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“Recorri a Sabino por minha relação como leitor”, diz diretor de ‘O Menino no Espelho’

Por Edu Fernandes
Muitos autores brasileiros dedicam parte de sua obra aos pequenos leitores. É o caso de Fernando Sabino, cujo livro O Menino no Espelho (Record) ganhou adaptação cinematográfica que estreia em 7 de agosto.
O filme conta a história de Fernando (Lino Facioli, de Game of Thrones), que consegue fazer seu reflexo no espelho ganhar vida. Assim, o garoto pode curtir a vida enquanto a cópia cuida da parte chata, como a escola e a cobrança dos pais. O elenco traz Mateus Solano (Confia em Mim), Regiane Alves (Zuzu Angel), Laura Neiva (À Deriva), Ricardo Blat (O Amigo Invisível) e Gisele Fróes (Riscado).
O diretor e roteirista Guilherme Fiúza Zenha (5 Frações de uma Quase História) conversou com o SaraivaConteúdo sobre O Menino no Espelho (Downtown/Paris), sua relação com o autor e os desafios de se lidar com atores-mirins.
 
 
Como foi que se deu a decisão de adaptar um texto infantil de Fernando Sabino?
Guilherme Fiúza Zenha. Eu estava buscando por um texto infantojuvenil para adaptar para o cinema. Nessa busca, recorri ao Sabino por causa da minha relação como leitor desde a infância, com a coleção Para Gostar de Ler e outras fontes. No entanto, só fui conhecer O Menino no Espelho por intermédio da minha ex-esposa, que o tinha lido e encontrou um exemplar em um sebo. Eu não conhecia o texto porque quando o livro foi lançado eu já tinha 15 anos de idade e estava mais interessado em política do que literatura.
Por que é tão difícil lidar com elenco infantil?
Guilherme Fiúza Zenha. A atuação de crianças é uma preocupação forte da minha parte. Eu já tinha trabalhado com elenco infantil em seriados para televisão e tenho a sensação de que a atuação de crianças é tratada no Brasil como algo muito inocente. Assim, o resultado fica ruim porque há um desmerecimento da inteligência desses atores.
 
O diretor Guilherme Fiúza Zenha conversa com Lino Facioli
Como foi a seleção dos garotos?
Guilherme Fiúza Zenha. Quando começamos a produção, planejamos um ano apenas para produzir o elenco. Nesse processo, preferi escolher crianças sem experiência em atuação, antes de decidir usar Lino Facioli como protagonista. Fizemos milhares de entrevistas e, pelas respostas das crianças, separamos 400 candidatos para as dinâmicas. Aí fomos afunilando até as seis crianças que atuam com o Lino.
O que o fez mudar de ideia e usar um ator profissional como protagonista?
Guilherme Fiúza Zenha. No grupo final, tínhamos duas opções para o papel de Fernando, mas eu não estava totalmente satisfeito. Então avaliamos o Lino, que eu tinha visto em Game of Thrones e na comédia O Pior Trabalho do Mundo, em que ele está muito pequeno. Minha maior preocupação era de ele não ter crescido demais. Hoje, aos 14 anos, ele não poderia mais desempenhar o papel.
 
Lino Facioli é o protagonista de O Menino no Espelho
 
Qual a importância do elenco adulto para o filme?
Guilherme Fiúza Zenha. Eu escalei atores famosos primeiramente porque precisava de visibilidade, mas o Mateus é meu amigo desde antes de fazer o Félix em Amor à Vida. Eu acho que o cinema nunca deu muito espaço para ele fazer bons personagens, e ele se parece fisicamente com o Fernando Sabino jovem – isso me fez querer Mateus no filme. Depois, eu queria atores com experiência, porque eles funcionam como escada para as crianças. Então eu também precisava de atores que conseguissem se por nessa posição. No final, os atores adultos facilitaram meu trabalho no set.
A lei da TV por assinatura ajuda a produção de material para o público infantil?
Guilherme Fiúza Zenha. Na nossa produtora, estamos criando um núcleo exclusivo para o mercado infantojuvenil, desde seriados até reality shows. Eu vejo a lei com bons olhos, mas temos muito a construir ainda. Quando [uma conversa] cai no tema infantojuvenil, fala-se de formação de plateia, mas não de fomento para a produção de material para essa faixa etária. Na TV aberta, praticamente não existe mais programação infantil. Na TV a cabo, a maior parte dos programas vem de fora, e aí a lei abre espaço para a produção nacional, porque os canais têm públicos específicos.
 
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