Ramiro Fajuri por Ramiro Fajuri Livros 19.09.2017 19.09.2017

Rony Meisler: entrevista exclusiva com o autor de Rebeldes tem asas

Rony Meisler não segue as regras. Com seu amigo de infância, Fernando Segal, ousou, quebrou paradigmas e voou alto. De uma ideia para a venda de bermudas de praia, chegaram a um negócio que fatura R$ 350 milhões por ano. A marca Reserva, em pouco mais de dez anos de existência totaliza 65 lojas próprias, nove franquias e 1.400 multimarcas revendedoras, empregando mais de 1.200 funcionários diretos.

É essa história de sucesso que é contada pelo próprio Rony e pelo jornalista Sérgio Pugliese no livro “Rebeldes Têm Asas”, da editora Sextante. Em entrevista exclusiva ao Blog da Saraiva, o empresário falou sobre o começo da empresa, a experiência de escrever um livro e deu dicas para jovens empreendedores.

Rebeldes Têm Asas

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Rebeldes tem asas, o livro

Saraiva: De onde surgiu a ideia de fazer o livro?
Rony Meisler: Com o crescimento da marca, tive vontade de escrever nossa história por dois motivos: para preservar a nossa memória e para que os funcionários e parceiros que não viveram conosco nossa primeira década de vida soubessem como foi difícil chegar até aqui. Eu não tinha a menor pretensão de editá-lo para distribuição nacional, mas quando ele ficou pronto, fui estimulado pelos meus sócios a fazer isso, porque no livro entenderam um bom exemplo de que nada é impossível, quando trabalhamos pelos nossos sonhos.

Saraiva: Quanto tempo gastou até decidir quais partes de sua trajetória de sucesso estariam nas páginas do livro?
Rony Meisler: Na real, o que mais demorou foi o período de escrita. Passei dois anos escrevendo o livro. Depois, quando resolvemos editá-lo, convidei o meu amigo e grande jornalista Sergio Pugliesi para organizar o texto. Este processo levou quase seis meses.

Saraiva: Qual é o público do livro?
Rony Meisler: O livro foi escrito para aqueles que querem transformar seus sonhos em negócios. Empreendedores, executivos ou estudantes possuem na história da Reserva bons exemplos práticos de como transformar crises em oportunidades; começar um negócio com pouco dinheiro; ser uma empresa consciente socioambiental e movida por um propósito maior que o financeiro; não entender nada de um determinado mercado pode ser uma ótima vantagem competitiva; pensar e agir como uma startup em todo e qualquer negócio.

Preocupação com o meio ambiente não deve ser “da boca para fora”

Saraiva: De onde veio a ideia de investir em projetos socioambientais, como o Reserva 1p5p? 
Rony Meisler: Nós operávamos diversos projetos socioambientais que apesar do impacto eram difíceis de explicar ao consumidor. Por isso, já há algum tempo eu pensava em lançar um projeto simples e que, de imediato, não apenas fosse compreensível, como também fizesse com que o consumidor participasse conosco na construção de um mundo melhor. Eu fui visitar uma ONG apoiada pela Reserva em Pentecoste do Norte e de lá dei carona para um rapaz morador da região. Resolvi perguntar para ele o que achava que deveríamos fazer e ele disse que pensava em lançar algo relacionado à educação. Foi então que ele me voltou com a frase que mudou tudo para a Reserva: “Quando você está com fome você consegue trabalhar? Você pode montar a melhor escola do mundo, mas se o moleque estiver com fome ele não vai prestar atenção em nada! Você deveria estudar o problema da fome no país”. A partir dali, passamos a viabilizar a entrega de cinco pratos de comida a cada peça de roupas vendida. O nosso Reserva 1P5P. São aproximadamente dez milhões de refeições viabilizadas todos os anos.

Startups e empreendedorismo

Saraiva: Como você vê as startups de universidades brasileiras? Acha que os estudantes do país já entenderam como empreender?
Rony Meisler: As gerações passadas trabalhavam em uma só área de negócios por toda a vida. A nova geração terá vários empregos nas mais distintas áreas. As gerações passadas se orgulhavam de possuir carteira assinada. A nova geração não quer nem tirá-la, prefere o conforto da prestação de serviço ou a liberdade do empreendedorismo. Não obstante, as faculdades brasileiras formavam técnicos em suas áreas e é justamente isso que precisa mudar. Os jovens precisam sair da faculdade não como técnicos, mas enriquecidos com ferramentas técnicas capazes de dar suporte a eles no desafio de resolver os enormes problemas deste novo mundo. O conceito de empreendedorismo é uma novidade sob o ponto de vista acadêmico no país. Mas fico feliz ao constatar que a chave já virou e quase todas as faculdades brasileiras hoje já se movimentam para recuperarem o tempo perdido. Estamos há anos luz de distância de países como os Estados Unidos e Israel em termos de formação. Por outro lado, saindo da teoria e indo para a prática, este é um dos países mais hostis para se fazer negócios do mundo e nenhuma escola é mais eficaz do que o mundo real do empreendedor brasileiro. Quem vence neste país é capaz de vencer em qualquer país do mundo.

Saraiva: É possível ser empreendedor desde a época da faculdade, conciliando estudos e trabalho?
Rony Meisler: O empreendedor é um “solucionador de problemas”. Nesse sentido, conciliar agendas diante dos enormes desafios da carreira de um empreendedor me parece ser o menor de seus problemas. Tempo é uma questão de prioridade.

Criatividade tem fonte

Saraiva: Onde buscar ideias criativas? Tem alguma dica que pode passar para os universitários?
Rony Meisler: Eu sou um leitor patológico. Leio três, quatro livros por mês e pelo menos mais umas 50 revistas e publicações de moda a economia. Eu digo que 99% das minhas ideias vieram da leitura. O outro 1% também veio, mas eu me esqueci de qual. Quando abrimos nosso armário para escolher que roupa usaremos, nosso cérebro faz uma colagem de fotos, filmes e ocasiões nas quais vimos pessoas usando isso com aquilo e com base nessas referências decidimos o que vestir. Portanto, o processo é o mesmo para toda e qualquer ideia. Quanto maior a quantidade de referências, maior será a probabilidade de seu cérebro fazer um remix delas e voltar com uma boa ideia. Portanto, tenho quatro dicas para dar:

  1. LEIA.
  2. LEIA.
  3. LEIA.
  4. SEJA RÁPIDO PARA EXECUTAR AS IDÉIAS QUE VIRÃO DESTE PROCESSO.
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