Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo HQ 26.12.2014 26.12.2014

Quatorze momentos marcantes dos Quadrinhos em 2014

Por Marcelo Rafael
O ano de 2014 foi marcado por muitos grandes fatos no mundo dos Quadrinhos. Foram eventos, seriados, filmes, aniversários, beijo que deu o que falar e até mangá de Machado de Assis!
A lista é grande e elencamos os 14 acontecimentos que, em vários níveis dos Quadrinhos – do papel à telona –, deixaram sua marca em 2014.
14º. BIOGRAFIAS
Vidas de grandes personalidades em quadros e balões têm se tornado comuns nos últimos anos. Um grande nome da literatura ganhou sua tradução para o português: Gabriel García-Márquez, com Gabo – Memórias de uma Vida Mágica, da editora Veneta. Também um ídolo nacional, Ayrton Senna – A Trajetória de um Mito, da Nemo.
Laudo Ferreira e Omar Viñole encerraram sua trilogia sobre Jesus Cristo com Yeshuah – Onde Tudo Está. “O importante [neste gênero] é o biografado ter uma vida emocionante o bastante para ser digna de ganhar uma história em quadrinhos”, afirma o editor Guilherme Kroll, sócio da Balão Editorial.
13º. CINEMA

Dias de Um Futuro Esquecido
foi mais um épico dos mutantes na telona, unindo as equipes do passado, presente e futuro. Para Levi Trindade, editor sênior da Panini no Brasil, Guardiões da Galáxia também surpreendeu. “Por não ser um dos grupos mais conhecidos pelos fãs e ter um filme sensacional, superando qualquer expectativa”, diz.
12º. SÉRIES
Os heróis também marcaram presença na telinha. Arrow estreou nova temporada, ao passo que Gotham, Constantine e Flash tiveram seus pontapés iniciais.
Apesar de ter gostado de alguns personagens no seriado sobre a vida da cidade de Batman, Trindade afirma que se incomodou um pouco com a condução de algumas histórias, como as ações da noiva do Gordon, Barbara, e as interações, para ele forçadas, entre Bruce Wayne e Selina Kyle (futura Mulher-Gato). “Acho que podiam segurar um pouco a mão nessas partes”, diz.
Quanto a Constantine, já cancelada devido à má audiência nos EUA, ele ainda tem esperança: “Creio que conseguirá sobreviver se for produzida para uma TV a cabo norte-americana. Vamos ver no que dá”.
11º. A ERA DE ULTRON (MARVEL)
Para Trindade, a saga que abalou o Universo Marvel foi mais importante do que A Batalha do Átomo, dos X-Men. “Pois é estrelada pelo principal vilão do próximo filme da Marvel. [A saga] é praticamente [sobre] os maiores heróis das HQs lutando para derrotar um adversário praticamente indestrutível”, afirma.
Os Vingadores 2 – A era de Ultron tem lançamento previsto para 2015.
10º. VILANIA ETERNA (DC)
Apesar de estar pau a pau com as celebrações dos 75 anos de Batman, a megassaga em que os heróis se deram mal e os vilões da nossa dimensão tiveram de derrotar o Sindicato do Crime, vindo de outra dimensão, foi o ápice da DC em 2014.
A revelação de quem destruiu a dimensão do Sindicato e a mudança de postura dos vilões (com Luthor querendo entrar pra Liga da Justiça) geram combustível para eventos bombásticos em 2015, segundo Trindade.
9º. FINS NOS MANGÁS
Dois grandes mangás chegaram ao fim em 2014. No longevo Naruto seus protagonistas até cresceram. E o arrastado Neon Genesis Evangelion, com grandes lapsos entre um volume e outro, finalmente encerrou simultaneamente no Japão, no Brasil e nos EUA.
“Cada série faz sucesso por motivos diferentes, Evangelion por ser icônico e já muito conhecido de todos, e Naruto por ser o sucessor dos grandes desenhos shonen de luta, como Dragon Ball e Cavaleiros [do Zodíaco], e pelo anime passar em TV aberta no mundo todo”, afirma Cassius Medauar, gerente de conteúdo da JBC.
Para ele, os finais fizeram jus às trajetórias das séries que já tinham passado da hora de acabar. “Uma das coisas mais legais nos mangás é o fato de ele ser finito; por isso, mangás ‘intermináveis’ estão cansando um pouco os leitores”, conclui.
8º. SAILOR MOON
