Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 08.11.2011 08.11.2011

Quer ler como: livro ou e-book?

Por Luciana Stabile
Foto: Marcelo Naddeo 
 
Um dia, você está em casa lendo o jornal ou revista e descobre que uma editora vai lançar a continuação de Comer, Rezar e Amar, da Elizabeth Gilbert. Você enlouquece. Precisa ter esse livro. Precisa descobrir como anda o relacionamento da Liz com o aquele charmoso brasileiro.
 
Se fosse um tempo atrás, sua única opção seria entrar correndo na livraria para comprar o livro. Agora, em 2011, as coisas são diferentes. Como exatamente você vai ler o tal título?
A pergunta pode parecer estranha, mas não é. Há uma década a existência das publicações digitais era apenas uma previsão de especialistas em tecnologia. E aquela profecia de quem ditava que os e-books iriam substituir os livros físicos não se confirmou completamente na prática. Mas hoje é fato que temos diversas alternativas para ler e guardar nossos livros prediletos. Agora, como podemos escolher? Como saber qual será a melhor forma de desvendar a vida da Liz Gilbert?

A resposta pode ser simples: as pessoas são diferentes. As escolhas sempre serão diferentes. E o bom é que hoje existem possibilidades para todos os tipos de leitores. Você pode escutar sua música favorita em um tocador de MP3, em um aparelho de som, no computador… Por que com os livros não seria assim?

O Almanaque Saraiva conversou com alguns leitores sobre o tema para descobrir do que eles gostam. E tem de tudo. Aqueles que leem um livro no tablet e não largam mais. Democráticos que se dividem entre o mundo impresso e o digital. E os “quatrocentões” da tecnologia, que não testaram, nem querem testar as novas formas digitais. Mas, e você, como lê seus livros?

Eu leio livros…

Digitais …

 
O professor Whaner Endo, da Universidade Anhembi Morumbi, e dono da Editora W4, conta que já migrou totalmente para o tablet, pelo menos para ler sua revista preferida, a Wired. “Leio a Folha de S.Paulo no meu tablet. Também acabo de assinar outra revista americana, a New Yorker.” Para o professor, o mundo digital ainda vai dar muito o que falar. Ele vai mudar o comportamento das pessoas.

E foi exatamente isso que atraiu a gerente de comunicação do Esporte Clube Pinheiros, Cláudia Toyoshi, de 40 anos, que anda “dormindo” com o tablet ultimamente. “Já cancelei assinatura do jornal impresso. Tenho uns 6 livros abandonados em casa.”

Claudia lê os livros digitais em casa, antes de dormir. “Leio em qualquer lugar; quando vou lavar o carro ou numa situação de espera, como a sala de uma consulta médica. Outro dia, cheguei ao restaurante antes de amigos e já saquei o tablet”. Ela acha que uma das coisas mais bacanas de ler livros digitais é sua praticidade. “Você já segurou Abusado, do Caco Barcellos por muito tempo? O tablet é muito mais leve e prático”, diz.

 
Mas ao ser questionada se existe alguma nuvem negra no céu azul da tecnologia, Cláudia reflete por um tempo e baixa o tom de voz. “Os livros passam de pais para filhos, ficam amarelos, têm dedicatórias carinhosas. Será que no futuro vou dar um pen drive para minha filha?”.
 
A jornalista Veronika Reichenberger também mudou seu hábito de leitura. Comprou o tablet no ano passado porque adora ler durante as férias, mas quando viajava sua bolsa ficava pesada demais por conta dos diversos livros. “Levava muitos para poder escolher meu preferido, então decidi comprar o tablet para ter vários comigo, em um único aparelho, sem carregar tanto peso, nem ocupar tanto espaço”, explica.
 

Na foto, o ator Eduardo Galvão
 
em papel …

O ator Eduardo Galvão, 48 anos, é avesso às tecnologias e livros digitais. Você tem Facebook?, pergunto. Face, o quê?, ele responde. Galvão sabe da existência dos tablets, mas gosta mesmo de tudo que é impresso. Os textos que precisa decorar, os livros que lê. Para ele, não existe razão para trocar as publicações impressas por digitais. “Tenho uma biblioteca incrível em casa. E gosto de andar com meu livro para cima e para baixo. Moro no Rio de Janeiro. Praia, areia, sol e livro impresso”, conta rindo.

Odilon Ramos Junior, de 27 anos, também pensa assim. Ele trabalha com tecnologia da informação e diz que computador é só para ler coisa rápida. “A tela cansa minha leitura, além disso, gosto de pegar os livros na mão. Acho importante sair um pouco desse mundo voltado para a tecnologia. A hora em que vou ler é uma hora de descanso”.

 
cada vez de uma maneira …

André Luiz Silvestre de Souza, 36 anos, gerente comercial da Editora Universo dos Livros, gosta de ler nos dois formatos. E acha que o mundo digital é apenas mais uma nova ferramenta de comunicação. O mundo impresso sempre existirá e ele vai além, algumas vezes o mercado digital estimulará o impresso. “Estava lendo digitalmente 1822, do Laurentino Gomes, mas gostei tanto do livro que comprei o impresso. A facilidade é que no digital você se comunica com seus iguais rapidamente, gente que está lendo o mesmo livro e tem as mesmas paixões que você.”

 
O fotógrafo Dede Fedrizzi, 51 anos, é bem conectado. Ele tem 2 iPads, 2 iPhones, 1 desk top e 1 lap top. Um dos primeiros a usar o iPad como portfólio digital, Fedrizzi não abandona os livros impressos. Ele usa o iPad para trabalhar e ler notícias diárias, mas os livros têm lugar de destaque na sua casa. “Acho os livros bonitos. Gosto do cheiro, do toque. Sento na rede e leio meus livros. Não levaria um iPad para uma rede”.
 
A empresária Almali Zraik, 40 anos, também. “Vejo no twitter as informações que me interessam e procuro mais informações no iPad, mas gosto de ver um livro do lado da minha cama. Sinto conforto quando olho para um livro. Biblioteca é a coisa mais linda do mundo. Todo mundo deveria ter uma em casa”. 
 
Os dilemas de um escritor
 
Ele passa um bom tempo escrevendo, talvez anos para finalizar um livro. Pesquisas, entrevistas, revisões, diagramação e muita ansiedade pelo caminho. Finalmente chega o dia do lançamento. Ele sonha com uma fila extensa de admiradores com seu título na mão. Todos querem um autógrafo e um bate-papo com o autor. E ele está lá para isso. Quer escrever essa dedicatória carinhosa em cada um dos exemplares, batalhou muito por isso. Mas como se faz uma dedicatória em um exemplar digital? Ele envia um e-mail gentil para os fãs? Escreve no mural do Facebook de cada um?
 
As perguntas parecem absurdas, mas podem não ser. A dúvida já atormenta o escritor Rafael Vidal, de 38 anos. Vidal acaba de publicar o livro infantil A Miquelina e o Crumélio: Mundo Cinzento (Rai Editora). O escritor lê muitos livros digitais, mas se preocupa com o dia em que pode acabar o glamour dos lançamentos escritos. “O livro é um objeto cult e sagrado para mim. Se meu livro fosse publicado apenas online, eu ficaria terrivelmente decepcionado. A noite de autógrafos é insubstituível para um autor, a peça impressa também. Outro dia vi um exemplar meu fisicamente parado do lado do Harry Potter. A satisfação é indescritível”.
 

 

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