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Roteirista brasileiro diz que escrever ‘Infância Clandestina’ foi “um processo intenso”

Por Edu Fernandes
 
Desde a ideia original até a projeção na tela grande, fazer cinema é um processo demorado. Quando a dupla de roteiristas mora em países diferentes e planejam escrever todo o texto juntos, o prazo é dilatado. Esse é o caso de Infância Clandestina, filme escrito a quatro mãos por um brasileiro e um argentino. O título chega aos cinemas brasileiros em 7 de dezembro.
 
“A primeira versão do roteiro a gente escreveu em 2006, então foram cinco anos de trabalho até as filmagens”, disse o brasileiro Marcelo Müller em bate-papo com a imprensa em São Paulo. “O roteiro só era mexido quando a gente podia se encontrar. Aí era um processo muito intenso, depois de um longo período de reflexão”.
 
O longa conta a história de Juan, um garoto argentino, filho de guerrilheiros da época da ditadura. Um diferencial da fita é o uso de animações nas cenas de violência. “Era como se fossem as lembranças que ficaram na cabeça de Juan”, afirmou Marcelo.
 
“As animações ajudam a gente a entrar na cabeça de Juan”, explicou o diretor e roteirista argentino Benjamín Ávila. “O filme é a visão do menino, e a ideia de mostrar a violência física dessa forma foi porque essas cenas já existem, foram feitas em outros filmes”.
 
Juan foi vivido pelo estreante Teo Gutiérrez Romero. “Nenhuma criança do filme atua profissionalmente”, falou Ávila. “Eu trabalho com crianças há muitos anos em programas de televisão”.
 
Benjamín Ávilla (esq.) e Marcelo Müller são fotografados na pré-estreia de Infância Clandestina
 
Depois de um longo processo de seleção para achar o elenco mirim, o desafio do cineasta foi alinhar a atuação das crianças com a dos outros intérpretes. “Era muito forte para os atores profissionais trabalhar com as crianças”, disse Ávilla. Estão no elenco de Infância Clandestina Natalia Oreiro (Meu Primeiro Casamento), César Troncoso (O Banheiro do Papa) e Ernesto Alterio (Chuva).
 
Por tratar da visão de um filho de guerrilheiros sobre a ditadura, as comparações com O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2006) são inevitáveis – os protagonistas são até semelhantes. “Os dois são fisicamente muito parecidos, mas o tom da interpretação é diferente”, destacou Marcelo.
 
A pluralidade de títulos sobre a ditadura, tanto na Argentina como no Brasil, é outro obstáculo conceitual. “A questão da ditadura foi um empecilho para convencer investidores”, afirmou Benjamín. “O cinema, como os livros, têm de falar de nossa história. Isso não dizem para os americanos sobre a Guerra do Vietnã, por exemplo”.
 
TORCIDA HERMANA
 
Infância Clandestina é o candidato argentino na corrida pelo Oscar de filme estrangeiro. A participação de brasileiros deve impulsionar uma torcida local pelo longa, ao lado de O Palhaço, candidato apontado pelo Brasil na disputa. “A gente faz uma bagunça com essa separação”, disse Marcelo. “Infância Clandestina é um filme argentino e também um filme brasileiro”.
 
Além de Marcelo Müller no roteiro, a equipe da fita traz o montador Gustavo Giani (VIPs) e os atores Mayana Neiva (Os Normais 2) e Douglas Simon (Sonhos Tropicais). A atuação de brasileiros em importantes posições é definida pelo roteirista como uma “coprodução criativa”.
 
Mayana Neiva e Douglas Simon interpretam colaboradores dos pais de Juan
 
A parceria é vista com bons olhos pela equipe do filme. “Eu me senti mais latino-americana ao trabalhar em Infância Clandestina”, atesta Mayana. “É um abraço necessário”.
 
“Um problema do cinema latino-americano é que não se vê a América Latina, os filmes são vistos apenas como de um país”, explicou Benjamín. “Se conseguirmos superar essas barreiras, será uma grande vitória cultural”.
 
Veja o trailer de Infância Clandestina:
 

 
 
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