Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 22.01.2013 22.01.2013

Sally Field e sua busca por grandes personagens

Por Willians Glauber
 
No filme Lincoln, que estreia no Brasil em 25 de janeiro, Sally Field mostra que, mesmo aos 66 anos, é perfeitamente capaz de se reinventar e continuar surpreendendo o público com a qualidade de seu trabalho como atriz. Quem assistir às cenas de Mary Lincoln, papel de Sally no longa-metragem, nem desconfia o quão trabalhoso foi conquistar a personagem.
 
Sally persegue a história de Mary há muitos anos. A esposa do 16º presidente dos EUA sempre foi um ícone que chamou a atenção da atriz.
 
Quando ouviu rumores de que Steven Spielberg tinha intenções de adaptar a história de Abraham Lincoln para os cinemas (ainda em 2005), Sally fez o diretor saber que ela queria o papel. Naquele ano, Spielberg encontrou Sally em um evento e perguntou se a atriz interpretaria Mary Lincoln no filme. Mesmo extasiada com o convite, ela sabia que não seria nada fácil conquistar aquele papel.
 
A LUTA POR MARY
 
Depois de acertado o roteiro (foram seis anos até que o script ficasse pronto) e de Daniel Day-Lewis ter aceitado o papel de Lincoln, Sally precisava dar um jeito de fazer o teste, pois não deixaria uma personagem como aquela escapar. Mas havia um impasse: Sally é 10 anos mais velha que o ator Day-Lewis, e a esposa de Lincoln era 10 anos mais nova que ele. A atriz telefonou para Spielberg, implorando por uma chance, disse que não havia ninguém mais que pudesse fazer Mary além dela. Mesmo hesitando, o diretor atendeu ao pedido de Sally e agendou o teste.
 
Daniel Day-Lewis viajou da Irlanda para Nova York só para fazer o teste com Sally
 
Depois de feita a audição (um monólogo), Spielberg achou que não daria certo – não enxergava Sally como Mary, ao lado de Day-Lewis. A atriz disse ao diretor que ele estava errado, mas agradeceu e se conformou com a decisão. No dia seguinte,Spielberg ligou para Sally: era um convite para outro teste, desta vez com Daniel Day-Lewis.
 
Day-Lewis, que mora na Irlanda, queria ver Sally como Mary e viajou até Nova York só para o teste. Quando os atores se encontraram – ela caracterizada como a personagem, e ele já com o Lincoln incorporado –, a química foi instantânea.
 
Depois daquele primeiro instante,foram horas de improviso entre o casal Lincoln. Terminado o teste, a caminho de casa, Sally recebeu um telefonema e, pela boca de Spielberg e de Day-Lewis, ouviu que o papel era finalmente seu. “Apesar de ter um currículo premiado, com Oscar por Norma Rae e Um Lugar no Coração, Sally passou um longo ‘inverno’ sem a devida visibilidade na telona, devotando-se a uma linha televisiva.
 
Com Lincoln, ela ganha a vitrine necessária para provar como deixou evoluir seu ferramental cênico, esculpido a partir da década de 1970”, analisa Rodrigo Fonseca, crítico da ACCRJ (Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro) e jornalista do jornal O Globo.
 
ENTRE O CINEMA E A TELEVISÃO
 
Lincoln é apenas o segundo filme de Sally Field desde que ela deixou o elenco da série Brothers & Sisters, cancelada em 2011. O retorno da atriz às telonas foi em 2012, no papel de tia May em O Espetacular Homem-Aranha. Ela fez parte do elenco por causa de uma amiga, a produtora Laura Ziskin, que produz o filme e foi a primeira parceira de Sally quando a atriz produziu longas-metragens. 
 
O papel de Nora em 'Brothers & Sisters' foi muito elogiado pela crítica e rendeu a Sally o Emmy de Melhor Atriz
 
O editor sênior do site AdoroCinema, Roberto Cunha,que também faz parte da ACCRJ, explica a importância da presença de Sally no cinema e na televisão. “Tem um lado bom nela, que é o fato de ser um ‘bicho’ da TV, o que garante exposição por muito tempo. Você olha a carreira dela e vê muitos filmes, mas observe como também são muitas as produções para a telinha. Ela sempre transitou bem entre os dois meios”, diz Cunha.
 
O papel de tia May em 'O Espetacular Homem-Aranha' marcou o retorno de Sally ao cinema, depois de anos somente na televisão
 
Graças à TV, Sally tem oito indicações ao Emmy e já levou três estatuetas para casa. Sua interpretação elogiada pela crítica em Brothers & Sisters, por exemplo, lhe trouxe o Emmy de Melhor Atriz.
 
Sua carreira começou na televisão: com 17 anos,a atriz conquistou o papel de protagonista em Gidget, de 1965. A série foi cancelada depois do primeiro ano, mas os produtores queriam colocar Sally Field de volta à TV. Foi então que criaram A Noviça Voadora. A comédia fez bastante sucesso e durou 3 anos.
 
Sally Field nunca quis fazer 'A Noviça Voadora'; apesar do sucesso estrondoso da série, a atriz conta que foram os três anos mais infelizes de sua carreira
 
Em 1976, Sally descobriu que estavam fazendo testes para a minissérie Sybil, adaptação de um livro que contava a história de uma garota com13 diferentes personalidades. A atriz já havia lido o romance e era apaixonada pela personagem. Para atuar na produção, ela teve que fazer diversas audições, e os produtores não acreditavam que Sally daria conta. Conseguiu o papel só depois de contracenar com a atriz Joanne Woodward. Sybil foi um dos personagens mais desafiadores de sua carreira e lhe rendeu o primeiro Emmy de Melhor Atriz.   
 
'Norma Rae' foi um presente do diretor Marty Ritt a Sally Field, que lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz
 
Sally Field já recebeu dois Oscars de Melhor Atriz, um por Norma Rae, de 1979, e outro por Um Lugar no Coração, de 1984. Em 2013, Sally foi indicada pela terceira vez ao prêmio, agora na categoria de Atriz Coadjuvante, por conta de sua elogiada interpretação em Lincoln. 
 
Assista ao Trailer de Lincoln
 

 
 
Recomendamos para você