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Raio-x da série ‘O Mundo de Edena’, a odisseia de Moebius

Por Andréia Martins e Carolina Cunha
Qual é a hora certa de começar a ler uma história publicada em série? Bem, alguns diriam que quanto antes, melhor, e outros, a qualquer hora após a publicação completa, para você não ficar sofrendo com a espera pela continuação da trama.
Para quem é fã de quadrinhos ou é curioso a respeito da obra do francês Moebius (1938-2012), talvez o melhor momento para começar a folhear as páginas da HQ O Mundo de Edena (Nemo) seja agora. 30 anos após ter sido publicada na França, a série – que até 2013 ainda era inédita no Brasil – chega ao seu 4º volume, dos seis que compõem a história. Abaixo, veja o raio-x da coleção:
Como tudo começou: a série Mundo de Edena foi criada no início dos anos 1980, a partir de uma encomenda feita pela Citroën a Moebius. A empresa queria fazer algo novo para seu brinde de final de ano. A história ganhou sobrevida e tornou-se uma das tramas mais longas do francês, a sua “Odisseia”, na qual trabalhou entre 1983 e 2001.
Por que ler: por ter sido um trabalho encomendado que tomou outra direção. Pelo tempo dedicado ao trabalho, acompanhamos um Moebius diferente a cada etapa, guiando a história na intuição, como ele mesmo dizia: “Nunca sei muito bem para onde vou, e a coisa sai bem acabada”.
Quem pode gostar: leitores de Sandman (Neil Gaiman), das HQs do suíço Frederik Peeters (Comprimidos Azuis, Castelo de Areia, Aâma – O Cheiro da Poeira Quente), sci-fi em geral e de Star Wars.
A história, temas e referências: a sinopse pode deixar muita gente confusa: “a pirâmide é uma nave-estrela viva, encarregada de transportar uma amostra completa de todos os seres pensantes desta galáxia. E qual será o destino dessa pirâmide?”. Os livros trazem referências aos mitos bíblicos de Gênesis, ao Jardim do Éden de Adão e Eva e a memórias autobiográficas (no primeiro volume, o defeito de uma nave espacial deve-se à falta de “manutenção psíquica”: o drama de um menino que teve seu submarino quebrado. Bem, o submarino existiu mesmo. O autor ganhou um dos pais num Natal, mas acabou perdendo o brinquedo). É uma série sobre descobertas e iniciação, questões de gênero, crenças, a força do inconsciente, opressão e poder em um tempo pré-tecnológico.
 
Os dois primeiros volumes da série O Mundo de Edena
Os personagens: “Tinha vontade de fazer uma história que me pusesse em contato com o mundo dos robôs, dos mecânicos, das pessoas que mexem com máquinas”, disse o autor sobre a obra. Não à toa, os dois personagens centrais da história são Stel e Atan, mecânicos de naves espaciais que narram e vivenciam as aventuras da série.
Os volumes: dos seis volumes, quatro já foram publicados por aqui: Na Estrela (uma obra aberta com diferentes histórias, na qual o leitor pode imaginar qualquer rumo), Os Jardins de Edena (Stel e Atan chegam ao planeta Edena, um paraíso à primeira vista, mas que se mostra um território bem mais perigoso), A Deusa (livro mais focado em Atan e que nos leva a um labirinto de reflexões sobre nossos valores) e o recém-lançado Stel (o aventureiro trava uma busca pelo companheiro). Como a história é cronológica, os livros devem ser lidos na ordem. Os dois volumes finais devem sair até o final do ano.
Veja imagens do primeiro volume da série, Na Estrela:
 
 
O que diz quem já leu: “Eu diria que sempre vale a pena ler e ver Moebius. Acho que tanto nos roteiros quanto nos desenhos ele tenta nos provocar a ver as coisas de outra forma e – apesar de ser um termo batido – expandir a consciência. Edena, em específico, é interessante porque, ao longo dos seis volumes, Moebius ficou brincando com ideias e com estilos de desenho ao seu bel prazer. Ele levou uns 18 anos para fazer, e tudo leva a crer que não tinha plano nenhum do rumo que a série ia tomar. Ou seja, é um acesso à cabeça do artista em diferentes épocas. E o legal é que não é qualquer cabeça: é a cabeça do Moebius” – Erico Assis, jornalista, tradutor e especialista em quadrinhos.
Sobre o autor: Jean Giraud nasceu em Nogent-sur-Marne, na França, em 1938, e começou a desenhar HQs aos 18 anos. Em 1963, deu vida ao pseudônimo Moebius. Entre seus trabalhos estão as HQs Blueberry, Arzach, Garagem Hermética, O Incal e a participação na revista Metal Hurlànt. Seus traços influenciaram a estética de uma infinidade de ícones da cultura pop, como os filmes Star Wars, Blade Runner, Tron, Alien, O Quinto Elemento, e livros como Neuromancer, clássico do cyberpunk. Foi parceiro de Stan Lee na criação da HQ do Surfista Prateado (Marvel). Morreu em março de 2012, em Paris.
 
Os volumes 3 e 4 da série O Mundo de Edena, de Moebius
 
 
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