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Rafael Albuquerque, entre heróis e vampiros

Por Andréia Silva

O quadrinista gaúcho Rafael Albuquerque já é um dos preferidos de editoras gringas como a DC Comis e Marvel.
 
Vivendo entre super-heróis e vampiros, foram estes últimos os responsáveis por lhe dar um Eisner Award, no ano passado, pela série Vampiro Americano.
 
A revista mensal, publicada pela DC/Vertigo nos Estados Unidos e pela Panini no Brasil, foi eleita a melhor nova série e traz ilustrações de Albuquerque, com roteiro de Scott Snyder e Stephen King.
 
No próximo dia 8 de maio, o ilustrador estará na SaraivaMegastore do shopping Ibirapuera, em São Paulo, para o lançamento especial da revista.
 
No entanto, antes de chegar às gigantes dos quadrinhos, o ilustrador brasileiro ingressou no mercado egípcio. Isso mesmo. Para muitos, pode até parecer um caminho diferente no caso dos quadrinistas brasileiros, mas outros também começaram pela mesma editora que Rafael, a AK Comics, a primeira a produzir histórias de super-heróis para o mundo árabe.

O gaúcho conta que não vê muita diferença entre o trabalho feito para a AK Comics, lá no início dos anos 2000, e depois, para as editoras americanas.

 
“A verdade é que não sentimos tantas diferenças assim. Nosso editor era americano e o dono da editora era egípcio, mas mora nos EUA. Basicamente, esses quadrinhos eram versões egípcias dos super-heróis mais conhecidos dos EUA, como Superman, Mulher Maravilha, Batman e Conan. As únicas restrições que eu lembro eram sobre mostrar as barrigas ou pernas das meninas nuas”, conta ele.
 
Vampiro Americano vem para consagrar, de certa forma, esses quase dez anos de carreira internacional de Albuquerque, que passou a ser creditado como coautor da história.
 
A série fala sobre uma suposta evolução dos vampiros ao longo dos anos; essa evolução acompanha diferentes partes da história dos Estados Unidos, o que permite que Albuquerque utilize diversas referências para compor os desenhos.
 
“Meu objetivo em Vampiro Americano é tentar aproximar o leitor do que estava acontecendo na época de cada história. Faço isso buscando referências em pinturas, filmes, música e até propagandas do passado, e tento agregar esses elementos ao meu trabalho. Enquanto desenhava Death Race, uma história que se passa nos anos 50, me condicionei a ouvir apenas música daquela época enquanto trabalhava para entrar naquele clima. Acho interessante fazer esse tipo de experiência”, diz.
 
Mesmo com a agenda lotada por conta dos trabalhos internacionais e a intensa ponte aérea – seu estúdio é em Porto Alegre, mas ele passa boa parte do tempo viajando – o gaúcho arrumou tempo para produzir dois trabalhos de sua autoria: Mondo Urbano, feito em parceria com Mateus Santolouco e Eduardo Medeiros, e Tune 8, o primeiro trabalho solo de Albuquerque fazendo roteiro, desenho, cores e letras.
 
A primeira conta a história de uma estrela do rock, enquanto a segunda, publicada primeiro em um grande portal brasileiro na web, fala sobre a jornada de Joshua, um viajante do tempo. Mas para ele, no quesito autoral, não há divisão entre seus trabalhos independentes e os internacionais.
 
“Considero que tudo é meu trabalho. Certamente tenho um carinho muito especial por Mondo Urbano e Tune 8 por serem independentes, mas é importante ressaltar que, apesar de ser para uma editora grande, Vampiro Americano também é autoral, pois sou cocriador, juntamente com o Scott. Fora isso, fiz algumas coisas para o Batman, que, óbvio, é uma grande franquia, mas meu trabalho foi bem pessoal, pois (em projetos diferentes) tenho desenhado e escrito o personagem”, diz Albuquerque.
O ilustrador Rafael Albuquerque
 
A parte 2 da história Tune 8 está sendo preparada ainda para este ano, também na versão online. Para Albuquerque, os quadrinhos online dificilmente substituirão os impressos, funcionando mais como “opção” para os autores.
 
Batman por Rafael Albuquerque
Embora transite bem como ilustrador entre heróis e vampiros, ele diz aproveitar o tempo livre para ler outras coisas.
 
”Como leitor, tenho procurado coisas bem diferentes desses dois gêneros, especialmente por lidar com eles diariamente. Tenho lido boas coisas independentes e outras graphic novels. Gostei muito de Asterios Polyp, e recentemente reli Tom's Bar, do meu artista favorito, Ivo Milazzo”, diz o ilustrador.
Agora, Rafael está trabalhando em mais uma história de Vampiro Americano, intitulada The Black List, que para ele, “é a melhor história até agora”.
“É uma daquelas histórias que mudam a série para sempre. Quanto ao Batman [Albuquerque está escrevendo roteiros para a DC com o personagem], eu escrevi uma história para um projeto bem legal, no qual o Rafael Grampá e outros quadrinistas sensacionais também estão envolvidos. Não posso falar nada ainda, mas vai ser um dos grandes projetos do Batman para 2013, e eu mal posso esperar para começar a desenhar”.
 
Até lá, ele estará na torcida pessoal para levar um dos cincos prêmios HQ Mix, a maior premiação de quadrinhos do Brasil, em que concorre este ano como desenhista nacional, destaque internacional e, pelo projeto Tune 8, a edição especial nacional, publicação independente de autor e web quadrinhos. Qual desses prêmios ele gostaria de receber se pudesse escolher?
 
“Que difícil! Ganhar um HQ Mix por qualquer categoria seria uma honra, e com os talentos que estão concorrendo comigo não sei se conseguiria escolher, mas seria muito legal se a Tune 8 levasse alguma coisa. É a primeira vez que escrevo uma HQ sozinho, e sempre fui muito inseguro com isso. Fazer essa HQ foi um divisor de águas”.
 
Lançamento do HQ Vampiro Americano, Panini Books, com Noite de Autógrafos com Rafael Albuquerque, ilustrador da obra
Onde: Shopping Ibirapuera – SP
Quando: 08/5 às 19h
 
 
 
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