-fundador) e eu nos identificamos tanto que estamos até hoje com o fã-clube.
 
Como surgiu a ideia de ter um fã-clube?
 
André Luis Aiello. Em 1988, resolvemos fundar o fã-clube. Era uma coisa que nem levamos a sério no começo, mas aos poucos começamos a trocar cartas com outros fãs, montamos um quarto na casa do Fernando com o material que começamos a juntar da banda, íamos a todos os shows no interior de São Paulo (perto da nossa cidade natal, Araraquara) e logo depois começamos a aprimorar mais as coisas: fazer as carteirinhas para os sócios, fanzines etc.
 
Como era o modo de atuação do fã-clube?
 
André Luis Aiello. Começamos a publicar o fã-clube em revistas da época – que vendiam muito e tinham uma sessão dedicada aos fã-clubes. Aí chegavam as cartas de fãs querendo saber de shows, de reuniões, de tudo o que se referia à banda.
 
Andre´ fundou o fa~-clube ha´ 25 anos – na foto, ele realiza o sonho de tocar na bateria dos Tita~s
 
Você lembra quantos membros o fã-clube chegou a ter?
 
André Luis Aiello. Chegamos a ter mais de 1.200 associados cadastrados.
 
Como era a relação com os Titãs nessa época?
 
André Luis Aiello. No início, era uma relação de fã e ídolo, totalmente diferente de hoje, em que somos amigos de toda a banda, equipe técnica e produção. Essa aproximação veio, eu acho, porque eles viram que éramos muito dedicados à banda. Então, começaram a chamar a gente para ir para São Paulo participar da audição dos discos antes mesmo de sua gravação. Imagine: fãs ouvindo o álbum dentro da gravadora! Hoje, temos contato telefônico com alguns integrantes, já fomos gravar clipes e DVDs e há muito tempo não pagamos ingresso para entrar nos shows. Hoje temos uma relação de amigos mesmo.
 
Qual a principal função de um fã-clube?
 
André Luis Aiello. Divulgar os trabalhos da banda e os projetos paralelos dos integrantes. Eu vejo como uma troca que a gente faz com a banda, e a retribuição é o carinho deles conosco.
 
O fã-clube existe há 25 anos. Como ele se adaptou à era da internet?
 
André Luis Aiello. Hoje somos casados, temos filhos. Fica tudo mais difícil. A internet nos ajuda muito, pois a comunicação entre os fãs ficou mais fácil e até mesmo o contato com a banda ficou mais rápido.
 
Qual história envolvendo o fã-clube você nunca mais esqueceu?
 
André Luis Aiello. Existem várias! Uma delas foi quando nos chamaram para gravar o clipe da música "Aluga-se", em São Paulo, num casarão que ficava na Av. Paulista. Achamos muito bacana esse convite. Já participamos de tantos programas de TV, gravações, encontros… São vários momentos inesquecíveis.
 
Qual foi a maior loucura que você já fez por eles?
 
André Luis Aiello. Uma delas foi ir ao Rock in Rio II, em 1991. Eu ainda tinha 18 anos. Fui sem ter lugar para ficar, pouca grana no bolso e nenhum conhecimento sobre a cidade. Chegamos lá e dormimos uma noite na rodoviária. Fomos para o Maracanã sem tomar banho, chegando de madrugada para ficar no começo da fila… Deixamos nossos pais loucos de preocupação!
 
 
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