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Roda de poesia à beira mar é promovida pela Família Real Brasileira em Paraty

 
ESPECIAL
 
 
Por Maria Fernanda Moraes

"Poetas, a árcade está aberta!" – era o vocativo usado pelo mediador a cada declamação para convidar as pessoas a participarem do sarau. O cenário não poderia ser mais nostálgico: a roda de poesia acontece na rua do cais, à beira mar, em frente à Casa da Família Real Brasileira, um sobrado que guarda a arquitetura da época.
O sarau é realizado há oito anos, sempre às sextas-feiras, durante a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP). É organizado pelos artistas cariocas Tavinho Paes e João Luiz de Souza, com a colaboração e patrocínio de Dom João de Orleans e Bragança, herdeiro da Família Real Brasileira, que faz questão de estar presente em todas as edições.
A programação não é divulgada oficialmente, mas o boca-a-boca funciona. Na sexta-feira, 6 de julho, aproximadamente 100 pessoas se reuniram em frente à casa da Família Real para celebrar a poesia. O encontro também não tem um horário definido, mas acontece próximo à meia noite e invade a madrugada.
O sarau tem um nome oficial "Encontro da Academia de Poetas da Amendoeira Imperial" e é feito como antigamente: as pessoas se reúnem em torno de uma fogueira, sob a luz da Lua e na companhia do mar. Castiçais reais enfeitam o 'palco' do espetáculo, que fica no jardim guardado pela amendoeira centenária da família.
Na edição deste ano, o evento teve uma participação especial. Antonio Campos, curador da Fliporto (Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas) foi um dos primeiros poetas a declamar. Em respeito ao homenageado desta 10ª FLIP, Carlos Drummond de Andrade, o sarau foi aberto com um de seus poemas mais famosos – Poema de sete faces – declamado pela poetisa carioca Leila Lobo. Outros personagens fluminenses também foram prestigiar a poesia, como Luisinho Alves, que foi apresentado pelo mediador como “o guardião da estátua de Drummond”, que fica na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.
Mas nem só de sotaques cariocas foi feita a roda de poesia. Um falar mais pausado, no tom do rap, e um poema que exibia prédios, trânsito e falava da solidão – era um paulistano no centro da roda. Fernando Pessoa recitado num tom cadenciado, quase cantado – era uma conterrânea de Itabira que veio participar da festa. Aos poucos, os poetas anônimos iam se manifestando. Os mais tímidos ganhavam incentivos de "Bravo!" da plateia e iam se encorajando cada vez mais.
 
Nas premissas do encontro de poetas está a isenção de regras, apenas o respeito à arte. Os poetas adentram ao centro da roda e exibem poemas próprios ou, então, escolhem seus autores favoritos. Declamações tímidas, performances cênicas, Shakespeare, Drummond ou mesmo poetas regionais do Maranhão. Tudo se mistura nessa noite de poesia anônima promovida pelo sangue azul brasileiro.

 
 
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