Ramiro Fajuri por Ramiro Fajuri Outros 07.05.2021 07.05.2021

Dia da vitória marca a rendição da Alemanha e fim da Segunda Guerra Mundial na Europa

 

Dia da Vitória é como é lembrado o 8 de maio de 1945, quando o General Alfred Jodl, representando o Almirante Karl Dönitz, líder da Alemanha após o suicídio de Adolf Hitler, assinou a rendição da Alemanha, marcando o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa.

O conflito ainda se estenderia por mais alguns meses na Ásia e Oceano Pacífico, exatamente até agosto de 1945, quando, após os ataques com bombas atômicas às cidades de Hiroshima e Nagasaki, o Japão também se rendeu, oficializando o fim da Segunda Guerra Mundial em todos os frontes.

Mas, diferentemente do Japão, que ainda tinha muitos soldados e até civis dispostos a lutar até a morte, e a infraestrutura relativamente intacta, porque havia pouco tempo que os Estados Unidos haviam conquistado ilhas próximas o suficiente do Arquipélago japonês para realizar bombardeios, a Alemanha havia sido completamente arrasada, terminando o conflito com os soviéticos tomando Berlim.

A queda do Terceiro Reich

O processo que culminou na queda do Terceiro Reich havia começado bem antes de 8 de maio de 1945.  Quando foram derrotados pelos Soviéticos na Batalha de Stalingrado, que durou 8 meses e deixou 2 milhões de mortos. Mas o golpe de misericórdia contra a Alemanha Nazista aconteceu em 6 de Junho de 1944, no Dia D, quando ocorreu o desembarque na Normandia, França, por  tropas norte-americanas, britânicas e canadenses.

Com duas frentes de batalha, a queda do Terceiro Reich era uma questão de tempo.

O avanço dos soviéticos contra Berlim.

A Batalha de Stalingrado foi a mais violenta da Segunda Guerra Mundial. Quando as forças da União Soviética, sob o comando do Major General Vassily Chuikov derrotaram o Exército Alemão, comandado pelo General Friedrich Paulus, a maré da guerra mudou definitivamente. A produção Industrial da União Soviética começou a superar a da Alemanha, assim como a quantidade de novos soldados soviéticos prontos para lutar.

Bem equipados, e  em maior número, os soviéticos iniciaram um lento, mas constante avanço em direção a Berlim.

Além da questão de estarem em maior número, e bem equipados, os soldados soviéticos avançavam contra Berlim com sede de vingança por todas as atrocidades cometidas pelos nazistas durante a Operação Barbarossa, a invasão da União Soviética, iniciada em 1941.

Os soldados do Exército Vermelho

Muitos historiadores militares afirmam que, durante a Segunda Guerra Mundial, a Wehrmatch tinha os melhores soldados e os oficiais mais qualificados. Mas mesmo assim, a Alemanha tinha razões, além do seu tamanho, para temer o Exército Vermelho da União Soviética.

Segundo o historiador britânico Anthony Beevor, para despertar o sentimento de vingança nos soldados soviéticos, comissários políticos sob as ordens do Partido Comunista da União Soviética realizavam encontros em que apresentavam aos soldados listas de familiares mortos pelos nazistas e imagens de destruição de casas pela ofensiva do 3º Reich.

Era provável que no Exército Vermelho os combatentes tivessem mais medo de seus próprios comandantes do que de seus inimigos. Em Stalingrado 13.500 soldados soviéticos foram executados por seus próprios superiores por recuar, o que, na concepção de Stalin era traição.

Além de humilhado e tratado com extrema violência por seus superiores e comissários políticos, os soldados do Exército Vermelho não tinham direito a confortos mínimos, como uma licença periódica, em que poderia matar as saudades de seus familiares.

Resumindo, eles eram estimulados a se tornarem poços de raiva e frustração, que foram descarregados não somente contra os soldados alemães, mas também contra os civis, sem distinção. A quantidade de casos de violência sexual contra as mulheres alemãs durante a tomada de Berlim foi imensa, é até hoje objeto de estudos.

A invasão dos aliados Ocidentais

Após o Desembarque na Normandia, as forçar combinadas dos aliados ocidentais, americanos, britânicos, canadenses e franceses livres  libertou a França e outros países da Europa Ocidental.

Os alemães tentaram reagir na contraofensiva de Inverno, que resultou na Batalha das Ardenas, a mais violenta enfrentada pelos americanos na segunda guerra mundial.  Contando com 610 mil soldados, o Exército Americano teve mais de 80 mil baixas, incluindo 19.000 mortos. Mas não foi o suficiente para reverter a maré da guerra na frente ocidental. E resultou na destruição da capacidade alemã de reagir na frente ocidental.

Porque somente os Soviéticos atacaram Berlim

Entre 4 e 11 de fevereiro de 1945 os 3 grandes, como eram chamados Josef Stalin, Winston Churchill e Franklin D. Roosevelt realizaram a Conferência de Yalta, na cidade de Criméia com o mesmo nome, e decidiram a repartição da Europa em zonas de influência a Leste e a Oeste, o que futuramente resultaria na divisão da Europa entre países capitalistas e socialistas, criando o que viria a ser o cenário da Guerra Fria.