20 anos após o anime ir ao ar, finalmente o mangá de Sailor Moon chegou ao Brasil em 2014 com um grande evento na Saraiva. Segundo Medauar, as negociações com a editora japonesa e com Naoko Takeuchi, a autora, foram longas. Desde 2000, a JBC queria o título.
“As aprovações de capas e páginas coloridas são bem difíceis. Trocamos uns 4 ou 5 e-mails com a editora japonesa e, depois disso, nossos arquivos ainda são mandados para a própria Naoko aprovar. Esse processo demora”, conta o gerente da JBC.
7º. MANGÁ NACIONAL
Entre as publicações nacionais teve até lançamento de mangás: Helena, cuidadosa adaptação de Machado de Assis para o estilo japonês, pela New Pop, e Henshin Mangá, coletânea com autores nacionais, pela JBC.
O Henshin foi resultado do primeiro concurso da editora para publicação de mangás produzidos por brasileiros e teve sua segunda edição lançada em 2014, na Saraiva. “Queremos que o concurso seja anual e achamos que um ano é tempo suficiente para as pessoas fazerem uma história, né?”, finaliza Medauar.
6º. 145 ANOS DO QUADRINHO NACIONAL/75 ANOS DE GIBI
De acordo com a Associação de Quadrinistas e Cartunistas de São Paulo, os quadrinhos no Brasil completaram 145 anos, desde a publicação de As Aventuras de Nhô Quim, do ítalo-brasileiro Angelo Agostini.
Um dos pontos altos da 9ª Arte Nacional, em quase um século e meio de História, foi a revista Gibi, 75 anos atrás. O título acabou por batizar o gênero no Brasil.
“Muita coisa mudou e marcou o quadrinho nacional nesse período, mas a maior de todas foi o Mauricio de Sousa e sua Turma da Mônica”, acrescenta Guilherme Kroll.
5º. 50 ANOS DE MAGALI
Muitos assopraram velinhas em 2014. Entre eles, a melhor amiga de Magali. Sidney Gusman, gerente de planejamento editorial da Mauricio de Sousa Produções, atribui o sucesso da personagem ao seu carisma. “Ela é um contraponto, um complemento à Mônica. E, juntas, as duas formam uma dupla e tanto”, diz.
4º. 50 ANOS DE MAFALDA
A menina do outro lado da fronteira, conterrânea do Papa, também comemorou em grande estilo. “Mafalda é um clássico dos quadrinhos mundiais. Quino é um gênio, e penso que esse sucesso se deva ao fato de ele ter feito uma tira que, na época, falava com muitas culturas, por conta dos tempos ditatoriais”, conta Gusman.
“As tiras conseguem ser divertidas, tocantes, engajadas e atuais, mesmo anos depois de seu fim. Pelo fato de serem tão boas, elas conseguiram fazer sucesso no Brasil, como [Jorge Luis] Borges, [Ricardo] Darín e o alfajor”, acrescenta Guilherme.
3º. 80 ANOS DO PATO DONALD
O pato mais famoso da Disney ganhou 13 meses de comemoração, segundo o editor da Abril Jovem, Paulo Maffia. As comemorações, que tiveram início em junho, seguiram ao longo dos meses com álbuns especiais.
Em outubro foi lançada a quadrinização de sua primeira aparição, nas telas do cinema, com o curta A Galinha Sábia. Agora no início de 2015 os festejos chegam ao auge com o lançamento de um encadernado de luxo.
2º. BEIJO GAY EM LULUZINHA
Algo que, para alguns, é ainda tabu, o fato inédito em HQ nacional quebrou mais uma barreira na visibilidade LGBT. Os namorados Fábio e Edgar, de Luluzinha Teen, não somente se beijaram como foram defendidos pela amiga protagonista e pelo diretor da escola – normalmente primeiro lugar onde se sofre preconceito – ante à homofobia vexatória dos pais de Fábio.
1º. EVENTOS DE QUADRINHOS
Além de Anime Friends, Brasil Comic Con e Gibi Con, o país ganhou mais um grande evento: a Comic Con Experience, em São Paulo, que reuniu mais de 20 mil pessoas por dia. Até a Bienal do Livro de São Paulo deu mais espaço às HQs em sua edição de 2014.
“Acho que mais gente está investindo em eventos e em mostrar que os quadrinhos são a 9ª Arte e podem ser lidos por todos. Mas acho que isso é apenas o começo. Ainda temos um longo caminho pela frente”, finaliza Medauar.
É, foi um ano e tanto!
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