Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 30.05.2014 30.05.2014

Radar Saraiva: conheça a arte urbana de L7m

Por Priscila Roque
Um local abandonado ganha fôlego com um painel que reflete a beleza da vida. Um muro esquecido serve de suporte para questionar a desordem da cidade. São diversos os cenários que esse artista brasileiro escolhe para dispor suas obras e fazer da pintura também seu ofício. “No começo foi bem difícil. Acredito que as pessoas demoram um pouco para aceitar o novo e o diferente”, comenta.
Natural do interior de São Paulo, Luis Martins optou por não vincular sua imagem à arte que desenvolve. Prefere que ela siga um caminho próprio somente em conjunto com a sigla que criou para perpetuá-la profissionalmente: L7m.
O contato de L7m com a pintura veio ainda na infância, mas foi aos 13 anos que conheceu o spray. Hoje, aos 26, alcançou um estilo autêntico e muito próprio, com a geometria e as cores que carregam sua marca. “Coloquei a pintura como profissão, nunca como um hobbie. Sempre me vi vivendo disso, até mesmo antes de eu não vender nada”, revela.
O SaraivaConteúdo aproveitou o intervalo entre as recentes viagens que fez a algumas cidades da Europa e o convidou para um bate-papo sobre a arte urbana que desenvolve dentro e fora do País. Acompanhe!
Como é a sua rotina hoje em dia?
L7m. Atualmente, faço encomendas em telas e trabalhos para exposições. Também mantenho a minha raiz, que é pintar em lugares abandonados ou esquecidos. Eu me sinto mais à vontade criando nesses espaços. Não sou muito fã de avenidas e lugares que alguns artistas até brigam para pintar.
A sua arte tem uma característica muito própria. Como você desenvolveu esse perfil?
L7m. Sempre busquei uma identidade visual, algo que é muito difícil. Por gostar do Realismo e do Abstrato, fiz uma junção dos dois e adicionei segmentos do Raionismo. Gosto também de unir a beleza com outros sentimentos que, às vezes, são incômodos.
A arte de rua ainda é discriminada em muitos lugares do Brasil e do mundo. Como você lida com isso?
L7m. É um desafio. Porém, cada trabalho de um artista que sai nas ruas para pintar e deixar sua arte honesta, já é um avanço. A arte de rua hoje vive um grande momento. Ao contrário do que se pensava antes, que a arte manual iria morrer. Ela é a prova viva de que isso não é verdade. A cada traço, a cada parede pintada, é quebrado um tipo de preconceito. As pessoas de todas as classes sociais podem ter acesso à arte pública.
                                                                                                                      Arquivo pessoal/ L7m
São Paulo: trabalho em progresso
Você sente o seu trabalho mais valorizado no Brasil ou no exterior?
L7m. É, sempre me perguntam isso [risos]. Acredito que, no Brasil, eu ainda não sou valorizado. Pra você ter uma ideia, fiz um levantamento por meio da minha fanpage no Facebook e o Brasil é o quarto país na lista de apreciadores do meu trabalho. É estranho, pois é meu País. É também o local em que eu deixei mais pinturas nas ruas.
Mas arte de rua também ganhou bastante espaço e prestígio em grandes capitais do mundo, como em Paris e Berlim. Na sua opinião, quais locais são referência na valorização da arte de rua?
L7m. É, eu acho que as capitais ganham mais destaque e valorizam mais esse trabalho porque muitos artistas querem pintar nesses locais. Isso acontece devido à quantidade de galerias e pessoas que já estão acostumadas a ver arte na rua. Eu prefiro estar onde não tem essa informação. Até acho legal quando as pessoas ficam desconfiadas e perguntam o que eu estou fazendo: estou mudando a visão delas e transmitindo minhas mensagens visuais.
Você já viajou por diversos locais do mundo a convite de galerias urbanas, por exemplo. Quais foram os lugares mais marcantes que a arte já te levou?
L7m. Ah, eu gostei de todos os lugares que fui. Em cada país sinto algo diferente, quando estou pintando. Mas acredito que o mais marcante foi nos Emirados Árabes. Em Dubai, a arte de rua é totalmente proibida.
Nessas viagens, você também interagiu com outros artistas, certo? O que foi mais importante para você nessa convivência?
L7m. Eu interagi, mas não pintando junto e, sim, na amizade e na conversa – o que eu acho ainda mais válido. Prefiro pintar sozinho, me sinto mais à vontade. A cada lugar que viajo, reparo muito na arquitetura e nas pessoas mas, principalmente, nas aves locais. Vou absorvendo tudo.
                                                                                                   Arquivo pessoal/ L7m
Obra produzida em 2013, em São Paulo
E quais são as suas inspirações?
L7m. Gosto muito de fotografias e procuro ler biografias de artistas do passado – saber e pesquisar sobre eles. Acredito que a essência da arte está no passado, nos grandes mestres da arte, época em que se pintava por amor à arte e menos por dinheiro.
Quais são esses artistas?
L7m. Posso citar alguns, como Caravaggio, Van Gogh, Basquiat, Mikhail Larionov, Turner e Bosch. Mas os artistas em que mais me inspiro, ultimamente, são as crianças. Não há nada mais puro do que um desenho de uma criança.
E os seus objetivos hoje como artista?
L7m. O objetivo principal é continuar fazendo a minha arte voar por todos os lados. Mas que eu possa ir além de levar a arte. Fazê-la para tornar as pessoas melhores e me tornar, também, uma pessoa melhor.
Arquivo pessoal/ L7m
Detalhe da obra de L7m
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