Esses acontecimentos futuros alimentaram teorias e  especulações sobre as razões da decisão de Eisenhower de não avançar sobre Berlim, como por exemplo, a de evitar o possível início de um confronto entre americanos e soviéticos se os dois exércitos se encontrassem ainda no calor da batalha.

O historiador Cesar Campiani, em depoimento para o Blog da Saraiva, coloca uma opinião muito diferente a respeito. Para ele, a decisão de Eisenhower foi iminentemente militar, baseada na realidade da guerra naquele momento, não em circunstâncias políticas que sequer estavam colocadas naquele momento.

Segundo Campiani, o (alto) número de baixas que os soviéticos sofreram na conquista de Berlim, o último reduto alemão, era algo que os americanos previam , porque o combate urbano é uma das operações mais difíceis da guerra.  E a Wehrmacht, mesmo em seus últimos momentos, ainda tinha um poder de combate significativo dentro da cidade.

Campiani lembra também que a decisão de Eisenhower levava em conta que os Estados Unidos após o fim do conflito na Europa, teriam que lidar com a provável invasão do Japão, e a questão do recompletamento das divisões era um problema estratégico muito sério, que influenciou até envio de tropas para a Guerra do Pacífico.

Outro fato que alimenta teorias conspiratórias é que o General George Patton, um herói de guerra e anticomunista ferrenho, havia afirmado que após derrotar os alemães, os americanos deveriam atacar os soviéticos, o que seria mais uma razão para impedir que os dois exércitos se encontrassem ainda em combate.

César Campíani também não acredita nessa versão: Segundo ele, além de uma decisão dessas não caber a um general de 4 estrelas, como Patton, além de soldados os americanos não teriam suprimentos suficientes para iniciar um conflito contra os Soviéticos na Europa, em 1945.

Finalmente, o historiador relembra que os americanos pediram aos soviéticos que invadissem o Japão, o que seria uma comprovação de que não somente estavam preocupados com uma provável campanha terrestre no Japão, como ainda consideravam Stalin um aliado.

O Suicídio de Hitler e o fim do Terceiro Reich

A guerra já havia terminado em outros frontes europeus, como na Itália. Hitler, porém, não somente se recusava a se render, como não permitia que o que havia restado de seu exército o fizesse, prolongando o sofrimento de seus soldados e do povo alemão.

Ao se ver sem saída, com medo de ser capturado com vida pelos soviéticos. Adolf Hitler e sua amante, com quem havia acabado de se casar, Eva Brown, cometeram suicídio, no que foi imitado por seu Ministro da Propaganda, o infame Joseph Goebbels e sua esposa, Magda Goebbels, depois de, em um último ato de fanatismo, envenenarem seus 6 filhos, para que não vivessem em um mundo sem o Nazismo.

Outros membros proeminentes do Partido Nazista, cúmplices de Hitler em seus crimes e atrocidades, como o genocídio praticado contra o povo judeu e outras minorias também não escaparam.

Heinrich Himmler –  O famigerado organizador da Solução Final, o criador da Organização Paramilitar SS, ao final da guerra havia tentado negociar em segredo conversações de paz com os aliados. Descoberto e destituído por Hitler, que mandou prendê-lo, tentou fugir e foi capturado pelos britânicos, cometendo suicídio com veneno.

Hermann Goering – O comandante em Chefe da Luftwaffe, a Força Aérea Nazista e Reichsmarschall, o equivalente ao segundo posto na hierarquia da Alemanha Nazista e pretenso sucessor de Hitler, foi capturado e levado a Julgamento no Tribunal de Nuremberg, onde foi considerado culpado de crimes de guerra e condenado à morte por enforcamento, escapando da sentença cometendo suicídio na cela, com cianeto,

Martin Bormann  – Chefe da Parteikanzlei , a Chancelaria do Partido Nazista, Bormann também se suicidou. Mas como seu corpo, que só foi localizado e identificado em 1972 não havia sido encontrado na época , foi julgado in absentia do Tribunal de Nuremberg e condenado à morte por enforcamento por crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Albert Speer – Arquiteto-chefe e ministro do Armamento da Alemanha Nazista, foi julgado em Nuremberg, mas conseguiu enganar a todos, com a versão de que apenas cumpria o seu dever como um bom alemão. Escapou da pena de morte, mas foi sentenciado a 20 anos de prisão, que cumpriu em Spandau. Quando saiu, ficou rico escrevendo livros como Por Dentro do III Reich, que se tornaram best selllers.

Ironicamente, Albert Speer conseguiu fazer colar a mentira de que era um bom nazista, ou um nazista bom. Morreu de causas naturais em Londres, em 1981, um ano depois que a versão de que não tinha culpa no Holocausto começou a cair.

A Rendição da Alemanha

Ironicamente, nenhum desses homens de confiança de Hitler foi nomeado seu sucessor. A responsabilidade de governar um país que já estava arrasado e comandar forças armadas que já não existiam coube ao Almirante Karl Dönitz , que delegou ao marechal Alfred Jodl a tarefa de assinar a rendição da Alemanha e encerrar definitivamente a Segunda Guerra Mundial no continente Europeu.

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