Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 21.02.2014 21.02.2014

RoboCop: a assinatura de José Padilha chega a Hollywood

Por Edu Fernandes
 
Em 1987, chegava aos cinemas RoboCop – O Policial do Futuro, e quase 20 anos depois a história do policial Alex Murphy é recontada. Uma das novidades do lançamento é a figura do brasileiro José Padilha na cadeira de diretor. RoboCop estreia no Brasil em 21 de fevereiro.
Padilha foi convidado a trabalhar em Hollywood depois de ganhar notoriedade internacional com Tropa de Elite (2007), que foi premiado no Festival de Berlim, entre outras conquistas. Por essa razão, não é de se surpreender que o cineasta tenha incluído sua marca pessoal no novo filme. Assim, é possível ver características de seus trabalhos anteriores em RoboCop.
A história se passa no futuro, quando o policial Alex Murphy (Joel Kinnaman, de The Killing) está na caçada a um criminoso poderoso (Patrick Garrow, de Nikita). Sua missão é atrapalhada por membros corruptos na corporação, uma característica que foi o tema central da franquia Tropa de Elite (2007-2010).
Para brecar as investigações de Murphy, uma bomba é plantada no carro dele. A explosão o deixa perto da morte, mas há uma esperança: transformar o protagonista em um ser metade homem, metade robô.
A iniciativa é da empresa OmniCorp., interessada em Murphy como um exemplo para validar o uso de robôs no combate ao crime nos Estados Unidos, algo que terá grandes dividendos. Tudo isso será possível pelo esforço de Dr. Norton (Gary Oldman, de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge), especialista na criação de próteses mecânicas, e com a autorização de Clara (Abbie Cornish, de Sete Psicopatas e um Shih Tzu), esposa do policial.
 
Cena do filme RoboCop

O cinema de Padilha como um todo é marcado pela crítica social, como no documentário Garapa (2009), sobre a fome no Nordeste. Em RoboCop, há a corrupção policial, a insaciável sede de lucro por parte das grandes empresas e a solução rasa de combater violência com mais violência, entre outros tópicos.

Nessa listagem, é preciso dar especial atenção ao papel da mídia manipuladora. O apresentador Pat Novak (Samuel L. Jackson, de Django Livre) comanda um programa de televisão que defende uma polícia mais dura e faz de tudo para ressaltar os feitos de Raymond Sellars (Michael Keaton, de Os Outros Caras), CEO da OmniCorp.
 
Samuel L. Jackson é Pat Novak em RoboCop
André Mattos interpreta Fortunato em Tropa de Elite 2

A interferência da mídia na sociedade foi discutida no documentário Ônibus 174 (2002), estreia de José Padilha como diretor. No entanto, a figura de Novak se aproxima mais de Fortunato (André Mattos) de Tropa de Elite 2 (2010). Isso porque os dois apresentadores têm uma visão de mundo semelhante e interesses não revelados.

Nas ficções comandadas por Padilha, toda a história e toda a crítica social teriam o alcance reduzido drasticamente se não houvesse um “pacote” atraente. Essa sedução ao espectador se dá por meio de cenas de ação bem orquestradas, tanto em Tropa de Elite quanto em RoboCop, que prendem a plateia na poltrona.
 
Joel Kinnaman interpreta Murphy em RoboCop
Wagner Moura é Nascimento na franquia Tropa de Elite

Por fim, não é apenas o diretor brasileiro que esta por trás desses filmes de ação. Na equipe de RoboCop estão outros dois profissionais nacionais que também faziam parte do time de Tropa de Elite. A fotografia é assinada por Lula Carvalho (À Beira do Caminho) e um dos editores do longa é Daniel Rezende (Os 3).

Ainda este ano será possível entrar em contato novamente com o cinema de Padilha. O diretor é um dos convidados para participar do filme coletivo Rio, Eu Te Amo, que deve estrear em 12 de setembro. É aguardar para conferir se sua personalidade cinematográfica continuará agressiva na produção.
Veja o trailer de RoboCop:
 

 
 
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