Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 25.11.2011 25.11.2011

Quando o fã vira o dono da história: Carol Sabar fala sobre o livro ‘Como (Quase) Namorei Robert Pattinson’

Por Andréia Silva
Na foto, Carol Sabar
 
O que faria uma jovem engenheira dar uma breve reviravolta na rotina e escrever uma história inspirada na crepusculomania? A resposta é simples: um gato como Robert Pattinson.
 
Foi o que aconteceu com a mineira Carol Sabar em Como (quase) Namorei Robert Pattinson, seu primeiro livro, um relato divertido que, apesar de contar os devaneios de uma fã, a personagem Duda, acaba traçando um bom perfil não apenas dos fãs da saga vampiresca, mas dos fãs de modo geral: fazem qualquer coisa pelo ídolo, sabem tudo sobre eles e, se possível, querem ser donos deles.
 
Não é raro aparecer um fã contando o seu lado da história, o que hoje ganhou até um nome, fanfic, ou seja, ficção criada por fãs. Exemplos não faltam. Entre os mais recentes, estão desde os fãs mais exagerados, como Marce William Burchell, que escreveu um livro (A Verdadeira História da Tentativa de 22 meses de Jessica Simpson de Seduzir um Homem Casado) sobre um falso affair com a cantora Jessica Simpson, aos que buscam homenagear os ídolos, como a fã de 16 anos, Dorotea de Spirito, que escreveu um livro sobre a banda Tokio Hotel, intitulado Tokio Hotel Forever.
 
Há também o recente Under Their Thumb (Nova Fronteira), de Bill German, que passou de fã para amigo dos Rolling Stones. Na adolescência, German costumava guardar notícias da banda, reuniu um material interessante e acabou se aproximando do quinteto. Toda essa história é contada no livro, que tem um tom de ‘admiração total’ pela banda, a mesma de Duda pela saga Crepúsculo.
 
Aos 19 anos, ela já perdeu a conta de quantas vezes leu os livros e assistiu aos filmes da série de vampiros. A história começa a partir de um sonho – se estamos falando mesmo de um sonho, isso você só vai descobrir lendo – daqueles que todas as fãs de Pattinson já tiveram no mínimo cinco vezes: "Quando abro os olhos, ali estou eu. Deitada de bruços na areia da praia. E Robert Pattinson está passando óleo bronzeador nas minhas pernas". A próxima reação da personagem é levar um susto com a situação.
 
Em uma divertida entrevista ao SaraivaConteúdo, Carol Sabar contou mais sobre o livro e sobre a relação com os fãs da saga. Confira.
 
Robert Pattinson em cena de Amanhecer
 
A Duda a gente já sabe que é fanática pela saga Crepúsculo. Mas e você? Entraria na briga pelo Robert Pattinson com ela?
 
Carol Sabar. Quando Robert Pattinson aparece lindo, louro, pálido e brilhante nas telonas do cinema, fico piscando freneticamente, tentando me concentrar no significado de suas palavras e não em sua boca se mexendo. É por isso que, nessas horas, sempre tenho comigo um copo de 500ml (no mínimo) de refrigerante geladinho, para o caso de um aumento desenfreado da temperatura corporal ou coisa assim. Não que isso aconteça com frequência (risos). Mas a Duda é bem mais “crepuscólica” do que eu. Sua obsessão vai além da beleza chocante do ator. Duda quer o Robert para ela! E, nessa briga, eu não entraria.
 
No caso de Crepúsculo, qual é, na sua opinião, como leitora e escritora, o grande diferencial da história?
 
Carol Sabar. O grande diferencial de Crepúsculo em relação a outras histórias é o amor incondicional (às vezes impossível) entre Bella e Edward.  
 
Para escrever o livro, você conviveu muito com as fãs da saga? Como foi esse trabalho para conhecer e entender esse público?
 
Carol Sabar. Convivi e ainda convivo com algumas fãs da saga. Mas foi a internet, sem dúvida, minha maior fonte de pesquisa. Passei horas e horas observando o comportamento dos fãs nas redes sociais, a maneira como interagem uns com os outros, como reagem às notícias da saga e às fofocas relacionadas aos atores envolvidos. Assim nasceu a Duda, uma exagerada combinação dos tipos mais comuns de “crepuscólicos” que encontrei por aí.
 
No caso da Duda, ela usa um perfil fake para se comunicar com outros fãs… Isso é por vergonha de ser fã da saga? Aliás, há gente envergonhada em assumir ser fã da saga?
 
Carol Sabar. A Duda não apenas tem vergonha como se culpa a toda hora por ser tão fã da saga. Ela tem 19 anos, está na faculdade e sofre constante pressão das amigas, todas convictas de que “esse negócio de vampiros brilhantes é uma verdadeira perda de tempo”. Não são todos os fãs, é claro, mas muitos têm vergonha de se assumir e, por isso, se escondem atrás de um perfil falso na internet para se comunicar com outros amantes da saga, postar em blogs, ler fanfics.
 
O que os fãs da saga mais te dizem sobre o livro?
 
Carol Sabar. Os fãs adoram a Duda, se divertem e, principalmente, se identificam com ela. Mas muitos leitores andam dizendo que não é preciso acompanhar a saga Crepúsculo para gostar do livro. Apesar de “crepuscólica”, Duda vive suas próprias aventuras. Quem não leu os livros da saga ou não assistiu aos filmes vai entender e rir da mesma maneira.
 
Quem você diria que foi seu Robert Pattinson durante sua adolescência?
 
Carol Sabar. Eu era louca pelo Leonardo DiCaprio na época do Titanic, colecionava fotos e encartes de jornal. Tenho muita coisa guardada até hoje. 
 
Você é engenheira. Como foi esse momento: ‘vou escrever um livro’?
 
Carol Sabar. Aconteceu meio que por acaso. Quando me formei em engenharia e passei a ter as noites livres, comecei a escrever pequenas histórias, nada profissional ou com intenção de ser. Encarava a escrita como um hobby, uma forma de me expressar, de relaxar. Dessa maneira, acho que minha mente acabou se abrindo à criação. Eis que uma boa ideia surgiu, eu me apaixonei por ela e comecei a trabalhar na construção da história e das personagens.
 
Quais são seus livros de séries preferidos?
 
Carol Sabar. Além de Crepúsculo e Harry Potter… Fazendo Meu Filme, de Paula Pimenta, e Heather Wells Series, de Meg Cabot, são minhas séries favoritas na categoria infantil e jovem adulto.
 
E agora, podemos esperar uma continuação dessa história ou um novo livro?
 
Carol Sabar. Atualmente, estou trabalhando em outra comédia-romântica para jovens adultos. Mais romance que comédia, na verdade. “Como (quase) namorei Robert Pattinson” foi escrito como um livro único, tudo se fecha e se encaixa no final. Mas não descarto a possibilidade de uma continuação. A história está sendo muito bem recebida e sinto falta das personagens. A Duda é uma amiga tão real que eu poderia convidá-la para um café.
 
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