Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 26.12.2012 26.12.2012

Sangue latino: a carreira de Gael García Bernal em espanhol

Por Edu Fernandes
 
Quando não estão nas telas, muitos atores são conhecidos por outros motivos: escândalos, fofocas e afins. O mexicano Gael García Bernal é um caso diferente. Ele é lembrado por seu engajamento político, visível em parte de sua cinematografia, e suas elogiadas interpretações.
 
No dia 28 de dezembro os brasileiros poderão ver mais um trabalho de Bernal, o filme chileno No. A produção conta como foi a campanha política durante o plesbicito de 1988, no qual o povo decidiria se o General Augusto Pinochet continuaria no poder ou se eleições livres seriam declaradas. 
 
Gael vive René, publicitário responsável pelas mensagens televisivas da oposição. Para saber mais sobre o filme, clique aqui.
 
Apesar de ainda não ter completado 35 anos de idade, o ator tem uma longa carreira. Suas primeiras experiências datam de sua infância, quando atuava em peças com seus pais. Antes de estrear no cinema, como muitos outros atores latino-americanos, Gael passou pela televisão durante a adolescência. Um de seus trabalhos dessa época foi exibido no Brasil: a novela O Avô e Eu (1992). Aos 14 anos, Bernal fazia par romântico com Ludwika Paleta, a Maria Joaquina de Carrossel.
 
Gael em cena da novela O Avô e Eu
 
Aos 17 anos, parte para a Europa, onde estudou na Escola Central de Oratória e Drama de Londres. Ele foi o primeiro mexicano a ser aceito na prestigiosa instituição. 
 
De volta ao México, Gael começa sua carreira no cinema. Seu primeiro filme de destaque foi Amores Brutos (2000), dirigido por Alejandro González Iñárritu. Mais tarde, os dois voltariam a trabalhar juntos em Babel (2006).
 
Iñárritu foi apenas o primeiro grande cineasta a dirigir Bernal. Logo em seguida, o ator estrelou E Sua Mãe Também (2001), de Alfonso Cuarón. Na época, o diretor já tinha uma considerável carreira internacional, com filmes como Grandes Esperanças (1998) e A Princesinha (1995).
 
Depois de já ter trabalhado sob o comando de dois dos maiores realizadores mexicanos contemporâneos, Gael começa a atuar em produções fora de seu país, mas ainda em espanhol. São desta fase o drama argentino Vidas Privadas (2001) e a comédia espanhola Sem Notícias de Deus (2001). Pelo último, foi indicado ao Goya, a mais importante premiação da Espanha. De volta ao cinema mexicano, Bernal protagoniza O Crime do Padre Amaro (2002), adaptação do polêmico romance de Eça de Queirós.
 
Cena de O Crime do Padre Amaro
 
Em seguida, o ator arrisca-se em pequenas produções faladas majoritariamente em inglês até encontrar o brasileiro Walter Salles (Abril Despedaçado), com quem faz Diários de Motocicleta (2004) e é indicado ao BAFTA, o Oscar inglês. Essa é a segunda vez em que Gael interpreta Che Guevara – o papel já havia sido dele no telefilme Fidel (2002). Anos mais tarde, ele voltaria a ser dirigido por um brasileiro, mas em inglês em Ensaio sobre a Cegueira (2008), de Fernando Meirelles.
 
Nessa altura, Bernal tinha acumulado certa reputação profissional. Mesmo assim, teve de convencer Pedro Almodóvar (Fale com Ela) de que conseguiria disfarçar seu sotaque mexicano para interpretar um espanhol em Má Educação (2004). Por esse filme, ganhou o prêmio Marcelo Mastroianni no Festival de Veneza, dividido com seu amigo e conterrâneo Diego Luna.
 
Cena do filme Má Educação
 
Em seguida, passa novamente alguns anos envolvido em produções com roteiros falados em outros idiomas até estar pronto para um novo desafio. Em 2007, Gael concretiza sua única empreitada como diretor de longas com Déficit. No filme, ele também interpreta um papel secundário.
 
Ele volta a ser apenas ator em O Passado (2007), do argentino Hector Babenco (Carandiru). A partir deste ponto, Bernal parece encontrar o equilíbrio entre atuações em espanhol com trabalhos em inglês intercalados. O balanço também está presente no teor dos filmes: ele participa da comédia esportiva mexicana Rudo e Cursi (2008) para depois embarcar no drama histórico Conflito das Águas (2010).
 
No futuro o intercalar de trabalhos se mantém. No próximo ano, Bernal vive o boxeador Roberto Duran em Hands of Stone (“Mãos de Pedra”, em tradução literal), filme que conta a relação do lutador com seu treinador. Por outro lado, Gael está confirmado para viver o justiceiro Zorro em uma longa previsto para 2014. É aguardar para ver como o ator se sai em um blockbuster.
 
Veja o trailer de No:
 

 
 
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